Uncle Tom's Cabin; or, Life Among the Lowly, (bra/prt: A Cabana do Pai Tomás) ou A Cabana do Tio Tom (PT) é um romance sobre a escravatura no Estados Unidos da escritora norte-americana Harriet Beecher Stowe. Publicado em 1852, o livro "ajudou a estabelecer as bases para Guerra Civil", segundo Will Kaufman.
Stowe, uma professora do Hartford Female Seminary nascida no estado do Connecticut, e defensora activa do abolicionismo no Estados Unidos, criou a figura do Uncle Tom, um escravo negro, com uma longa história de sofrimento, e cuja vida é o ponto central da história do livro. O romance descreve a realidade da escravatura ao mesmo tempo que afirma que o amor cristão pode superar algo tão destrutivo como a escravidão dos seres humanos.
Uncle Tom's Cabin foi o romance mais vendido do século XIX e o segundo livro deste século, logo a seguir à Bíblia. Crê-se que terá sido um dos pontos de partida para a causa do abolicionismo na década de 1850. No primeiro ano da sua publicação, foram vendidos cerca de 300 000 cópias nos Estados Unidos; um milhão na Grã-Bretanha. Em 1855, três anos depois da primeira publicação, foi chamado "o romance mais popular dos nossos dias". O impacto atribuído ao livro é enorme, reforçado por uma história de quando Abraham Lincoln conheceu Stowe no início da Guerra Civil, e lhe disse: "Então é esta a pequena senhora que deu início a esta grande guerra". A citação não é reconhecida; só apareceu impressa em 1896, e tem sido alvo de discussão: "A longa presença da saudação de Lincoln como uma anedota em estudos literários e estudos sobre Stowe, pode talvez ser explicada em parte pelo desejo entre muitos intelectuais contemporâneos ... de afirmar o papel da literatura como agente de mudança social".
O livro e as peças de teatro nele inspiradas ajudaram a tornar popular vários estereótipos sobre os negros. Destaque-se a afectuosa mammy (mãezinha) negra; o estereótipo pickaninny referente a crianças negras; e o Uncle Tom (pai Tomás), ou o obediente e serviçal sofredor devoto ao seu patrão ou patroa brancos. Em anos mais recentes, as associações negativas a Uncle Tom's Cabin, esconderam, até um certo ponto, o impacto histórico do livro como um "instrumento essencial anti-escravatura".
Harriet Beecher Stowe, uma professora do Hartford Female Seminary, nascida no estado norte-americano do Connecticut, e defensora activa do abolicionismo no Estados Unidos, escreveu a história em reacção à aprovação, em 1850, da segunda Lei do Escravo Fugitivo. Grande parte do livro foi escrito em Brunswick, onde o seu marido, Calvin Ellis Stowe, ensinava no Bowdoin College.
Stowe foi parcialmente inspirada a escrever Uncle Tom's Cabin pela narrativa The Life of Josiah Henson, Formerly a Slave, Now an Inhabitant of Canada, as Narrated by Himself (A Vida de Josiah Henson, Ex-Escravo, Actualmente Habitante do Canadá, Tal Como Narrada por Ele Próprio) (1849). Henson, um ex-escravo negro, viveu e trabalhou numa plantação de tabaco com 3 700 acres (15 km2), em North Bethesda, Maryland, do proprietário Isaac Riley. Henson escapou da escravatura ao fugir, em 1830, para a Provincia do Canadá Superior (actual Ontário), onde ajudou outros escravos fugitivos, e se tornou autossuficiente, e onde escreveu as suas memórias. Stowe reconheceu em 1853 que os registos de Henson a inspiraram para conceber Uncle Tom's Cabin. Quando a obra de Stowe se tornou um dos livros mais vendidos, Henson tornou a publicar as suas memórias como The Memoirs of Uncle Tom (As Memórias do Pai Tomás) e foi em digressão dando palestras nos Estados Unidos e Europa. O título do romance de Stowe tem origem na casa-cabana de Hensone—Uncle Tom's Cabin Historic Site, perto de Dresden, Canadá—a qual desde os anos de 1940 passou a ser um museu. A cabana onde Henson viveu enquanto escravo já não existe, mas uma outra cabana na herdade de Riley, erradamente atribuída a Henson, foi adquirida pelo governo do Condado de Montgomery em 2006. Faz, actualmente, parte do Serviço Nacional de Parques.
