Abedalá ibne Zobair ou Zubair ibne Alauame (em árabe: عبد الله ابن الزبير ابن العوام; romaniz.: ʿAbd Allāh ibn az-Zubair ibn al-ʿAuām; maio de 624 — outubro ou novembro de 692) foi o califa de um califado centrado em Meca que rivalizou com o Califado Omíada de Damasco de 683 até sua morte.
Filho de Zobair ibne Alauame e Asma binte Abacar, pertencia aos coraixitas, a tribo que chefiou a nascente comunidade muçulmana, e foi o primeiro filho de um casal Muhajirun, ou seja, os primeiros convertidos do islã. Quando jovem, participou das primeiras conquistas muçulmanas ao lado de seu pai na Síria e no Egito, e mais tarde desempenhou papel nas conquistas muçulmanas do norte da África e do norte do Irã em 647 e 650, respectivamente. Durante a Primeira Guerra Civil Islâmica, lutou ao lado de sua tia Aixa contra o califa Ali (r. 656–661). Embora pouco se ouça sobre ele durante o reinado subsequente do primeiro califa omíada Moáuia I (r. 661–680), sabe-se que se opôs à nomeação do filho do último, Iázide I, como sucessor. Junto com muitos dos coraixitas e ançares, os principais grupos muçulmanos do Hejaz (oeste da Arábia), opôs-se ao califado hereditário dos omíadas.
Estabeleceu-se em Meca, onde reuniu oposição a Iázide (r. 680–683), antes de se proclamar califa após a morte dele em 683, marcando o início da Segunda Guerra Civil Islâmica. Enquanto isso, o filho e sucessor de Iázide morreu semanas após seu reinado, precipitando o colapso da autoridade omíada em todo o califado, cuja maioria das províncias posteriormente aceitaram a suserania de Zobair. Embora amplamente reconhecido como califa, sua autoridade era amplamente nominal fora do Hejaz. Em 685, o califado Omíada havia sido reconstituído sob Maruane I na Síria e no Egito, enquanto a autoridade de zobaírida estava sendo desafiada no Iraque e na Arábia por forças pró-álidas e carijitas. O irmão de Zobair, Muçabe, reafirmou sua suserania no Iraque por 687, mas foi derrotado e morto pelo sucessor de Maruane, Abedal Maleque ibne Maruane, em 691. O comandante omíada Alhajaje ibne Iúçufe sitiou Zobair em sua fortaleza em Meca, onde foi finalmente morto em 692.
Por meio do prestígio de seus laços familiares e ligações sociais com o profeta islâmico Maomé e sua forte associação com a cidade sagrada de Meca, foi capaz de liderar as influentes facções muçulmanas descontentes que se opunham ao governo omíada. Procurou restabelecer o Hejaz como o centro político do califado. No entanto, sua recusa em deixar Meca o impedia de exercer o poder nas províncias mais populosas, onde dependia de seu irmão Muçabe e de outros legalistas, que governavam com virtual independência. Assim, desempenhou um papel ativo menor na luta travada em seu nome.
Abedalá ibne Zobair nasceu em Medina no Hejaz (oeste da Arábia) em maio de 624. Era o filho mais velho de Zobair ibne Alauame, um ṣaḥābī (companheiro) de Maomé e uma importante figura muçulmana. Pertencia ao clã assadita dos coraixitas, a tribo dominante de Meca, um centro comercial no Hejaz e localização da Caaba, o santuário mais sagrado do Islão. Sua avó paterna de era Safia binte Abedal Mutalibe, a tia paterna de Maomé, e sua mãe era Asma, filha do primeiro califa, Abacar (r. 632–634), e irmã de Aixa, uma das esposas do profeta. De acordo com os historiadores do século IX ibne Habibe e ibne Cutaiba, foi o primeiro filho dos Muhajirun, os primeiros convertidos ao Islão que foram exilados de Meca para Medina. Esses primeiros laços sociais, de parentesco e religiosos com Maomé, sua família e os primeiros muçulmanos, todos aumentaram sua reputação na idade adulta.
Tinha várias esposas e filhos. Sua primeira esposa foi Tumadir binte Manzur ibne Zabane ibne Saiar ibne Anre dos fazaraítas. Ela lhe deu seu filho mais velho Cubaibe, daí o cúnia (epíteto) de ibne Zobair de "Abu Cubaibe", e outros filhos chamados Hâmeza, Abade, Zobair e Tabite. Ela ou outra das esposas dele, Um Haçane Nafisa, filha de Haçane, o filho do quarto califa Ali (r. 656–661) e neto de Maomé, deu à luz sua filha Rucaia. A irmã de Tumadir, Zajela, chegou a ser casada com ibne Zobair. Também era casado com Aixa, filha do terceiro califa Otomão (r. 644–656). Aixa ou Nafisa foi mãe de Becre, do qual pouco é relatado nas fontes tradicionais. Sabe-se ainda que divorciou-se de Aixa após o nascimento de seu filho. De outra esposa, Hantama binte Abederramão ibne Hixeme, teve seu filho Amir.
