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Império Inca

Império na América do Sul de 1438–1533

7 min de leitura01/01/2024
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Império Inca (em quíchua: Tawantinsuyu, lit. "quatro partes juntas") foi o maior império da América pré-colombiana. O centro administrativo, político e militar do império ficava na cidade de Cusco. A civilização inca surgiu nas terras altas do Peru em algum momento do início do século XIII. Seu último reduto foi conquistado pelos espanhóis em 1572.

De 1438 a 1533, os incas incorporaram grande parte do oeste da América do Sul, centrado na Cordilheira dos Andes, utilizando a conquista e a assimilação pacífica, entre outros métodos. Em sua maior parte, o império juntou o território do Peru, oeste do Equador, oeste e centro-sul da Bolívia, noroeste da Argentina, uma grande parte do que hoje é o Chile e a ponta mais sudoeste da Colômbia em um estado comparável aos impérios históricos da Eurásia. Sua língua oficial era o quíchua. Muitas formas locais de adoração persistiram no império, a maioria delas concernente às sagradas Huacas locais, mas a liderança inca encorajou a adoração de Inti — sua deidade solar — e impôs sua soberania sobre outros cultos como o de Pachamama. Os incas consideravam seu rei, o Sapa Inca, o "filho do sol".

O Império Inca foi único por não ter muitas das características associadas às civilizações no Velho Mundo. O antropólogo Gordon McEwan escreveu que os incas foram capazes de construir "um dos maiores Estados imperiais da história humana" sem o uso da roda, de animais de tração, conhecimento de ferro ou aço ou mesmo um sistema de escrita". As características notáveis do Império Inca incluem a sua monumental arquitetura, especialmente cantaria, sua extensa rede de estradas que atingia todos os cantos do império, seus tecidos sofisticados, seu uso de cordas atadas (quipu) para a manutenção de registros e comunicação, suas inovações agrícolas em um ambiente difícil e sua organização e gestão imperial.

O Império Inca funcionou em grande parte sem dinheiro e sem mercados. Em vez disso, a troca de bens e serviços era baseada na reciprocidade entre indivíduos, grupos e governantes incas. Os "impostos" consistiam em uma obrigação trabalhista de uma pessoa para com o império. Os governantes incas (que teoricamente possuíam todos os meios de produção) retribuíam concedendo acesso à terra e bens e fornecendo comida e bebida em festas comemorativas para seus súditos.

Os incas se referiam ao seu império como Tawantinsuyu, "os quatro suyu". Em quíchua, tawa é quatro e -ntin é um sufixo que designa um grupo, de modo que um tawantin é um quarteto, um grupo de quatro coisas juntas, neste caso os quatro suyu ("regiões" ou "províncias") cujos cantos se encontravam na capital. Os quatro suyu eram: Chinchaysuyu (norte), Antisuyu (leste; a selva amazônica), Qullasuyu (sul) e Kuntisuyu (oeste). O nome Tawantinsuyu era, portanto, um termo descritivo que indica uma união de províncias. O espanhol transliterou o nome como Tahuatinsuyo ou Tahuatinsuyu.

O termo Inka significa "governante" ou "senhor" em quíchua e era usado para se referir à classe dominante ou à família governante. Os incas em si compunham uma porcentagem muito pequena da população total do império, provavelmente numerando apenas 15 mil a 40 mil indivíduos, mas governando uma população de cerca de 10 milhões de pessoas. Os espanhóis adotaram o termo (transliterado como Inca em espanhol) para se referir a todos os súditos do império, ao invés de simplesmente à classe dominante. Como tal, o nome Imperio inca ("Império Inca") se referia à nação que eles encontraram e subsequentemente conquistaram.

O Império Inca foi o último capítulo de milhares de anos das civilizações andinas. A civilização andina foi uma das cinco civilizações do mundo consideradas pelos estudiosos como "intocada", ou seja, indígena e não derivada de outras civilizações.

O Império Inca foi precedido por dois impérios de grande escala nos Andes: o Tiwanaku (c. 300–1100), baseado em volta do Lago Titicaca e Tiauanaco-Huari (c. 600–1100) centrado perto da cidade de Ayacucho. Os huari ocuparam a área de Cuzco por cerca de 400 anos. Assim, muitas das características do Império Inca derivaram de culturas andinas multiétnicas e expansivas de eras anteriores.

Carl Troll argumentou que o desenvolvimento do Estado inca na região central dos Andes foi auxiliado por condições que permitem a elaboração do alimento básico chuño, que pode ser armazenado por longos períodos, já que é feito de batata desidratada nas temperaturas congelantes comuns nas noites das terras altas do sul do Peru. Essa ligação entre o Estado inca e o chuño pode ser questionada, já que a batata e outras safras, como o milho, também podem ser secas apenas com a luz solar. Troll também argumentou que as lhamas, o animal de carga dos incas, podem ser encontradas em maior número nesta mesma região. Vale a pena considerar que a extensão máxima do Império Inca coincidiu aproximadamente com a distribuição de lhamas e alpacas na América pré-hispânica. A ligação entre os biomas andinos de puna e páramo, o pastoralismo e o Estado inca é uma questão em estudo. Como um terceiro ponto, Troll apontou a tecnologia de irrigação como vantajosa para a construção do Estado inca. Enquanto Troll teorizava as influências ambientais no Império Inca, ele se opôs ao determinismo ambiental, argumentando que a cultura estava no cerne da civilização inca.

O povo inca era uma tribo pastoral na região de Cusco por volta do século XII. A história oral peruana conta a história da origem de três cavernas. A caverna central em Tampu T'uqu (Tambo Tocco) foi nomeada Qhapaq T'uqu ("nicho principal", também escrito Capac Tocco). As outras cavernas foram Maras T'uqu (Maras Tocco) e Sutiq T'uqu (Sutic Tocco). Quatro irmãos e quatro irmãs saíram da caverna do meio. Eles foram: Ayar Manco, Ayar Cachi, Ayar Awqa (Ayar Auca) e Ayar Uchu; e Mama Ocllo, Mama Raua, Mama Huaco e Mama Qura (Mama Cora). Das cavernas laterais vieram as pessoas que seriam os ancestrais de todos os clãs incas.

Ayar Manco carregava um bastão mágico feito do melhor ouro. Onde esse cajado pousasse, as pessoas viveriam. Eles viajaram por muito tempo. No caminho, Ayar Cachi se gabou de sua força e poder. Seus irmãos o enganaram para que voltasse à caverna para pegar uma lhama sagrada. Quando ele entrou na caverna, eles o prenderam para se livrar dele.

Ayar Uchu decidiu ficar no topo da caverna para observar o povo inca. No minuto em que ele proclamou isso, ele se transformou em pedra. Eles construíram um santuário ao redor da pedra e ela se tornou um objeto sagrado. Ayar Auca se cansou de tudo isso e decidiu viajar sozinho. Apenas ele e suas quatro irmãs permaneceram.

Finalmente, eles chegaram a Cusco. O cajado afundou no chão. Antes de chegarem, Mama Ocllo já havia dado à luz um filho de Ayar Manco, Sinchi Roca. Os povos que já moravam em Cusco lutaram muito para manter suas terras, mas Mama Huaca era uma boa lutadora. Quando o inimigo atacou, ela jogou sua boleadeira (várias pedras amarradas que giraram no ar quando atiradas) em um soldado (gualla) e o matou instantaneamente. Os outros povos ficaram com medo e fugiram.

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