Dimitri Sensaud de Lavaud (Valladolid, 18 de setembro de 1882 — Paris, 21 de abril de 1947) foi um prolífico engenheiro, inventor e aviador de ascendência francesa e russa, nascido na Espanha e naturalizado brasileiro. Filho de Alexandrine Bogdanoff, e de um nobre francês, Evariste Sensaud de Lavaud, fixou residência no Brasil, na cidade de Osasco, SP. Uma das mentes mais criativas do início do século XX, registrou mais de 1.200 patentes em diversas áreas.
Adolescente, Dimitri se dedicava à leitura de livros técnicos, construir barcos a vela e a jogar xadrez. Aos 26 anos, iniciou projetos e cálculos para a realização de seu sonho: projetar e construir um avião.
É celebrado por ter projetado, construído e pilotado o aeroplano "São Paulo", realizando o primeiro voo de uma aeronave na América Latina em Osasco, no dia 7 de janeiro de 1910. Suas contribuições para a engenharia incluem a invenção do processo de fundição centrífuga para tubos metálicos, que revolucionou a indústria, o pioneirismo no desenvolvimento de uma transmissão automática para automóveis, e invenções cruciais para a aviação, como a hélice de passo variável e um dos primeiros motores turbojato funcionais do mundo, desenvolvido em 1937.
Consagrou-se também como inventor, com cerca de 1200 patentes registradas, dentre as quais destacam-se tubos sem solda, automóvel com câmbio automático e mecanismo de passo variável para hélice. Projetou um automóvel francês, pleno de inovações que, além do câmbio automático, tinha volante ajustável e chassis em liga de alumínio.
Após naturalizar-se brasileiro, em 1916, muda-se para o Canadá, onde permaneceu por alguns anos até transferir-se para a França, onde viveu definitivamente a partir da década de 1920. Outro talento não muito falado, é que ele foi escritor sendo um de seus livros: ""Le problème de l'indépendance des roues arrière d'une voiture"", publicado em 1929, "Les vitesses critiques d 'une voiture automobile", publicado em 1927, "Dandinement, shimmy et pseudo-shimmy dtune voiture automobile" publicado em 1927. Os dois últimos foram mencionados pela NASA em razão da inteligência e relevância para inovação.
Sua vida foi marcada por genialidade técnica, sucesso industrial e um final trágico, sendo preso injustamente na França sob a acusação de colaboracionismo durante a Segunda Guerra Mundial, sendo posteriormente inocentado com o auxílio da diplomacia brasileira.
Dimitri Sensaud de Lavaud, nascido em 1882, faleceu em 1947. Seus restos repousam na França. O Brasil tem o dever de resgatá-lo de sua invisibilidade histórica.
Existe uma biografia em francês intitulada "Dimitri Sensaud de Lavaud - Un ingénieur extraordinaire", publicada por Alain Cerf em 2009, muito rica com documentos e fotos.
Dimitri Sensaud de Lavaud (em muitas referencias também está escrito como Demetrie Sensaud de Lavaud) nasceu em Valladolid, Espanha, filho do Barão Evariste Sensaud de Lavaud, um engenheiro cerâmico e nobre francês (ostentava o título de Comendador), e de Alexandrine Bogdanoff (Sacha), de ascendência russa. A família mudou-se para o Brasil em 1898, quando Dimitri tinha 16 anos, estabelecendo-se na então vila de Osasco, atraída por oportunidades de negócios na região de São Paulo. Criado em um ambiente intelectualmente estimulante, Dimitri desenvolveu desde cedo uma notável aptidão para a mecânica e a engenharia, sendo em grande parte um autodidata.