American Slavery As It Is: Testimony of a Thousand Witnesses, um volume em co-autoria com Theodore Dwight Weld e as irmãs Grimké, também é uma das fontes para o presente romance. Stowe disse ter ido buscar informações a diversas entrevistas a pessoas que escaparam à escravatura durante o período em que viveu em Cincinnati, Ohio, através do rio Ohio desde o Kentucky, um estado de escravos. Em Cincinnati, o Underground Railroad tinha simpatizantes abolicionistas e ajudava os escravos a fugir pelas rotas a partir do Sul.
Stowe mencionou várias inspirações e fontes para o seu livro em A Key to Uncle Tom's Cabin (1853). Este livro de não-ficção tinha o objectivo de verificar as alegações de Stowe sobre a escravatura. Contudo, pesquisas posteriores indicam que Stowe não leu muitos dos livros citados antes da publicação do seu.
Uncle Tom's Cabin foi publicado pela primeira vez, em forma de série semanal, durante 40 semanas, no The National Era, um jornal abolicionista, a 5 de Junho de 1851. Originalmente, seria uma narrativa curta prevista durar apenas umas semanas. No entanto, Stowe expandiu a história de forma muito significativa, e tornou-se instantaneamente muito popular, de tal forma que, quando ela falhou uma publicação, foram vários os protestos enviados para os escritórios do Era. Devido à popularidade da história, o editor, John P. Jewett, contactou Stowe propondo-lhe que a série passasse para o formato de livro. Enquanto Stowe se questionava sobre se alguém iria ler Uncle Tom's Cabin em livro, acabou por aceder à proposta de Jewett.
Convencida de que o livro seria popular, Jewett decidiu, estranhamente para a época, que ele incluiria seis páginas totalmente ilustradas pelas gravuras de Hammatt Billings na primeira edição. Publicado em livro a 20 de Março de 1852, o romance vendeu 3 000 cópias no primeiro dia, e depressa esgotou a primeira edição. Foram efectuadas mais edições (incluindo uma de luxo em 1853, com 117 ilustrações de Billings).
No primeiro ano da sua publicação, foram vendidas 300 000 cópias de Uncle Tom's Cabin. Contudo, findo o primeiro ano, a "procura estagnou de forma inesperada.... Durante anos não foram impressas mais cópias, e se, como se alega, que Abraham Lincoln elogiou Stowe em 1862 como 'a pequena senhora que escreveu o livro que deu início a esta grande guerra,' o livro não foi impresso durante muitos anos". Jewett saiu do negócio, e só em Novembro de 1862, quando a Ticknor and Fields voltou a publicar o livro, é que a procura tornou a subir.
A história foi traduzida para várias grandes línguas, e nos Estados Unidos tornou-se no segundo livro com mas vendas logo a seguir à Bíblia. Algumas das primeiras edições incluíam uma introdução escrita pelo reverendo James Sherman, um padre congregacional em Londres conhecido pelas suas ideias abolicionistas. Uncle Tom's Cabin também teve sucesso comercial na Grã-Bretanha, onde começou a vender em Maio de 1852, e onde vendeu 200 000 cópias. Em poucos anos estavam em circulação 1,5 milhões de cópias do livro neste país, embora muitas delas violassem os direitos de autor (situação que também ocorreu nos Estados Unidos).
Eliza foge com o seu filho; Tom é vendido e "levado através do rio"
O livro começa com um agricultor do Kentucky chamado Arthur Shelby perante a perda da sua quinta por causa de dívidas. Mesmo acreditando que ele e a sua esposa Emily Shelby têm um relacionamento amável com os seus escravos, Shelby decide arranjar o dinheiro necessário vendendo dois deles—Uncle Tom, um homem de meia-idade com mulher e filhos, e Harry, filho da criada de Emily Shelby, Eliza—a um comerciante de escravos. Emily Shelby é contra esta ideia porque tinha prometido à sua criada que o seu filho nunca seria vendido; o filho de Emily, George Shelby, detesta a ideia de ver Tom a ir embora pois olha para ele como seu amigo e mentor.
Quando Eliza escuta o Sr. e a Sra. Shelby a falar sobre os planos para vender Tom e Harry, Eliza decide fugir com o seu filho. A história estabelece que Eliza escolheu assim pois teme perder a sua única criança sobrevivente (já havia perdido dois filhos). Eliza parte nessa mesma noite, deixando um bilhete com um pedido de desculpas à sua patroa.