Ámeda-Sion, Amda Seyon I (também Amde Tsiyon, Amde Tseyon, Amde Tsion e outras variantes, gueês: ዐምደ ፡ ጽዮን translit.: ʿAmdä Ṣǝyon, amárico: āmde ṣiyōn, "Pilar do Sião") foi Imperador da Etiópia (nəgusä nägäst) (1314 – 1344). Seu nome de trono era Gabra Masgal (gueês: ገብረ ፡ መስቀል translit.: gabra masḳal, amárico: gebre mesḳel, "escravo da cruz") e era membro da dinastia salomónica. De acordo com o especialista britânico em Etiópia, Edward Ullendorff, "Ámeda-Sion foi um dos reis etíopes mais destacados de qualquer época e uma figura singular que dominava o Corno da África no século XIV". Suas conquistas sobre as fronteiras muçulmanas expandiram bastante o território etíope e seu poder na região, mantido por séculos após sua morte. Ámeda-Sion afirmou a força da dinastia Salomônica recém-instalada (1270) e, portanto, a legitimou.
Ámeda-Sion foi filho de Uidim-Reade (8º Negus da dinastia salomónica) e neto de Iecuno-Amelaque (fundador da dinastia). Ámeda-Sion substituiu seu pai como imperador em 1134. Os primeiros anos de seu reinado foi devotado a guerras contra os muçulmanos do sudoeste da Etiópia. Em torno de 1320 voltou sua atenção para o norte da Etiópia, particularmente para a região do Tigré para os arredores da antiga capital do Império de Axum, onde a reivindicação de sua dinastia de ser os sucessores legítimos dos reis salomônicos de Axum não havia sido aceita.
O exército de Ámeda-Sion foi notavelmente semelhante à organização do exército durante os tempos do antigo Império Axumita. Consistia de dois contingentes: a) o exército regular, era muito eficaz e estava intimamente ligada à corte real; b) um corpo de milícias regionais das principais províncias cristãs, que poderiam ser divididas em unidades menores, cada uma chefiada por um governante local. Embora essas unidades locais estivessem fora do controle direto de Ámeda-Sion e sim através de seus vassalos, estas milicias aumentaram em muito o poder das forças etíope até a conquista da Abissínia (Futuh al-Habash) por Amade ibne Ibraim Algazi no século XVI.
O exército central era dividido em regimentos independentes, cada um com seu próprio nome especializado, como Queste-Nib' (Ferroada de Abelha), Harebe Gonda (ponta de lança), Técula (Chacal), Sauariana Asaiefett (espadachins) Sauariana Mambar (apoiadores do trono), Sauarjana Negedré (escudeiros), Sauarjana Uarmate Abiã (portadores de armas grandes). Os regimentos eram liderados por comandantes leais diretamente ligados a Ámeda-Sion. Seu próprio filho, Saífa Arade, comandava uma dessas divisões, assim como o cunhado de Ámeda-Sion.
Entre 1316 e 1317, o imperador Ámeda-Sion empreendeu suas primeiras campanhas contra o reino pagão de Damote e o Sultanato muçulmano de Hadia. A nota descreve sua conquista primeiro sobre Damote, cujo povo exilou para outra área, e depois Hadia, em 1316 que fez o mesmo. Embora seu controle inicial dessas regiões fosse mínimo, é evidente em 1329 (ou 1332) Hadia foi totalmente integrado, fornecendo tropas para suas campanhas de 1332 contra o Sultanato de Ifate. O rei de Hadia, Amano, se recusou a visitar o imperador e prestar sua homenagem, incentivada por um profeta das trevas muçulmano chamado Belam. De acordo com a Crônica do Imperador, Belam disse-lhe para se rebelar:
Não se alie ao rei de Sion [ou seja, ao Imperador]. Não lhe dê presentes: se ele vier contra você, não tenha medo dele, pois será entregue em suas mãos e você fará com que pereça junto com seu exército.
Ámeda-Sion ficou furioso, invadiu Hadia matando muitas pessoas, além de prender Amano junto com muitos de seus súditos. Belam, no entanto, conseguiu escapar, fugindo para Ifate. Essas conquistas representaram um avanço significativo do objetivo final de Ámeda-Sion de controlar o comércio interno anteriormente controlado pelos muçulmanos em Ifate e mais a leste. A conquista de Hadia afetou profundamente o comércio de escravos e, consequentemente, prejudicou o comércio e a riqueza das províncias muçulmanas orientais. Pela primeira vez, a presença muçulmana na região foi ameaçada, o que mais tarde resultou em alianças entre as províncias muçulmanas (que freqüentemente se rebelavam) quando elas agiam anteriormente de forma mais independente uma da outra.
