Montezuma II (c. 1466 – 29 de junho de 1520) retroativamente referido em fontes europeias como Moctezuma II, e muitas vezes simplesmente chamado de Montezuma, foi o nono imperador do Império Asteca (também conhecido como Império Mexica), que reinou de 1502 ou 1503 até 1520. Através de seu casamento com a rainha Tlapalizquixochtzin de Ecatepec, uma de suas duas esposas, ele também foi o rei consorte daquele altepetl.
O primeiro contato entre as civilizações indígenas da Mesoamérica e os europeus ocorreu durante seu reinado. Ele foi morto nas fases iniciais da conquista espanhola do Império Asteca, quando Hernán Cortés, o conquistador espanhol, e seus homens tomaram a capital asteca de Tenochtitlán. Durante seu reinado, o Império Asteca atingiu sua maior extensão. Por meio de guerras, Moctezuma expandiu o território até o sul, alcançando Xoconosco, em Chiapas, e o Istmo de Tehuantepec, incorporando os povos zapotecas e yopis ao império. Ele modificou o sistema anterior de hierarquia social meritocrática e ampliou a divisão entre os pipiltin (nobres) e os macehualtin (plebeus), proibindo os plebeus de trabalharem nos palácios reais.
Embora outros dois governantes astecas tenham sucedido Moctezuma após sua morte, seus reinados foram de curta duração e o império rapidamente entrou em colapso sob eles. As representações históricas de Moctezuma foram em grande parte moldadas por seu papel como governante de uma nação derrotada, e muitas fontes o descreveram como fraco, supersticioso e indeciso. No entanto, os relatos de seus contemporâneos são divididos: alguns o retratam como um dos maiores líderes que o México já teve, um grande conquistador que fez o possível para manter sua nação unida em tempos de crise, enquanto outros o apresentam como um tirano que queria tomar o controle absoluto de todo o império. Os relatos sobre como ele morreu e quem foram os responsáveis (espanhóis ou nativos) divergem. Sua história permanece como uma das narrativas de conquista mais conhecidas da história do contato europeu com os povos nativos americanos, e ele já foi mencionado ou retratado em inúmeras obras de ficção histórica e da cultura popular.
Montezuma II era filho de Axayácatl e substituiu o seu tio Ahuitzotl como governante da cidade de Tenochtitlán. Sua personalidade era mais a de um literato (em nahátl, tlatimine) do que de um guerreiro. Era um sacerdote e chefe da Calmecac, a escola das classes superiores, e visto como um semideus.
Motecuhzoma II passou a maior parte de seu reinado consolidando seu poder nas terras conquistadas por seus antecessores. Em 1515, o exército asteca venceu o general Tlaxcala, Tlahuicole. Neste mesmo ano tentou novamente invadir as terras dos Purépechas mas não conseguiram tomar seus territórios pois novamente os astecas foram derrotados e tiveram que se retirar.
Motecuhzoma II instituiu novas reformas imperiais. Após a morte de Nezahualcoyotl, os imperadores astecas haviam-se tornado os governantes de facto da aliança. Motecuhzoma II usou seu reinado para se consolidar como um verdadeiro Imperador Asteca. Em 1502, depois de assumir o poder, removeu muitos dos conselheiros de Ahuitzotl executando vários deles e substituindo-os por ex-alunos seus. Ele também aboliu a classe dos quauhpilli, acabando com a possibilidade de algum plebeu chegar a nobreza.
Para se distanciar das pessoas comuns criou um elaborado ritual, que intriga os estudiosos. Criou um templo especial, dedicado aos deuses das cidades conquistadas, no interior do templo de Huitzilopochtli. Durante seu reinado, ele aumentou o poder da cidade de Tenochtitlán para, posteriormente, dominar as cidades irmãs de Texcoco e Tlatelolco.
