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Élia Pulquéria

Élia Pulquéria (em latim: Aelia Pulcheria; 19 de janeiro de 399 — 453) foi uma imperatriz-consorte romana do oriente, es

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Élia Pulquéria (em latim: Aelia Pulcheria; 19 de janeiro de 399 — 453) foi uma imperatriz-consorte romana do oriente, esposa do imperador Marciano. Ela era a segunda filha do imperador Arcádio e de sua esposa Élia Eudóxia, irmã de Flacila, que nasceu em 397 e que acredita-se ter morrido jovem. Pulquéria era ainda irmã de Arcádia, nascida em 400, Teodósio, que seria imperador, e Marina, ambos nascidos em 401.

Quando seu pai faleceu, em 408, seu irmão foi elevado ao trono no Império Romano do Oriente como Teodósio II aos sete anos de idade. Em 4 de julho de 414, Pulquéria, então com quinze anos, foi proclamada regente do irmão, que tinha treze, se auto-proclamou augusta e imperatriz romana do oriente. De acordo com o historiador Sozomeno em sua "História Eclesiástica", Pulquéria fez um voto de virgindade quando se tornou augusta e suas irmãs a seguiram. Teodósio II morreu em 26 de julho de 450 e Pulquéria se casou com Marciano em 25 de novembro do mesmo ano. Ele e a imperatriz foram proclamados imperador e imperatriz do Império Romano do Oriente. Três anos mais tarde, no mês de julho, Pulquéria faleceu. Ela foi posteriormente proclamada santa pela Igreja, sendo comemorada no dia 10 de setembro.

Pulquéria é conhecida por ter sido muito poderosa durante o reinado do irmão como imperador. Ela também era bastante influente nos assuntos da igreja e nas práticas teológicas de sua época, incluindo políticas contra o paganismo romano, a construção de igrejas e o debate sobre o título mariano de Teótoco ("Mãe de Deus"), que inflamou a controvérsia nestoriana e culminou no Primeiro Concílio de Éfeso em 431.

Pulquéria nasceu na Casa real de Teódosio, uma dinastia do final do Império Romano que governava em Constantinopla. Como Pulquéria, sua era também muito poderosa e exercia grande influência sobre a igreja, mas não tanto quanto a filha um dia. O reinado de Arcádio foi marcado pelo conflito entre sua esposa e o arcebispo de Constantinopla, João Crisóstomo, entre 398 e 404. Sozomeno alega que muito da rivalidade se baseava numa estátua decorada feita para homenagear Eudóxia e que Crisóstomo condenou: "A estátua de prata da imperatriz...foi colocada numa coluna de pórfiro e o evento foi celebrado com ruidosas aclamações, danças, jogos e outras manifestações de alegria públicas...João declarou que tudo isto desonrava a igreja". Ainda de acordo com ele, João também condenou a imperatriz pelo estilo grandioso de seu governo durante seus sermões na igreja, o que enfureceu Eudóxia e terminou com a expulsão do patriarca. Posteriormente, Pulquéria traria de volta os restos de Crisóstomo e os transformou em relíquias para igreja como forma de agradecer-lhe postumamente por sua vida piedosa. Eudóxia morreu em 404 e Arcádio, em 408. O imperador deixou quatro filhos, inclusive o jovem Teodósio, que tinha sete anos de idade. O menino foi feito imperador imediatamente após a morte do pai e dois prefeitos pretorianos foram selecionados como regentes, um chamado Antêmio e outro, Antíoco. Seis anos depois, a própria Pulquéria assumiria a função.

Em 412, Pulquéria convenceu o irmão a dispensar Antíoco, que servira lealmente como regente até então, e se encarregou pessoalmente da família imperial. Logo em seguida, o palácio passou a ter um clima mais monástico do que antes, quando era dirigido pela mãe. Sozomeno descreve a vida piedosa de Pulquéria e das irmãs da seguinte forma: "Elas perseguiam o mesmo modo de vida; elas eram assíduas em suas idas à igreja e dedicavam muita caridade a estranhos e pobres... e passavam os dias e as noites juntas, cantando e louvando a Deus". Os rituais no palácio também incluíam cantos e a recitação de passagens das escrituras, além de jejuns duas vezes por semana. As irmãs eram conhecidas por terem se livrado das jóias e roupas luxuosas usadas pela maioria das mulheres da corte imperial no passado. Pulquéria também se encarregou de dar todo o treinamento necessário para que Teodósio se tornasse um imperador de sucesso quando tivesse idade. A influência da irmã era tão profunda que ela pode ser considerada uma co-regente do império até a sua morte em 453. O treinamento de Pulquéria incluía "...como um imperador deveria andar, cavalgar, sozinhou ou em procissão; como ele deveria se sentar no trono: como ele deveria vestir sua armadura e vestes imperiais; e como falar com dignidade. De forma nenhuma ele deveria rir alto...". Pulquéria treinou o irmão não apenas nas habilidades imperiais, mas também o ensinou como ser um líder cristão piedoso. Quando Teodósio finalmente alcançou a maioridade, ele, segundo muitos historiadores, ignorou tudo o que aprendeu da irmã. "Ele era naturalmente gentil, afável e fácil de lidar.. Ele não era apenas tolo; ele era descuidado e geralmente negligenciava seus deveres na administração do império". Esta falta de poder exemplificado por Teodósio levou Pulquéria a ter um papel de autoridade e influência muito maior do que se esperaria na gestão do império.

