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Batalha de Waterloo

Confronto militar

8 min de leitura01/01/2024
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A Batalha de Waterloo foi um confronto militar ocorrido a 18 de Junho de 1815 perto de Waterloo, na atual Bélgica (então parte integrante do Reino Unido dos Países Baixos). Um exército do Primeiro Império Francês, sob o comando do Imperador Napoleão (72 000 homens), foi derrotado pelos exércitos da Sétima Coligação que incluíam uma força britânica liderada pelo Duque de Wellington, e uma força prussiana comandada por Gebhard Leberecht von Blücher (118 000 homens). Este confronto marcou o fim dos Cem Dias e foi a última batalha de Napoleão; a sua derrota terminou com o seu governo como Imperador.

Depois do regresso de Napoleão ao poder em 1815, muitos dos Estados que se tinham oposto ao Imperador formaram a Sétima Coligação, dando início à mobilização dos seus exércitos. Duas forças de grande dimensão sob o comando de Wellington e de Blücher concentraram-se perto da fronteira nordeste da França. Napoleão decidiu atacar na esperança de as destruir antes que dessem início a uma invasão coordenada da França, juntamente com outros membros da coligação. O confronto decisivo da campanha de três dias de Waterloo — 16 a 19 de Junho de 1815 —, teve lugar em Waterloo. De acordo com Wellington, a batalha foi "a mais renhida a que assisti na minha vida".

Napoleão atrasou o início da batalha até ao meio-dia esperando que o terreno secasse. O exército de Wellington, posicionado ao longo da estrada para Bruxelas, na escarpa de Mont-Saint-Jean, resistiu a múltiplos ataques franceses até que, no final do dia, os prussianos chegaram em força e penetraram no flanco direito de Napoleão. Naquele momento, o exército de Wellington contra-atacou provocando a desordem das tropas francesas no campo-de-batalha. Posteriormente, as forças da coligação entraram em França repondo Luís XVIII no trono francês. Napoleão abdicou, rendeu-se aos britânicos e foi exilado na ilha de Santa Helena, onde morreu em 1821.

O campo-de-batalha fica, actualmente em território belga, a cerca de 13 km a sudeste de Bruxelas, e a 1,6 km da cidade de Waterloo. No local da batalha existe hoje um enorme monumento designado por Monte do Leão (em francês Butte du Lion), construído por terra trazida do próprio terreno da batalha.

Os últimos dias de março de 1815 foram azedos para os diplomatas reunidos em Viena. Ali, representantes do Império Russo, Reino da Prússia, Império Austríaco, Suécia, Reino Unido e várias nações e reinos menores tentavam, havia meses, redesenhar o mapa político da Europa, reinstaurando as monarquias e os territórios que existiam antes do furacão napoleônico. Porém, a ilusão de que o general corso estava liquidado acabou quando souberam que ele não só havia retornado do exílio na ilha de Elba (uma ilhota no mar Mediterrâneo), como no dia 20 de março fora recebido em glória em Paris. Os aliados mal puderam acreditar. Napoleão Bonaparte, dez meses antes, em 11 de abril de 1814, fora derrotado por uma coalizão de mais de 500 mil soldados de várias nações europeias, que se sublevaram contra o domínio francês após a desastrosa campanha da Rússia, em 1812. Vitoriosos, os aliados colocaram Luís XVIII no trono da França e enviaram Bonaparte ao exílio.

Em 15 de junho, com 73 000 homens, Napoleão invadiu a Bélgica. Seu único trunfo era bater separadamente os exércitos inimigos antes que se reunissem. As tropas que estavam na área eram formadas por prussianos e outras compostas por ingleses, belgas, neerlandeses e alemães, instalados na Bélgica. Napoleão tentaria batê-los para forçar algum armistício com as outras nações, que estavam com seus exércitos mais distantes da França. O desafio não era fácil: o exército anglo-batavo-alemão contava com 93 mil homens, liderados pelo Duque de Wellington. O prussiano tinha 117 mil homens, comandados por um militar muito experiente, o general Blücher. Mesmo em inferioridade numérica, Napoleão teria de atacar. Dentro de um mês, o exército austríaco de 210 mil homens, outro russo, de 150 mil e um terceiro grupo austro-italiano, de 75 mil invadiriam a França pelo norte e pelo sul.

