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Guerra do Vietnã

Conflito da Guerra Fria no Sudeste Asiático de 1955 a 1975

7 min de leitura01/01/2024
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A Guerra do Vietnã (português brasileiro) ou Guerra do Vietname (português europeu) (em Vietnamita: Chiến tranh Việt Nam; em inglês: Vietnam War), também conhecida como Segunda Guerra da Indochina, chamada no Vietnã de Guerra de Resistência contra a América (em vietnamita: Kháng chiến chống Mỹ) ou simplesmente Guerra Americana, foi um grande conflito armado que aconteceu no Vietnã, Laos e Camboja de 1 de novembro de 1955 até a queda de Saigon em 30 de abril de 1975. Foi a segunda das Guerras da Indochina e foi oficialmente travada entre o Vietnã do Norte e o governo do Vietnã do Sul. O exército norte-vietnamita era apoiado pela União Soviética, China e outros aliados comunistas, enquanto os sul-vietnamitas eram apoiados pelos Estados Unidos, Coreia do Sul, Austrália, Tailândia, e outras nações anticomunistas pelo Mundo. Neste cenário, o conflito no Vietnã é descrito como uma guerra por procuração entre Estados Unidos e União Soviética no auge da Guerra Fria.

A Frente Nacional de Libertação, ou FNL (também conhecida como Viet Cong), uma organização comunista apoiada pelo Vietnã do Norte, travavam uma guerrilha contra o governo do Vietnã do Sul e outras forças anticomunistas da região, enquanto o exército norte-vietnamita (conhecido também pela sigla em inglês NVA) travava uma luta mais convencional, ocasionalmente travando grandes batalhas tradicionais. Conforme a guerra progredia, as ações militares dos guerrilheiros Viet Congs foram perdendo força, enquanto as tropas do NVA se engajavam mais. Os exércitos dos Estados Unidos e do Vietnã do Sul tinham, notavelmente, maior poder de fogo, apoiados principalmente por sua supremacia aérea e tecnológica, contando com operações de procurar e destruir (search and destroy), envolvendo maciças unidades terrestres e artilharia no Vietnã do Sul, e campanhas de bombardeio e ataques aéreos contra o Vietnã do Norte. No curso da guerra, os Estados Unidos conduziram sistemáticas campanhas de bombardeio estratégico contra cidades do Vietnã do Norte, causando enorme devastação.

O governo do Vietnã do Norte e os Viet Congs estavam lutando para unificar o país. Eles viam o conflito como parte de uma guerra colonial e uma continuação direta da Primeira Guerra da Indochina, contra as forças da França e depois dos Estados Unidos. Já os governos americano e sul-vietnamita lutavam para evitar que o Vietnã do Sul caísse no Bloco Oriental e se tornasse mais uma nação comunista. Isso fazia parte da chamada "teoria do dominó" e da mais abrangente política de contenção, com o objetivo final de deter o comunismo pelo mundo.

No começo da década de 1950, conselheiros militares americanos foram enviados para a então Indochina Francesa. O envolvimento dos Estados Unidos nos conflitos da região aumentou nos anos 1960, com o número de tropas estacionadas no Vietnã triplicando de tamanho em 1961 e de novo em 1962. Após o Incidente do Golfo de Tonkin, em 1964, quando um contratorpedeiro americano foi supostamente atacado por embarcações norte-vietnamitas, o Congresso dos Estados Unidos aprovou uma resolução que deu autorização ao presidente americano para aumentar a presença militar do país no Vietnã e escalar o conflito. Unidades de combate americanas começaram a chegar em peso no país em 1965. A guerra rapidamente se expandiu, atingindo o Laos e o Camboja, que passaram a ser intensamente bombardeados pela força aérea dos Estados Unidos a partir de 1968, o mesmo ano que os comunistas lançaram a grande Ofensiva do Tet. Esta ofensiva falhou no seu objetivo de derrubar o governo sul-vietnamita e iniciar uma revolução socialista por lá, mas é considerado o ponto de virada da guerra, já que a população americana passou a questionar se uma vitória militar seria possível, com o inimigo capaz de lançar grandes ataques mesmo após anos de derramamento de sangue. Havia uma grande disparidade entre o que a imprensa americana e o governo falavam, com os dados apresentados por ambos geralmente contrastando. Nos Estados Unidos e no Ocidente, a partir do final dos anos 1960, começou um forte sentimento de oposição à guerra como parte de um grande movimento de contracultura. A guerra mudou a dinâmica das relações entre os blocos Leste e Oeste, também alterando as divisões norte-sul do mundo.

A partir de 1969, os Estados Unidos começaram o processo de "Vietnamização", que visava melhorar a capacidade militar do Vietnã do Sul de lutar a guerra por si só, sem apoio externo. Os americanos esperavam assim poder reduzir sua participação no conflito sem ter que comprometer o objetivo estratégico máximo de impedir a expansão do comunismo na região, transferindo a responsabilidade de lutar para os próprios sul-vietnamitas. Assim, no começo dos anos 1970, os Estados Unidos começaram a retirar suas tropas do Vietnã. O que se seguiu, em janeiro de 1973, foi a assinatura do Acordos de Paz de Paris, porém isso não significou o fim das hostilidades.

Envolvimento militar americano direto na Guerra do Vietnã foi encerrado formalmente em 15 de agosto de 1973. Não demorou muito tempo e na primavera de 1975, os norte-vietnamitas iniciaram uma grande ofensiva para anexar o Sul de uma vez por todas. Em abril de 1975, Saigon foi conquistada pelos comunistas, marcando o fim da guerra, com o Norte e o Sul do Vietnã sendo formalmente unificados no ano seguinte. O custo em vidas da guerra foi extremamente alto. O total de vietnamitas mortos, civis ou militares, varia de 966 000 a 3,8 milhões. Entre 240 000 e 300 000 cambojanos, e 20 000 a 62 000 laocianos perderam a vida também. Já os americanos estimam suas perdas em 58 000 soldados mortos, mais de 300 mil feridos e 1 626 ainda desaparecidos em 1975. Para os Estados Unidos, a Guerra do Vietnã resultou numa das maiores confrontações armadas em que o país já se viu envolvido, e a derrota provocou a "Síndrome do Vietnã" em seus cidadãos e sua sociedade, causando profundos reflexos na sua cultura, na indústria cinematográfica e grande mudança na sua política exterior, até à eleição de Ronald Reagan, em 1980.

Vários nomes foram aplicados ao conflito. Guerra do Vietnã é o nome mais comumente usado. Também tem sido chamado de Segunda Guerra da Indochina e Conflito do Vietnã.

Como houve vários conflitos na Indochina, este conflito particular é conhecido pelos nomes de seus principais protagonistas para distingui-lo dos outros. Em vietnamita, a guerra é geralmente conhecida como Kháng chiến chống Mỹ (Guerra de Resistência Contra a América), mas menos formalmente como 'Cuộc chiến tranh Mỹ' (A Guerra Americana). É também chamado de Chiến tranh Việt Nam (A Guerra do Vietnã).

As principais organizações militares envolvidas na guerra foram, de um lado, o Exército da República do Vietnã (ARVN) e as Forças Armadas dos EUA, e, por outro lado, o Exército Popular do Vietnã (PAVN) (mais comumente chamado de Exército do Vietnã do Norte), e a Frente Nacional para a Libertação do Vietnã do Sul (FNL mais conhecido como Viet Cong em fontes da língua inglesa), uma força de guerrilha comunista do Vietnã do Sul.

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