Quando criança, durante o reinado do califa Omar em 636, pode ter estado presente com seu pai na Batalha de Jarmuque contra os bizantinos na Síria. Também estava presente com seu pai na campanha de Anre ibne Alas contra o Egito bizantino em 640. Em 647, destacou-se na conquista muçulmana da Ifríquia (Norte da África) sob o comandante Abedalá ibne Sade. Durante essa campanha, descobriu um ponto vulnerável nas linhas de batalha dos defensores bizantinos e matou o patrício Gregório. Foi elogiado por Otomão e emitiu um discurso de vitória, bem conhecido por sua eloquência, ao retornar a Medina. Mais tarde, se juntou a Saíde ibne Alas na ofensiva deste último no norte do Irã em 650. Otomão nomeou-o à comissão encarregada da recensão do Alcorão. Durante o cerco rebelde à casa de Otomão em junho de 656, o califa colocou-o no comando de sua defesa e teria sido ferido na luta. Após o assassinato de Otomão, lutou ao lado de seu pai e sua tia Aixa contra os partidários do sucessor de Otomão, Ali, na Batalha do Camelo de dezembro, próximo a Baçorá. Seu pai foi morto, enquanto foi ferido lutando com um dos comandantes de Ali, Maleque Alastar. Ali foi vitorioso e Zobair voltou com Aixa para Medina, mais tarde participando da arbitragem para encerrar a Primeira Guerra Civil Islâmica em Adru ou Dumate Aljandal. Durante as negociações, aconselhou Abedalá ibne Omar a pagar pelo apoio de Anre ibne Alas. Sabe-se que herdou uma fortuna significativa de seu pai.
Não se opôs à ascensão de Moáuia I ao califado em 661 e permaneceu inativo durante o curso de seu reinado. No entanto, se recusou a reconhecer a nomeação de Moáuia de seu filho Iázide I como sucessor em 676. Quando Iázide ascendeu após a morte do pai dele em 680, novamente rejeitou sua legitimidade, apesar de Iázide ter o apoio das tribos árabes da Síria que formavam o núcleo do exército omíada. Em resposta, Iázide exigiu de Alualide ibne Oteba ibne Abu Sufiane, o governador de Medina, a submissão de Zobair, mas ele escapou das autoridades e fugiu para Meca. Foi acompanhado por Huceine, filho de Ali, que também havia se recusado a se submeter a Iázide. Huceine e seus apoiadores tomaram posição contra os omíadas em Carbala em 680, mas foram mortos.
Após a morte de Huceine, começou a recrutar apoiadores clandestinamente. Em setembro de 683, assumiu o controle de Meca. Referiu-se a si como alaide bil baite (al-ʿaʾidh biʾl bayt; o fugitivo no santuário, isto é, a Caaba), adotou o lema lā ḥukma illā li-ʾllāh (o julgamento pertence somente a Deus), mas não fez nenhuma reivindicação ao califado. Iázide ordenou que o governador de Medina, Anre ibne Saíde ibne Alas, prendêsse-o. O governador, por sua vez, encarregou o irmão afastado de Zobair, o chefe das xurtas (forças de segurança) de Medina, Anre, de liderar a expedição. A força omíada sofreu uma emboscada e Anre foi capturado e morto em cativeiro. Zobair declarou a ilegitimidade do califado de Iázide e aliou-se ao ançares de Medina, liderado por Abedalá ibne Hanzala, que retirou o apoio a Iázide devido às suas alegadas impropriedades. Zobair também ganhou o apoio do movimento carijita em Baçorá e Barém (leste da Arábia).
Em resposta à crescente oposição em toda a Arábia, Iázide despachou uma força expedicionária árabe síria liderada por Muslim ibne Uqueba para suprimir Zobair e os ançares. Os ançares foram derrotados na Batalha de Harrá no verão de 683, e ibne Hanzala foi morto. O exército continuou em direção a Meca, mas ibne Uqueba morreu no caminho e o comando passou para seu vice, Huceine ibne Numair Alçacuni. Ele sitiou a cidade em 24 de setembro, depois que Zobair recusou-se a se render. A Caaba foi severamente danificada durante o bombardeio de Alçacubi. Durante o cerco, dois potenciais candidatos coraixitas ao califado, Muçabe ibne Abederramão e Almiçuar ibne Macrama, foram mortos ou morreram de causas naturais. Em novembro, a notícia da morte de Iázide levou Alçacubi a negociar com Zobair. O primeiro propôs reconhecê-lo como califa com a condição de que governasse da Síria, o centro do exército e da administração omíadas. Zobair rejeitou isso e o exército retirou-se à Síria, deixando-o no controle de Meca.