Quando Napoleão invadiu a Bélgica as tropas inglesas, prussianas e russas ainda não haviam se juntado ao Exército Prussiano. Napoleão decidiu bater primeiramente os prussianos, que estavam à sua direita em Ligny, e enviou o marechal Michel Ney com 24 mil homens, para Quatre-Bras a fim de barrar qualquer tentativa dos ingleses ajudarem os aliados. No dia 16 de junho de 1815 Bonaparte encarou o velho Blücher. Sabendo que eram os franceses que tinham de correr atrás do osso, o prussiano entrincheirou seus homens em fazendas próximas a Ligny e esperou. A batalha durou todo o dia. No fim da tarde a Guarda Imperial Francesa arrebentou o centro prussiano, decidindo a batalha. Blücher evitou uma desgraça maior, liderando o contra-ataque com a cavalaria. Os prussianos puderam recuar em ordem, na escuridão.

Ao término do embate, os prussianos amargavam 22 mil baixas, contra 11 mil dos franceses. Blücher evitou a derrota. Napoleão, porém, conseguiu o que queria: afastar os prussianos para bater os ingleses em seguida. Para não deixar que os prussianos pudessem se juntar aos ingleses na batalha seguinte, Napoleão destacou uma tropa de 30 mil homens, entregou-a ao general Emmanuel de Grouchy e ordenou que perseguisse os prussianos.

No dia seguinte, 17 de Junho, o duque de Wellington se aproveitou da chuva forte que caiu sobre a região para levar o exército a uma posição mais segura, o monte Saint Jean. Os franceses chegaram lá ao fim do dia. O temporal continuava mas Napoleão não dispunha de tempo. Mesmo sob tempestade ele foi pessoalmente verificar as condições do campo durante a noite. Naquele momento Bonaparte tinha a chance com que tanto sonhara. Os prussianos estavam em retirada, sendo acossados por Grouchy. A ele só restava ter um bom desempenho contra os ingleses no dia seguinte e demonstrar à Europa que a França ainda estava viva.

Pela manhã o tempo melhorara. Wellington contava com 23 mil ingleses e 44 mil soldados aliados, vindos da Bélgica, dos Países Baixos e de pequenos estados alemães, num total de 67 mil homens, apoiados por 160 canhões. Os franceses contavam com 74 mil homens e 250 canhões. Wellington posicionou suas tropas ao longo da elevação de Saint Jean. Sua ala direita se concentrava em torno da fazenda de Hougomount. No centro, logo abaixo da colina, outra fazenda, La Haye Sainte, estava ocupada por King's German Legion (Hanover). À esquerda tropas aliadas se posicionavam em torno a uma terceira fazenda, a Papelotte. Wellesley assumiu uma postura extremamente defensiva, em parte porque seu exército não era dos melhores e porque para ele quanto mais tempo demorasse a batalha, maiores eram as chances de o reforço prussiano chegar.

Napoleão queria começar o ataque cedo. A violenta tempestade noturna, entretanto, fez com que Napoleão adiasse o ataque previsto para a noite de 17 de Junho para o meio-dia do dia 18, a fim de aguardar que o solo secasse já que a chuva havia transformado o campo de batalha num lamaçal. Ele teve de esperar até aproximadamente 11 horas da manhã, quando o solo ficou mais seco, para iniciar o ataque contra Arthur Wellesley. A ideia era chamar a atenção para esse setor e fazer o inglês desperdiçar tropas ali e então atacar no centro. O ataque a Hougomount, com fogo de canhões, durou meia hora. O lugar era protegido por duas companhias inglesas, que não somavam mais de 3,5 mil homens. Elas receberam o peso de mais de 10 mil franceses, mas não cederam. Aos poucos, o que era para ser um blefe tragou durante todo o dia preciosos recursos franceses. Pior, Wellesley não caíra na armadilha e mantinha as melhores tropas no centro, perto de La Haye Sainte. Napoleão então decidiu que era a hora de atacar o centro da linha inglesa.

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