Os seus esforços de reforma foram interrompidos pela conquista espanhola em 1519. O seu reinado ficou marcado por duas rebeliões de tribos conquistadas, mas preocupou-se pouco em apaziguá-las e entregou-se largamente ao aspecto religioso do seu estado. Muito versado nas lendas tradicionais, ao receber a notícia do desembarque de Hernán Cortés, convenceu-se de que o deus Quetzalcoátl tinha regressado, conforme este profetizara nas lendas Toltecas, para destruir os povos mexicanos. Este deus, que havia prometido voltar, era um homem de barba… E assim também era Cortés.
Na Primavera de 1519, ele recebeu as primeiras notícias de estranhos chegando à costa de seu império. Montezuma enviou um embaixador com duas roupas, uma do Deus Tlaloc, e outra do Deus Quetzalcoatl. Cada um destes deuses astecas tinha seus atributos: Tlaloc tinha uma máscara que fazia parecer que usasse óculos; já Quezalcoatl tinha uma máscara com uma barba. O embaixador asteca, ao ver o espanhol Hernán Cortés, achou que o conquistador tinha os atributos de Quezalcoatl, e vestiu-o como o deus. Em seguida, informou Montezuma a respeito. Cortés decidiu marchar até Tenochtitlán. Montezuma tentou evitar sua aproximação mandando mais presentes, mas a ambição por ouro era irresistível para os espanhóis. Momtezuma também enviou mágicos, sacerdotes, e mesmo um de seus embaixadores, Tzihuacpopoca, que fingiu ser o imperador. Montezuma enviou ainda mais presentes quando Cortés se aproximou de Tenochtitlán. O contador do reino asteca registrou:
- Eles deram aos espanhóis peças de ouro, penas da ave quetzal e gargantilhas de ouro. E quando lhes deram isso, suas faces eram de sorrisos, eles (os espanhóis) estavam maravilhados(…).
A 8 de Novembro de 1519, Montezuma encontrou Hernán Cortés, a quem acreditava ser o deus Quetzalcoatl. Quando Cortés chegou em Tenochtitlán, Montezuma presenteou-o com flores de seu próprio jardim, que era a mais alta honraria que poderia oferecer. Cortés ordenou-lhe que suspendesse todos os sacrifícios humanos: Montezuma concordou, o sangue do templo foi lavado, e as imagens dos deuses astecas foram substituídas por ícones do cristianismo. Montezuma até mesmo concordou em ser batizado e declarou-se um súdito do rei Carlos I de Espanha. Montezuma recebeu Cortés no palácio de Axayacatl com todos os seus homens e 3 mil indígenas aliados.
Depois de ficarem em Tenochtitlán durante seis semanas, houve uma desavença entre os soldados com um asteca chamado Quetzalpopoca. Cortés usou o incidente como uma desculpa para fazer tomar Motecuhzoma como prisioneiro. Durante vários meses, Motecuhzoma continuou prisioneiro de Cortés. Então, em 1520, uma expedição de espanhóis sob o comando do Pánfilo de Narváez foi enviada por Diego Velásquez, com o objetivo de prender Cortés por traição. Antes de enfrentar Narváez, Cortés secretamente persuadiu os tenentes de Narváez a traí-lo e se aliarem a Cortés.
Enquanto Cortés estava longe de Tenochtitlan lidando com Narváez, seu segundo em comando Pedro de Alvarado massacrou um grupo de nobres astecas em resposta a um ritual de sacrifício humano em honra ao deus Huitzilopochtli. Os astecas retaliaram atacando o palácio onde os espanhóis foram esquartejados. Cortés voltou a Tenochtitlan e abriu caminho ao palácio. Ele então levou Motecuhzoma até o telhado do palácio para pedir a seus súditos que se retirassem. No entanto, nesta altura, o conselho governante de Tenochtitlan votara a deposição de Motecuhzoma e elegera seu irmão Cuitlahuac como o novo imperador. Um dos soldados astecas atingiu Motecuhzoma na cabeça com uma pedra, e este morreu alguns dias depois - embora os detalhes exatos de sua morte, em particular, quem foi o responsável, não são claras.
