Abel Augusto de Almeida Carneiro (Ponte de Lima, 21 de março de 1926 – Porto, 11 de dezembro de 1976) foi um advogado e político português, eleito deputado à Assembleia Constituinte de 1975–1976.
Carneiro nasceu em Ponte de Lima a 21 de março de 1926. Era filho de Teófilo Maciel Pais Carneiro (1891–1949), advogado, poeta e político que foi, entre outros cargos, Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima e deputado durante a Primeira República, e de Carolina Adelaide Araújo Almeida, professora natural de Vila Verde. O casal teve seis filhos.
Tal como o pai, formou-se em Direito na Universidade de Coimbra.
Carneiro exerceu advocacia durante a maior parte da sua vida. Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, iniciou atividade política no Partido Popular Democrático (PPD), partido que viria a dar origem ao Partido Social Democrata (PSD).
Nas eleições de 25 de abril de 1975 para a Assembleia Constituinte, as primeiras eleições por sufrágio universal realizadas em Portugal após o fim do Estado Novo, foi eleito deputado pelo PPD no círculo eleitoral de Viana do Castelo. A Assembleia, composta por 250 deputados, tinha por função elaborar a Constituição de 1976, aprovada a 2 de abril desse ano. Carneiro deixou o grupo parlamentar do PPD a 11 de dezembro de 1975, na sessão n.º 93, passando a exercer o mandato como deputado independente até ao termo dos trabalhos da Assembleia.
Ao longo do mandato na Assembleia Constituinte, Carneiro realizou várias intervenções. A primeira ocorreu na sessão n.º 28, a 8 de agosto de 1975, na qual abordou as reações da população ao processo revolucionário, criticando as comissões administrativas das juntas de freguesia e dos municípios, bem como alguns órgãos de comunicação social que, no seu entender, procurariam desvalorizar o alcance da opção popular pelo socialismo, e aludindo ainda a ataques a sedes partidárias.
Na sessão n.º 47, a 17 de setembro, teceu considerações sobre o exercício do poder judicial durante o período revolucionário, defendendo a intervenção do poder político para assegurar a independência e a dignificação da magistratura. Na sessão de 26 de setembro, referiu-se aos arrendamentos não formalizados que colocavam várias famílias em risco de despejo, pedindo a sua legalização — assunto sobre o qual voltaria a pedir informações ao governo em dezembro. Subscreveu ainda quatro requerimentos relativos ao seu círculo eleitoral, sobre eletrificação, abastecimento de água, construção de caminhos públicos e poluição no distrito de Viana do Castelo.
Na sessão n.º 93, a 11 de dezembro de 1975, apresentou uma declaração comunicando à Assembleia que renunciara ao PPD, mantendo-se como deputado independente. Esteve presente na sessão de votação da Constituição da República Portuguesa (sessão n.º 131, 2 de abril de 1976).
Desde a juventude, Carneiro escreveu poesia, embora nunca tenha reunido nem publicado em vida essa obra.