No mesmo ano em que suas campanhas contra as regiões sulistas de Damote e Hadia, Ámeda-Sion também fez campanha contra a província mais ao norte de Gojjam.
Depois de suas campanhas de 1316/ 1317 no sul, Ámeda-Sion teve que se voltar para o norte para fortalecer seu controle sobre áreas que ganharam mais autonomia. A província de Enderta, no norte do Tigré, vinha afirmando cada vez mais sua independência desde a restauração salomônica sob Iecuno-Amelaque, em 1270. Durante essa época, o governador de Enderta era Ingida Iguezi, que foi sucedido por seu filho, Tesfane Iguezi. Tesfane tinha o maior poder entre as províncias do norte e detinha o título Hasgua e Acabé Sensem (um antigo título axumita) e ameaçava a linhagem que estava no poder que tinha como base a região de Amara. Em 1305, Tesfane se referia a Enderta como "seu reino", seu filho e sucessor, Iaibica Iguezi, nem sequer mencionou o Imperador em sua concessão de terras em 1318-1319.
Iaibica se rebelou, sem sucesso convidando o governador de Tembiém para se juntar a ele. Ámeda-Sion respondeu rapidamente, matando o governador, dividindo os títulos e concedendo-os a diferentes indivíduos de origem humilde. Para consolidar seu controle na região, Ámeda-Sion estabeleceu uma colônia militar formada por tropas que não pertenciam a região em Amba Senaiata, o centro da rebelião, e nomeou sua rainha consorte que tinha sua origem na região, Bilém-Sabá, como governador de Enderta, juntamente com todo um escalão de funcionários abaixo dela.
A rainha governou indiretamente, no entanto, o que causou algum ressentimento na província, induzindo o imperador a nomear um de seus filhos, Bar-Seguede, como governador, que mais tarde em 1328 também recebeu o controle das províncias marítimas sob o título de Maiquelê Bar ("Entre os rios / mares").
Em 1329, o Imperador fez campanha nas províncias do norte de Semiem, Uegera, Selemete e Seguede, nas quais muitos estavam se convertendo ao judaísmo e onde o Beta Israel ganhava destaque.
Ámeda-Sion também desconfiava do poder muçulmano ao longo da costa do Mar Vermelho e, portanto, seguiu para a área norte da província de Tigré, onde teria insuflado os habitantes da região com a frase: "Eu, rei Ámeda-Sion, fui para o mar da Eritreia. Cheguei lá, montei em um elefante e entrei no mar. Peguei minha flecha e lanças, matei meus inimigos e salvei meu povo. "
Por volta de 1320, o sultão Anácer Maomé do Sultanato Mameluco do Cairo começou a perseguir os coptas e a destruir suas igrejas. Ámeda-Sion enviou posteriormente uma missão ao Cairo em 1321-1322, ameaçando retaliar os muçulmanos em seu reino e desviar o curso do Nilo se o sultão não encerrasse sua perseguição. Como resultado da disputa e das ameaças, Haquedim, governador de Ifate, se aliou ao sultão e prendeu um membro da delegação enviada pelo imperador chamado Tintai ao voltar do Cairo. Haquedim tentou converter Tintai, matando-o quando isso falhou. Ámeda-Sion respondeu invadindo Ifate destruindo a capital da província e levando grande parte de sua riqueza. Ámeda-Sion continuou suas represálias por todas as suas províncias muçulmanas, pilhando Cuelgoré, Beculzar, Gidaié, Cubete, Fedsé Quedsé, Hargaie (as últimas cinca províncias ainda não identificadas) e Xoa, então habitada principalmente por muçulmanos da etnia Uerji, pegando gado, matando muitos habitantes, destruindo cidades e prisioneiros, que mais tarde foram assimilados.
Como resultado das represálias de Ámeda-Sion, outras províncias muçulmanas se rebelaram, vendo que o exército do Negus se enfraqueceu com as longas campanhas. O povo de Gebel (ou Uerji, hoje chamado Uorji), supostamente "muito habilidoso em guerra", subsequentemente se revoltou e pilhou algumas regiões cristãs. Os povos de Medra Zega e Manzi (da antiga província de Menz), então muçulmanos, também se revoltaram, cercando e atacando o Imperador, que os derrotou e matou seu comandante Dedadir, filho de Haquedim.