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Getúlio Vargas

14.º e 17.º presidente do Brasil (1930–1945; 1951–1954)

7 min de leitura01/01/2024
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Getúlio Dorneles Vargas GCTE • GCA (São Borja, 19 de abril de 1882 – Rio de Janeiro, 24 de agosto de 1954) foi um militar, advogado e político brasileiro. Foi o presidente do Brasil de 1930 até 1945, durante a Era Vargas, e, posteriormente, de 1951 até o seu suicídio em 1954.

Liderou a Revolução de 1930, depondo o 13.º e último presidente da Primeira República Brasileira, Washington Luís, e impedindo a posse do presidente eleito em 1.º de março de 1930, Júlio Prestes. Após isso, foi chefe do governo provisório de 1930 a 1934, período em que lidou com a Revolução Constitucionalista de 1932. Em 1934, foi eleito presidente da república do governo constitucional pela Assembleia Nacional Constituinte. Em 1937, instaurou o Estado Novo através de um autogolpe e presidiu o país como um ditador até 1945, quando foi deposto. Em 1951, voltou a presidir o Brasil após ter sido eleito por voto direto. Devido a pressões políticas, cometeu suicídio no dia 24 de agosto de 1954, com o disparo de um revólver calibre 32 no coração. Vargas suicidou-se em seu próprio quarto, no Palácio do Catete, na cidade do Rio de Janeiro, então capital federal.

Getúlio era chamado por seus simpatizantes de "pai dos pobres", por conta da legislação trabalhista e de políticas sociais adotadas sob seus governos. A sua doutrina e seu estilo político foram denominados de "getulismo" ou "varguismo", cuja uma das bases era o desenvolvimento nacional a partir de uma política de colaboração de classes. Os seus seguidores, até hoje existentes, são denominados "getulistas". Getúlio foi o único presidente que chegou ao poder por forma indireta e direta. Também foi o presidente que mais tempo permaneceu no cargo na história do Brasil.

Sua influência se estende até hoje, visto que muitas das instituições políticas, econômicas e sociais que criou, sob o comando direto da administração do Estado ou mediante regulação estatal, a exemplo da Vale, da Petrobás e da CLT, continuam a existir e operar em inúmeras áreas. Seu nome foi inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, em 15 de setembro de 2010, pela lei nº 12 326.

Getúlio Vargas nasceu em 19 de abril de 1882, no interior do Rio Grande do Sul, no município de São Borja (fronteira com a Argentina), filho de Manuel do Nascimento Vargas e de Cândida Francisca Dornelles Vargas. Na juventude, alterou documentos para reduzir a sua idade em um ano, fazendo constar o ano de nascimento como 1883. O objetivo dessa alteração foi se adequar à faixa etária exigida pelo Exército. Este fato somente foi descoberto nas comemorações do centenário de nascimento, quando, verificando-se os livros de registros de batismos da Paróquia de São Francisco de Borja, descobriu-se que Getúlio nasceu em 1882, constando no seu assento de batismo. A Revista do Globo, que fez uma série de entrevistas com Getúlio, em 1950, antes da campanha eleitoral, contou que Getúlio corrigiu os repórteres dizendo que nasceu em 1883.

Vargas provinha de uma família de estancieiros da zona rural da fronteira com a Argentina. A maior parte dos antepassados de Getúlio foram colonos portugueses do arquipélago dos Açores que emigraram para o Rio Grande do Sul, em meados do século XVIII. Vargas também descendia dos primeiros povoadores de São Paulo. Era descendente de Amador Bueno, personagem de destaque na história de São Paulo e patriarca de muitas famílias brasileiras, não apenas de São Paulo, mas também de Minas Gerais, Goiás e do Sul do Brasil. Uma vez na presidência, pesquisadores quiseram pesquisar sua árvore genealógica, com interesse especial dos condes de Vargas, na Espanha. Getúlio Vargas demonstrou falta de interesse no assunto. Relata-se que teria dito: "Nesta matéria de genealogia é melhor não aprofundar muito, porque às vezes pode-se ter a surpresa de acabar no mato ou na cozinha", fazendo referência a uma possível ascendência indígena ou africana. De fato, Vargas descendia remotamente de indígenas do século XVI, dentre os quais do cacique Piquerobi, líder tupiniquim. Uma genealogia detalhada de Getúlio Vargas foi escrita pelo genealogista Aurélio Porto, Getúlio Vargas à luz da Genealogia, publicada pelo Instituto Genealógico Brasileiro em 1943.

