Josef Stalin (ou Estaline; Gori, 18 de dezembro de 1878 – Moscou, 5 de março de 1953) foi um revolucionário comunista e político soviético de origem georgiana. Governou a União Soviética (URSS) de meados da década de 1920 até sua morte, servindo como Secretário-Geral do Partido Comunista de 1922 a 1952, e como primeiro-ministro de seu país de 1941 a 1953. Inicialmente presidindo um estado unipartidário que governava por um sistema de liderança coletiva, consolidou o poder tornando-se o ditador ou autocrata da União Soviética na década de 1930. Ideologicamente ligado à interpretação leninista do marxismo, ajudou a formalizar essas ideias como marxismo-leninismo, enquanto suas próprias políticas ficaram conhecidas como stalinismo.
Nascido em uma família georgiana pobre em Gori, Império Russo, iniciou sua carreira revolucionária após juntar-se ao Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR) quando jovem. Lá, editou o jornal do partido, o Pravda, e levantou fundos para a facção bolchevique de Vladimir Lenin por meio de roubos, sequestros e redes de proteção. Repetidamente preso, sofreu vários exílios na Sibéria. Depois que os bolcheviques tomaram o poder na Rússia durante a Revolução de Outubro de 1917, juntou-se ao comitê Politburo do partido. Serviu na Guerra Civil Russa antes de supervisionar a criação da União Soviética em 1922. Quando Lenin adoeceu e morreu em 1924, Stalin gradualmente assumiu a liderança do país. Durante seu governo, o "socialismo em um só país" tornou-se um princípio central dos dogmas do partido. Lançados pela primeira vez em 1928 para substituir a Nova Política Econômica de seu antecessor, seus planos quinquenais alcançaram a coletivização agrícola e uma rápida industrialização, criando uma economia de comando centralizada. As posteriores interrupções na produção de alimentos contribuíram para a fome entre 1932 e 1933, levando à morte ucranianos e outras nacionalidades soviéticas. Para erradicar potenciais opositores, seu governo instituiu o "Grande Expurgo", uma campanha de repressão política na qual mais de um milhão de pessoas foram presas e cerca de 700 mil executadas entre 1936 e 1938.
Sua política externa promoveu o marxismo-leninismo através da Internacional Comunista e apoiou movimentos antifascistas por toda a Europa durante a década de 1930, particularmente na Guerra Civil Espanhola. Em 1939, assinou um pacto de não agressão com a Alemanha Nazista, resultando em uma invasão da Polônia. A Alemanha encerrou o pacto invadindo a União Soviética em 1941. Apesar dos contratempos iniciais, o Exército Vermelho repeliu a incursão alemã e capturou Berlim em 1945, pondo fim à Segunda Guerra Mundial na Europa. Os soviéticos anexaram os estados bálticos e ajudaram a estabelecer governos alinhados em toda a Europa Central e Oriental, China e Coreia do Norte. A União Soviética e os Estados Unidos emergiram da guerra como as duas superpotências mundiais. Tensões surgiram entre o Bloco Oriental apoiado pelos soviéticos e o Bloco Ocidental apoiado pelos americanos, dando origem à Guerra Fria. Stalin conduziu seu país através da reconstrução no período pós-guerra, durante a qual desenvolveu uma arma nuclear em 1949. Nestes anos, o país experimentou outra grande fome e uma campanha antissemita que atingiu o auge no complô dos médicos. Stalin morreu em 1953 e acabou sendo sucedido por Nikita Khrushchov, que denunciou seu antecessor e iniciou um processo de desestalinização em toda a sociedade soviética.
Uma das figuras mais significativas do século XX, sua imagem foi tema de um culto à personalidade generalizado dentro do movimento marxista-leninista internacional, onde foi considerado um defensor do socialismo e da classe trabalhadora. Desde a dissolução da União Soviética em 1991, manteve popularidade na Rússia e na Geórgia como um líder vitorioso em tempos de guerra que estabeleceu a União Soviética como uma grande potência mundial. Por outro lado, seu regime foi amplamente descrito como totalitário e condenado por supervisionar repressões em massa, limpeza étnica, deportações, centenas de milhares de execuções e duas fomes que causaram a morte de milhões de pessoas.
Josef Stalin nasceu na cidade de Gori, na província russa de Tíflis (atual Geórgia), em 18 de dezembro de 1878. Era filho de Besarion Jughashvili e Ekaterine "Keke" Geladze, que se casaram em maio de 1872 e perderam dois filhos na infância antes de ele nascer. Eles eram georgianos e Stalin cresceu falando a língua local. Gori era parte do Império Russo e o lar de uma mistura de comunidades georgianas, armênias, russas e judias. Stalin foi batizado em 29 de dezembro. Foi apelidado de "Soso", um diminutivo de "Ioseb".
Besarion era um sapateiro que trabalhava na oficina de outro homem; inicialmente teve sucesso financeiro, mas logo entrou em declínio e a família se viu vivendo na pobreza. O pai tornou-se um alcoólatra e batia no filho e na esposa; esta por sua vez "o surrava impiedosamente". Ekaterine e Stalin deixaram a casa em 1883, e começaram uma vida errante, passando por nove diferentes quartos alugados em dez anos. Ambos mudaram-se em 1886 para a casa de um amigo da família, o padre Christopher Charkviani. Ela trabalhava como faxineira e lavadora de roupas para famílias locais; estava determinada a mandar o filho para a escola, algo que ninguém da família havia conseguido antes. No final de 1888, com 10 anos, Stalin foi matriculado na Escola da Igreja de Gori. Isso normalmente era reservado aos filhos do clero, embora Charkviani garantiu que o menino recebesse uma vaga. Stalin se destacou academicamente, exibindo talentos em aulas de pintura e teatro, escrevendo sua própria poesia e cantando como corista. Entrou em muitas lutas, e um amigo de infância notou que ele "era o melhor, mas também o mais mal comportado aluno" da turma. Enfrentou vários problemas graves de saúde; em 1884 contraiu varíola e ficou com cicatrizes na face. Aos 12 anos foi gravemente ferido após ser atingido por uma fáeton, o que foi a provável causa de uma incapacidade no braço esquerdo por toda a vida.
Por recomendação de seus professores, ingressou no Seminário Espiritual de Tíflis em agosto de 1894, graças a uma bolsa de estudos que lhe permitia estudar com mensalidades reduzidas. Ali, juntou-se a 600 seminaristas que ingressaram na instituição. Foi novamente bem-sucedido academicamente e obteve notas altas. Ele continuou escrevendo poesia; cinco de seus poemas foram publicados sob o pseudônimo de "Soselo" no jornal de Ilia Chavchavadze, Iveria ('Geórgia'). Tematicamente, eles tratavam de assuntos como natureza, terra e patriotismo. Segundo o historiador Simon Sebag Montefiore, tornaram-se "clássicos georgianos menores", e foram incluídos em várias antologias da poesia do país nos anos vindouros. Quando ficou mais velho, perdeu o interesse em seus estudos; suas notas caíram e ele foi repetidamente confinado a uma cela por comportamento rebelde. Os professores reclamavam que ele se declarava ateu, conversava na sala de aula e se recusava a tirar o chapéu para os monges.