misterios

Sudário de Turim

Pano com a suposta imagem de Jesus

7 min de leitura01/01/2024
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O Sudário de Turim (em italiano: Sindone di Torino) ou Santo Sudário (em italiano: Sacra Sindone [ˈsaːkra ˈsindone] ou Santa Sindone) é um pedaço de pano de linho com o negativo da imagem de um homem. Alguns descrevem a imagem como representando Jesus de Nazaré e acreditam que o tecido é o mortalha fúnebre no qual ele foi envolto após a crucificação.

Mencionado pela primeira vez em 1354, o sudário foi denunciado em 1389 pelo bispo de Troyes como sendo falso. Atualmente a Igreja Católica não endossa nem rejeita formalmente o sudário e, em 2013, o Papa Francisco referiu-se a ele como um "ícone de um homem flagelado e crucificado". O sudário é guardado na capela real do Catedral de Turim, no norte da Itália, desde 1578.

Em 1988, a datação por radiocarbono por três laboratórios diferentes estabeleceu que o material de linho do sudário foi produzido entre os anos 1260 e 1390 (para um nível de confiança de 95%). Os defensores da autenticidade do sudário questionaram esses resultados, geralmente com base no fato de que as amostras testadas podem ter sido contaminadas ou retiradas de um reparo no tecido original. Essas teorias marginais foram refutadas por especialistas em datação por carbono e outros com base em evidências do próprio sudário, incluindo a teoria do reparo medieval, as teorias da biocontaminação e a teoria do carbono teoria do monóxido. Embora aceito como válido por especialistas, a datação por carbono do sudário continua a gerar um debate público significativo. A natureza e a história do sudário têm sido objeto de extensas e duradouras controvérsias tanto na literatura acadêmica quanto na imprensa popular.

A imagem no sudário é muito mais clara em preto e branco negativo — observado pela primeira vez em 1898 — do que em sua cor sépia natural. Vários métodos têm sido propostos para a formação da imagem, mas o método real utilizado ainda não foi identificado de forma conclusiva. O sudário continua a ser intensamente estudado e permanece uma questão controversa entre cientistas e estudiosos bíblicos. O Sudário está guardado na Catedral de Turim, na Itália, desde o século XIV. Pertenceu desde 1357 à casa de Saboia que em 1983 o doou ao Vaticano. A peça é raramente exibida em público, sendo que a última grande exposição, feita em 2010, atraiu mais de dois milhões de fiéis.

O sudário é uma peça rectangular de linho com cerca de 4,5 metros de comprimento e 1,1 de largura. O tecido apresenta a imagem de um homem de 1,80m de altura que parece ter sido crucificado, com feridas consistentes com as que Jesus sofreu antes de sua crucificação no relato bíblico.

O sudário é um dos acheiropoieta (grego medieval: "não feito pelas mãos") e vários cristãos acreditam que seja o tecido que cobriu o corpo de Jesus após sua morte. A imagem no manto é em realidade muito mais nítida na impressão branca e negra do negativo fotográfico que em sua coloração natural. A imagem do negativo fotográfico do manto foi vista pela primeira vez na noite de 28 de maio de 1898 através da chapa inversa feita pelo fotógrafo amador Secondo Pia que recebeu a permissão para fotografá-lo durante a sua exibição na Catedral de Turim.

A origem da peça conhecida como Santo Sudário tem sido objeto de grande polémica. Para descrever seu estudo geral, os pesquisadores cunharam o termo "sindonologia", do grego σινδών—sindon, a palavra usada no Evangelho segundo Marcos para descrever o tipo de tecido comprado por José de Arimateia para usar como mortalha de Jesus.

A 28 de maio de 1898, o fotógrafo italiano Secondo Pia tirou a primeira fotografia ao sudário e constatou que o negativo da fotografia assemelhava-se a uma imagem positiva do homem, o que significava que a imagem do sudário era, em si, um negativo.

As primeiras referências a um possível sudário surgem na própria Bíblia. O Evangelho segundo Mateus (Mateus 27:59) relata que José de Arimateia envolveu o corpo de Jesus com um pano de linho limpo. O Evangelho segundo João (João 19:38–40) também descreve o evento, e relata que os apóstolos Pedro e João, ao visitar o túmulo de Jesus após a ressurreição, encontraram os lençóis dobrados (João 20:6–7). Embora depois desta descrição evangélica o sudário só tenha feito sua aparição definitiva no século XIV, para não mais ser perdido de vista, existem alguns relatos anteriores que contêm indicações consistentes sobre a existência de um tal tecido em tempos mais antigos.

A primeira menção não evangélica a ele data de 544, quando um pedaço de tecido mostrando uma face que se acreditou ser a de Jesus foi encontrado escondido sob uma ponte em Edessa. Suas primeiras descrições mencionam um pedaço de pano quadrado, mostrando apenas a face, mas João Damasceno, em sua obra anti-iconoclasta "Sobre as Imagens Sagradas", falando sobre a mesma relíquia, a descreve como uma faixa comprida de tecido, embora afirmasse que se tratava de uma imagem transferida para o pano quando Jesus ainda estava vivo, isto é, não seria uma mortalha, mas sim um tecido que esteve em contato com Cristo ainda vivo (veja Imagem de Edessa).

Em 944, quando esta peça foi transferida para Constantinopla, Gregorius Referendarius, arquidiácono da basílica de Santa Sofia pregou um sermão sobre o artefato, que foi dado como perdido até ser redescoberto em 1004 num manuscrito dos arquivos do Vaticano. Neste sermão é feita uma descrição do sudário de Edessa como contendo não só a face, mas uma imagem de corpo inteiro, e cita a presença de manchas de sangue. Outra fonte é o Codex Vossianus Latinus, também no Vaticano, que se refere ao sudário de Edessa como sendo uma impressão de corpo inteiro.

Outra evidência é uma gravura incluída no chamado Manuscrito Húngaro de Preces, datado de 1192, onde a figura mostra o corpo de Jesus sendo preparado para o sepultamento, numa posição consistente com a imagem impressa no sudário de Turim.

Em 1203, o cruzado Roberto de Clari afirmou ter visto o sudário em Constantinopla nos seguintes termos: Lá estava o sudário em que nosso Senhor foi envolto, e que a cada quinta-feira é exposto de modo que todos possam ver a imagem de nosso Senhor nele. Seguindo-se ao saque de Constantinopla, em 1204, Teodoro Ângelo, sobrinho de um dos três imperadores bizantinos, escreveu uma carta de protesto ao papa Inocêncio III, onde menciona o roubo de riquezas e relíquias sagradas da capital pelos cruzados, e dizendo que as jóias ficaram com os venezianos e relíquias haviam sido divididas entre os "francos", citando explicitamente o sudário, que segundo ele havia sido levado para Atenas nesta época.

Dali, a partir de testemunhos de época de Godofredo de Villehardouin e do mesmo Roberto de Clari, o sudário teria sido tomado por Otão de la Roche, que se tornou Duque de Atenas. Segundo a pesquisadora italiana Barbara Frale, os templários teriam mantido o sudário por um século em sua posse e o levaram à França. Ainda há controvérsia se a Imagem de Edessa (chamado Mandílio) seria o mesmo de Turim, em vista de referências que indicariam sua presença em Constantinopla até 1362, cinco anos após sua aparição no Ocidente.

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