A família paterna do Barão Evariste Sensaud de Lavaud é de Limousin (Saint Junien- França) s. Ele era filho de industriais que produziam a fina porcelana francesa conhecida da região - Limoge. Sua dedicação e um delicado esmero no processo de fabricação da cerâmica fizeram-no viajar a outros países, como a Turquia, por exemplo, onde chegou a montar uma indústria cerâmica importante, cujos produtos foram muito apreciados por sua delicadeza. Nas imediações do Mar Negro, chegou a conhecer um grande número de pessoas de origem russa, onde conheceu Alexandrine Bogdanoff. Na época em que se casou (1879), Barão Evariste Sensaud de Lavaud era viúvo e tinha seis filhos do primeiro casamento. Esses filhos ficaram na França, aos cuidados do avô. Dimitri nasceria na Espanha, pois seu pai, após ter residido na Turquia, Suiça e Grécia, se estabelece na cidade de Valladolid, onde montaria outra fábrica de cerâmica e, ao mesmo tempo, iniciaria uma produção de fazendas de origem francesa. Lá, nasce o único filho de seu segundo matrimônio, recebendo o nome do avô por parte de mãe, Dimitri Bogdanoff, como homenagem. O barão Barão Evariste Sensaud de Lavaud morreu aos 70 anos em Santos - S.P. no dia 02 de outubro de 1913, conforme noticiado no jornal "CORREIO PAULISTANO" de sexta feira 03 de outubro de 1913 - Dimitri estava com 31 anos quando seu pai faleceu.
Sua mãe gostava de tocar música (piano, violino e mandolin) e que também se mostrava hábil com a paleta de pintura. Além disso, falava vários idiomas, devido, talvez, às inúmeras viagens que seu marido realizava.
Dimitri foi autodidata em sua formação. Embora tivesse nascido na Espanha, considerava-se francês, aplicando o direito de sangue, e, não, o do solo, como seu pai. Realizou seus primeiros estudos escolares formais em colégios da Suíça e da Espanha. Possuía uma curiosidade sem limites, que se complementava com uma inteligência extraordinária e uma grande disciplina esportiva, particularmente, no futebol, ao qual acrescentava o xadrez, a esgrima e a equitação. Costumava realizar travessias náuticas pelo Rio Tietê, navegando da cidade de Osasco a São Paulo em embarcações construídas por suas próprias mãos.
Tamanha era sua inteligência e persistência, bem como sua dedicação aos estudos, que se pode dizer que ele fez o curso de engenharia sozinho. Antecipou-se, sem dúvida, aos modernos sistemas de educação à distância. Este é um aspecto que deve ser ressaltado, pois a evolução de seus conhecimentos foi totalmente assistemática, e seu processo de aprendizagem foi liderado por ele mesmo, sem tutela ou orientação de nenhum professor.
Ele Viveu numa época em que a aviação era inovação na época. Na adolescência, acompanhou com grande entusiasmo o que se fazia na França, sua terra natal, em relação às pesquisas com balões. Uma circunstância que deve ter contribuído para aumentar sensivelmente seu interesse pelo assunto: as mais importantes pesquisas, na França, eram feitas por um brasileiro, ou seja, Alberto Santos Dumont. Seu interesse era tanto que procurou receber todas as publicações acerca da arte de voar. Estudou, detalhada e minuciosamente, os planos e compartimentos daquelas aeronaves de fins de 1908, o que o ajudou a conceber uma grande e revolucionária ideia, muito avançada para o Brasil de então. Essa ideia, da qual se convenceu com muita rapidez e que lhe rendeu muita satisfação, foi anunciada algum tempo depois: “Vou construir um avião”.
Tudo indica que o ano de 1904 foi decisivo para Dimitri, pois Alberto Santos Dumont voltava ao Brasil, onde teve, como se sabe, uma recepção que a imprensa da época classificou de "estrondosa". em razão do interesse local em lhe ouvir falar sobre os dirigíveis e, quando da sua volta a França, todos passaram a acompanhar suas pesquisas para o aeroplano, que por seus próprios meios poderia elevar-se do solo, que culminou com o Demoiselle , aeronave experimental, de 103 quilos, que iria ser considerado o tipo padrão de quase todos os aviões que mais tarde foram construídos.

