Aécio Neves da Cunha (Belo Horizonte, 10 de março de 1960) é um economista e político brasileiro filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Foi governador de Minas Gerais, de 2003 a 2010, e senador pelo mesmo estado entre 2011 e 2019. Atualmente, é deputado federal por Minas Gerais.
Natural de Belo Horizonte, Aécio é graduado em economia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). É neto do ex-presidente Tancredo Neves, com quem adquiriu suas primeiras experiências políticas. Em 1987, iniciou o seu primeiro mandato como deputado federal pelo estado de Minas Gerais, exercendo o cargo até 2002, totalizando quatro mandatos e presidiu a Câmara dos Deputados no biênio de 2001–2002.
Aécio foi eleito governador de Minas Gerais em 2002, sendo reeleito em 2006 como o mais votado da história de Minas Gerais. Renunciou ao cargo em março de 2010 para concorrer ao Senado, elegendo-se ao cargo novamente com a maior votação da história. Escolhido em 2013 para presidir o PSDB, foi o candidato do partido à Presidência da República em 2014, tendo como principais adversários a candidata a reeleição, Dilma Rousseff, e a ex-senadora Marina Silva. No primeiro turno, Aécio obteve 33,5% dos votos válidos, classificando-se para o segundo turno com Dilma. Na eleição presidencial mais disputada da história do país até aquele momento, Dilma foi reeleita com 51,64% dos votos contra 48,36% de Aécio, que retornou ao Senado.
Nas eleições de 2018 e 2022, elegeu-se para seu 5º e 6º mandato como deputado federal. Disputando e vencendo eleições desde 1986, Aécio completará ao final do atual mandato, 40 anos de mandatos consecutivos, sendo atualmente o mais longevo político de Minas Gerais.
Início de vida, educação e começo da carreira política
Primeiros anos, família e educação
Aécio Neves da Cunha nasceu em 10 de março de 1960 em Belo Horizonte, a capital de Minas Gerais, sendo o filho do meio de Aécio Ferreira da Cunha (1927–2010) e Inês Maria Tolentino Neves Faria (1939–2023). Além dele, o casal teve duas filhas: Andrea, formada em jornalismo e sua principal conselheira, e Ângela, formada em história. Seu pai, Aécio Cunha, foi deputado estadual e federal por pouco mais de três décadas, presidente do conselho de administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ministro do Tribunal de Contas da União (TCU); ele foi filiado a partidos que deram sustentação e um entusiasta da ditadura militar. Sua mãe, Inês Maria, separou-se de Cunha e casou-se em 1984 com o banqueiro Gilberto Faria, fundador do Banco Bandeirantes e deputado federal pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA). Após a morte do banqueiro Gilberto Faria, iniciou-se uma disputa entre a família Faria e a mãe de Aécio sobre a divisão do patrimônio deixado. Oswaldo Borges da Costa, casado com uma das herdeiras de Gilberto Faria, e Aécio fizeram a divisão do que avaliam ser uma fortuna incalculável. Inês Maria integrou entre abril de 1992 a maio de 1998 o conselho de administração do Banco Bandeirantes, que posteriormente faliu.
Nascido em uma tradicional família de políticos mineiros, é neto por parte de mãe de Tancredo Neves, personagem fundamental na redemocratização do país, presidente eleito do Brasil, primeiro-ministro do Brasil, governador de Minas Gerais, senador da República e ministro da Justiça do governo de Getúlio Vargas. Pelo lado paterno, é neto de Tristão Ferreira da Cunha, advogado e professor, que atuou como secretário de agricultura, indústria e comércio do governo estadual de Juscelino Kubitschek, e deputado estadual e federal.
Aécio viveu sua primeira infância na Savassi, um bairro nobre de Belo Horizonte, onde estudou no Colégio Zilah Frota. Nesta época, era chamado por parentes e amigos de "Aecinho". No início de 1972, mudou-se para um apartamento de Ipanema, na cidade do Rio de Janeiro, após seu pai decidir participar de um curso na Escola Superior de Guerra. O jovem garoto não teve dificuldades de adaptação na nova cidade e usufruiu o estilo de vida dos filhos da elite carioca. Como passatempos, gostava de surfar, jogar futebol e torcer pelo seu time, o Cruzeiro.