Getúlio durante sua vida, sempre se manteve ligado à principal atividade econômica dos pampas, a pecuária, e, assim iniciou seu discurso, em Uberaba, durante a campanha presidencial de 1950: "Quero que saibam que lhes vou dizer as coisas na linguagem simples de companheiro! Nossa conversa será no jeito e estilo daqueles que os fazendeiros costumam fazer de pé, junto à porteira do curral". Getúlio possuía, em 1950, três estâncias: Itu e Espinilho, em Itaqui, e a estância Santos Reis, em São Borja.

Em 1897, Getúlio se matricula no Ginásio Mineiro de Ouro Preto, cidade onde já estudavam seus irmãos Viriato e Protásio. Ali, Getúlio deveria frequentar o curso secundário por dois anos a fim de preparar-se para ingressar em uma insituição de ensino superior. Em 7 de junho de 1897, o estudante paulistano Carlos de Almeida Prado Júnior é baleado e morto em uma confusão com estudantes rio-grandenses, dentre os quais estava Getúlio, então com 15 anos. O principal suspeito passa a ser o irmão mais velho de Getúlio, Viriato. O caso, porém, é encerrado sem condenações. Este acontecimento precipita a volta de Getúlio e seus irmãos para o Rio Grande do Sul.

Em março de 1900, matricula-se na Escola Preparatória e de Tática de Rio Pardo. Em 1902 deixa a escola, solidarizando-se com colegas que haviam sido expulsos por um incidente disciplinar. Transfere-se para Porto Alegre, a fim de terminar o serviço militar, onde conhece os cadetes da Escola Militar de Porto Alegre Eurico Gaspar Dutra e Pedro Aurélio de Góis Monteiro. No começo de 1903, quando se preparava para deixar o Exército, surgiu uma ameaça de conflito armado entre o Brasil e a Bolívia, em decorrência da disputa pelo território do Acre. Apresentando-se à sua unidade, partiu em fevereiro para Corumbá, no então estado de Mato Grosso. Getúlio não chega a combater pois a Questão do Acre acaba sendo resolvida pela diplomacia do barão do Rio Branco e não pelas armas.

Em dezembro de 1903, após dar baixa do Exército, Getúlio ingressa na Faculdade Livre de Direito de Porto Alegre como aluno ouvinte. Em março de 1904, matricula-se no segundo ano da faculdade, após prestar exames das cadeiras que constituíam o primeiro ano do curso de direito. Na faculdade, revela-se discípulo fiel do castilhismo, seguindo assim a corrente política de sua família. Além do positivismo, que era a ideologia oficial do PRR, Getúlio foi influenciado por autores como Herbert Spencer, Charles Darwin, Saint-Simon e Émile Zola. Coube a Getúlio, que já se destacava como orador, fazer um discurso, em novembro de 1903, nos funerais de Júlio de Castilhos. Em 1906, Getúlio é escolhido orador dos estudantes da Faculdade de Direito na homenagem prestada ao presidente eleito Afonso Pena, quando de sua visita a Porto Alegre.

Em 1907, ingressa efetivamente na política partidária republicana. Nesse ano, uma dissidência do Partido Republicano Rio-grandense (PRR), descontente com o controle exercido por Borges de Medeiros sobre o estado e o partido, lançam a candidatura de Fernando Abbott, um médico, chefe do PRR em São Gabriel, para a presidência do Rio Grande do Sul. Borges de Medeiros, então governador pela segunda vez consecutiva, não concorreu à reeleição, indicando a candidatura de Carlos Barbosa Gonçalves.

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