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Império Português

Conjunto dos territórios ultramarinos administrados por Portugal (1415–1999)

7 min de leitura01/01/2024
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Império Português ou Império Colonial Português foi o primeiro império global da história, sendo considerado o mais antigo dos impérios coloniais europeus modernos e uma das hiperpotências mais antigas do mundo, abrangendo quase seis séculos de existência, a partir da Conquista de Ceuta, em 1415, até à devolução da soberania sobre Macau à China, em 1999. O império espalhou-se ao longo de um vasto número de territórios que hoje fazem parte de 53 países diferentes. É importante ressaltar que, seja durante o regime monárquico, seja durante o regime republicano, Portugal jamais se autodenominou oficialmente como um "império".

Marinheiros portugueses começaram a explorar a costa da África em 1419, utilizando os recentes desenvolvimentos em áreas como a navegação, a cartografia e a tecnologia marítima, como a caravela, com o objetivo de encontrar uma rota marítima para o lucrativo comércio de especiarias do oriente. Em 1488, Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança e, em 1498, Vasco da Gama chegou à Índia. Em 1500, Pedro Álvares Cabral chegou aos territórios na costa atlântica sul-americana, hoje parte do Brasil. Nas décadas seguintes, os marinheiros lusitanos continuaram a explorar o litoral e as ilhas do leste da Ásia, estabelecendo fortes e feitorias. Em 1571, uma série de postos avançados ligava Lisboa a Nagasáqui, no Japão, ao longo das costas da África, Médio Oriente, Índia e Ásia. Esta rede comercial trouxe grande riqueza para o Reino de Portugal.

Entre 1580 e 1640, o Reino de Portugal e o Império Espanhol compartilharam os mesmos reis, numa união pessoal das coroas dos dois países. Embora os dois impérios tenham continuado a ser administrados separadamente, as colónias portuguesas tornaram-se alvo de ataques de três potências europeias rivais e hostis à Espanha, que ambicionavam os sucessos ibéricos no exterior: a Holanda, a Grã-Bretanha e a França. Com uma população menor, Portugal não foi capaz de defender eficazmente a sua sobrecarregada rede de postos comerciais e o império começou a entrar num longo e gradual processo de declínio. Perdas significativas para os holandeses na Índia Portuguesa e no sudeste da Ásia durante o século XVII trouxeram fim ao monopólio do comércio português no Oceano Índico. O Brasil, que se havia tornado a colónia mais valiosa de Portugal, tornou-se independente em 1822, como parte de uma onda de movimentos independentistas que varreu a América no início do século XIX. O Império Português foi então reduzido às suas colónias no litoral africano (que foram expandidas para o interior durante a partilha de África, no final do século XIX), Timor-Leste e enclaves na Índia (Goa, Damão e Diu) e na China (Macau).

Após a Segunda Guerra Mundial, o então líder de Portugal, António Salazar, tentou manter intacto o que restava do império pluricontinental, num momento em que outros países europeus estavam já a iniciar a descolonização dos seus territórios. Em 1961, as tropas portuguesas em Goa foram incapazes de impedir o avanço das tropas indianas que marcharam para a colónia em número superior. Nesta década de 60 teve início a Guerra Colonial Portuguesa, a qual durou até à queda do regime português em 1974. O novo governo, instalado após a Revolução dos Cravos, imediatamente tornou lei o princípio de autodeterminação dos povos, mudando radicalmente a política abrindo a possibilidade de independência de todas as colónias, terminando de facto com o "império português". A exceção foi Macau, território devolvido à China somente em 1999, marcando simbolicamente, o fim do Império Português. Atualmente, os arquipélagos dos Açores e da Madeira são os únicos territórios ultramarinos que permanecem ligados politicamente a Portugal, ilhas que aquando descobertas não tinham habitantes nativos. A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é uma comunidade internacional lusófona de países ligados pela contínua partilha linguístico-cultural, iniciada nos tempos de descobrimentos e império.

A origem do Reino de Portugal está na Reconquista, a gradual reconquista da península Ibérica dos mouros. Depois de se estabelecer como um reino separado em 1139, Portugal completou a sua reconquista do território mouro ao chegar ao Algarve em 1249, mas a sua independência continuou a ser ameaçada pela vizinha Castela até à assinatura do Tratado de Ayllón em 1411.

Livre das ameaças à sua existência e não contestada pelas guerras travadas por outros estados europeus, a atenção portuguesa virou-se para o exterior e para uma expedição militar às terras muçulmanas do norte da África. Houve vários motivos prováveis ​​para o seu primeiro ataque, no Império Merínida. Ofereceu a oportunidade de continuar a cruzada cristã contra o Islão; para a classe militar, prometia glória no campo de batalha e nos despojos da guerra; e, finalmente, era também uma oportunidade para expandir o comércio português e enfrentar o declínio económico de Portugal.

Em 1415, um ataque foi feito em Ceuta, um enclave muçulmano norte-africano estrategicamente localizado ao longo do Mar Mediterrâneo, e um dos portos terminais dos comércios de ouro e escravos trans-saharianos. A conquista foi um sucesso militar e marcou um dos primeiros passos da expansão portuguesa para além da Península Ibérica, mas custou caro defender-se das forças muçulmanas que logo a sitiaram. Os portugueses foram incapazes de usá-lo como base para uma expansão adicional no interior e as caravanas transaarianas mudaram apenas as suas rotas para contornar Ceuta e / ou usar portos muçulmanos alternativos.

A tomada de Ceuta em 1415 e a descoberta das ilhas da Madeira em 1418 e dos Açores em 1427, territórios de colonização e exploração agropecuária, marcam o início da expansão territorial marítima portuguesa. Movidas de início pela busca de privilégios de fidalguia conquistados em batalha e, depois, pela iniciativa privada que buscava riqueza fora do território — conseguindo-a nas prósperas capitanias dos arquipélagos da Madeira e dos Açores — as viagens prosseguiram pela costa africana, cada vez mais para sul.

Os portugueses começaram por explorar sistematicamente a costa de África a partir de 1419, com o incentivo do Infante Henrique e navegadores experientes servidos pelos mais avançados desenvolvimentos náuticos e cartográficos da época, aperfeiçoando a caravela. Em 1471 chegaram ao Golfo da Guiné, onde em 1482 foi estabelecida a feitoria de São Jorge da Mina para apoiar um florescente comércio de ouro de aluvião. Partindo da Mina Diogo Cão estabelece o primeiro contacto com o Reino do Congo. Após sucessivas viagens exploratórias para sul, em 1488 Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança, entrando pela primeira vez no Oceano Índico a partir do Atlântico.

A chegada de Cristóvão Colombo à América em outubro de 1492 precipitou uma negociação entre João II e os Reis Católicos de Castela e Aragão. Como resultado foi assinado em 1494 o Tratado de Tordesilhas, dividindo o Mundo em duas áreas de exploração demarcadas por um meridiano situado entre as ilhas de Cabo Verde e as recém-descobertas Caraíbas: cabiam a Portugal as terras "descobertas e por descobrir" situadas a leste deste meridiano, e à Castela as terras que ficassem a oeste dessa linha.

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