Em 1976, conseguiu sua primeira experiência de trabalho como vendedor em uma concessionária da FIAT. No ano seguinte, foi nomeado oficial de gabinete do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, do qual seu avô Tristão integrava. Entre 1977 e 1981, período em que residia no Rio de Janeiro, foi designado secretário do gabinete parlamentar de seu pai na Câmara dos Deputados. Em 1979, concluiu o ensino secundário no colégio católico São Vicente de Paulo. Em seguida, escolheu estudar economia e ingressou na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Quando mudou-se para BH, transferiu-se para a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), e, em junho de 1984, graduou-se em economia.
Em 1981, na noite de Natal, Tancredo chamou Aécio e perguntou-lhe: "Você não quer largar a vida de surfista e conhecer direito a sua terra?". Sua vida política começou logo depois, quando ele tinha vinte anos. Nessa época o avô ligou para ele e disse: "É agora" e o convidou para participar de sua campanha eleitoral para o governo de Minas Gerais em 1982. Aécio então foi morar com o avô e o pai em um apartamento de BH. Ele participou de reuniões e comícios em mais de trezentos municípios mineiros. Tancredo foi eleito governador, e, em janeiro de 1983, Aécio passou a ocupar o cargo de secretário particular do avô no Palácio das Mangabeiras. Entre 1983 a 1984, presidiu a ala jovem mineira do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).
Nos anos seguintes, participou do movimento Diretas Já e da campanha de Tancredo à presidência da República. Antes disso, não havia participado de movimentos estudantis ou de outros movimentos contra a ditadura enquanto estudava no Rio. Aécio acompanhou seu avô em visitas a outros países, estratégia política utilizada para reforçar a transição da democracia no Brasil; eles estiveram com Ronald Reagan, François Mitterrand, Rei Juan Carlos, Papa João Paulo II, Bettino Craxi, Raúl Alfonsín, entre outros.
Quando Tancredo foi eleito pelo Colégio Eleitoral, foi nomeado pelo avô como secretário de Assuntos Especiais da Presidência da República. No entanto, em março de 1985, Tancredo adoeceu poucos dias antes da posse e José Sarney, o vice-presidente eleito, foi empossado temporariamente em seu lugar. Com a morte de Tancredo um mês depois, Aécio e todos os ministros e assessores nomeados por ele renunciaram para que o novo presidente pudesse escolher livremente a composição de seu gabinete.
Em 14 de maio de 1985, foi indicado diretor de loterias da Caixa Econômica Federal; o ato de nomeação foi assinado pelo presidente Sarney e pelo ministro da Fazenda Francisco Dornelles. No mesmo ano, a convite do Ministério da Educação e Cultura, chefiou a delegação brasileira no Congresso Internacional da Juventude, um evento realizado em Moscou, a capital da então União Soviética, a atual Rússia, onde também foi nomeado o presidente da Comissão do Ano Internacional da Juventude.
Primeiro e segundo mandatos de deputado federal (1987–1995)
Em 1986, deixou a diretoria de loterias da Caixa Econômica Federal para ser candidato à Assembleia Nacional Constituinte na eleição de novembro daquele ano. A morte recente de Tancredo e a posterior comoção, especialmente entre os mineiros, ajudou Aécio na disputa eleitoral. Candidato pelo PMDB, recebeu 236 mil votos e foi o deputado federal de Minas mais votado daquela eleição. Aécio atribuiu sua vitória a uma "homenagem dos mineiros a Tancredo." Também na eleição estadual de Minas Gerais em 1986, seu pai foi o candidato a vice-governador de Itamar Franco, mas os dois foram derrotados pela chapa Newton Cardoso-Júnia Marise por 47–42%.
Em 1.º de fevereiro de 1987, foi empossado deputado federal constituinte. Ao 26 anos de idade, era um dos deputados mais jovens. Durante as deliberações para a nova Constituição, que ocorreram até setembro de 1988, apresentou 46 propostas de emendas, e foi um dos autores da que instituiu o direito ao voto para jovens entre os dezesseis aos dezoito anos de idade. Como membro titular, integrou a Comissão da Soberania e dos Direitos e Garantias do Homem e da Mulher (também como primeiro vice-presidente em 1987), a Subcomissão da Nacionalidade, da Soberania e das Relações Internacionais e a Comissão da Soberania e dos Direitos e Garantias do Homem e da Mulher. Também foi suplente da Comissão de Sistematização.