Na mesma época que Pulquéria se auto-proclamou guardiã do irmão, ela também fez um voto de castidade juntamente com as irmãs. A razão pode ter sido sua virtude profundamente espiritual, como conta o relato de Sozomeno: "Ela dedicou sua virgindade a Deus e instruiu as irmãs a fazerem o mesmo. Para evitarem o escândalo e oportunidades de intriga, ela proibiu a entrada de homens em seu palácio. Confirmando sua resolução, ela tomou Deus, os sacerdotes e todos os súdios do Império Romano como testemunhas...". Outro também descreveu a sua profunda piedade. O papa Leão I, um contemporâneo de Pulquéria, escreveu para a imperatriz elogiando-a por seus hábitos religiosos e pelo desprezo que ela tinha pela heresia. É possível também que Pulquéria possa ter tido outros motivos para fazer o voto. De acordo com Sozomeno, Sócrates Escolástico e Teodoreto, a imperatriz tinha um grande desprezo por Antêmio, o antigo guardião de Teodósio e a razão pode ter sido o desgosto que ele tinha pelo imenso poder que ela detinha nos assuntos do império e a relutância dela em permitir que ele conquistasse mais poder na corte imperial. Um historiador mais recente, Kenneth Holm, afirma que Antêmio teria tentado criar laços familiares entre ele e a família imperial. Pulquéria então se viu numa posição onde ela poderia ter entregado o poder para um potencial marido, pois quando uma mulher na corte se casava, ela entregava ao marido tudo o que tinha. Assim, para que ela pudesse manter seu poder na corte romana, ela não poderia se casar.

Em 414, o senado concedeu o título de augusta a Pulquéria. A partir daí, a imperatriz passou a deter ainda mais poder e, mesmo sendo uma mulher, era tratada como igual por outros homens poderosos da época. No senado em Constantinopla estava um busto em sua homenagem juntamente com o de outros augusti.

Muitos eventos importantes ocorreram durante o seu período como augusta e o reinado de seu irmão como imperador; porém, a influência de Pulquéria foi utilizada principalmente nos assuntos da Igreja. Ela e o irmão eram conhecidos por sua aversão aos judeus e ambos começaram a proclamar leis contra o judaismo na cidade de Constantinopla. Antes do reinado de Teodósio II, sinagogas existiam em propriedades privadas e eram protegidas pelo governo. O novo imperador então proibiu a construção delas e exigiu a destruição de todas as que já existiam. Pulquéria e Teodósio também ordenaram que um grupo de judeus fosse executado após uma altercação com cristãos na Palestina. Diz Kenneth Holum que "Pulquéria há muito tinha um ódio especial pelos judeus e pela heresia nestoriana que parecia, na época, ser de origem judaica.".

Por outro lado, ela era também conhecida por suas atividades filantrópicas também. A imperatriz construiu muitas igrejas na capital e nas redondezas, além de diversos edifícios para os pobres da cidade. Segundo Sozomeno, "tomaria muito tempo descrever todas as igrejas que Pulquéria construiu, e também os hospitais e pousadas para os pobres". Seus projetos foram tão vastos em Constantinopla que um distrito inteiro foi batizado em sua homenagem, o Pulcherianai. Além disso, Pulquéria também contribuiu significativamente para a igreja. O papa Leão I descreve as contribuições da imperatriz em uma carta para ela, "...toda a Igreja Romana lhe é muito grata por todas as obras de tua fé, seja por ajudar nossos enviados em todas as formas com devotada afeição ou por ter trazido de volta os bispos católicos que foram expulsos de suas igrejas por sentenças injustas ou ainda por ter trazido de volta para a igreja que ele tão bem governou, com a honra adequada, os restos de Flaviano, de sagrada memória, um inocente e um bispo católico".

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