Maria Adelaide de França (Marie Adélaïde de France; 23 de março de 1732 - Trieste, 27 de fevereiro de 1800) foi uma princesa da França, sexta filha, a quarta menina, do rei Luís XV de França e de Maria Leszczyńska. Era duquesa de Louvois juntamente com a irmã Sofia.
Nascida no Palácio de Versalhes em 23 de março de 1732, Maria Adelaide ela recebeu o nome de sua avó paterna, Maria Adelaide de Saboia. Era a sexta filha, a quarta menina, do rei Luís XV de França com sua esposa Maria Leszczyńska, filha do rei Estanislau I da Polônia. Como filha do rei francês, ela era uma Filha da França (Fille de France). Na corte francesa era conhecida como "Madame Quarta" (Madame Quatrième).
Adelaide foi criada em Versalhes com suas irmãs mais velhas, Madame Luísa Isabel e Madame Henriqueta e seu irmão Luís, Delfim da França. Suas irmãs mais jovens receberam a sua educação na Abadia de Fontevraud, porque segundo André Hercule de Fleury primeiro-ministro de Luís XV criá-las em Versalhes com tudo o que tinham direito era demasiado muito caro. Esperava-se que Adelaide se unisse a suas irmãs mais novas em Fontevraud, todavia, ela foi autorizada a ficar em Versalhes após um apelo pessoal a seu pai.
Sua educação ficou sob os cuidados da Duquesa de Rohan-Tallard. De acordo com Madame Campan: "Madame Adelaide, em particular, tinha um desejo insaciável de aprender; ela foi ensinada a tocar todos os instrumentos, desde a trompa (acredite!) até a harpa judia." Ela teve aulas de italiano com Goldoni e de música com Beaumarchais. Madame Adelaide participava da vida da corte desde muito jovem, ela frequentava e organizava festividades em Versalhes e, juntamente com sua irmã Henriqueta, acompanhava seu pai à ópera em Paris e em caçadas.
Em 1744, o rei concedeu à Henriqueta e Adelaide seu próprio séquito. As irmãs tinham duas damas de companhia e sua própria dama de honra. Quando as irmãs mais novas chegaram à corte de Fontevrault, elas não foram introduzidas na comitiva de suas irmãs mais velhas, conhecida como a "Casa das Mesdames". Após a morte de Henriqueta em 1752, a Casa das Mesdames passou a ser conhecida como a "Casa de Madame Adelaide", tendo Adelaide ocupado uma posição distinta como a única princesa real solteira com sua própria comitiva, enquanto suas irmãs mais novas compartilhavam o séquito.
Adelaide recebeu demasiadas propostas de casamento como a do Príncipe de Conti e do príncipe Francisco Xavier da Saxônia, mas Luís XV considerou que não havia consortes potenciais como sendo de estatuto adequado disponível. Em 1761, ela foi cogitada para se casar com o rei Carlos III da Espanha, recém viúvo de Maria Amália da Saxônia, todavia, depois de ver o retrato dele, ela se recusou, sendo assim Adelaide permaneceu solteira até morrer.
Descrita como uma típica Bourbon com "grandes olhos escuros ao mesmo tempo apaixonados e suaves", e de personalidade extremamente altiva, com um carácter dominante e ambicioso, inteligente e consciente de sua posição, Adelaide foi a única das irmãs solteiras com ambição política, e ela tentou, sem sucesso, ganhar influência política através de seu pai o rei, seu irmão o Delfim e, eventualmente, através de seu sobrinho, Luís Augusto o futuro Luís XVI.
Madame Adelaide, assim como seus irmãos, tentaram sem sucesso impedir a ligação de seu pai com Madame de Pompadour, a quem chamavam de "mamãe prostituta" (maman putain). No início da década de 1750, quando a saúde de Madame de Pompadour estava se deteriorando, Adelaide, que era uma boa amazona, tornou-se a companheira favorita de seu pai e frequentemente o acompanhava durante cavalgadas e caçadas e o divertia com conversas. O relacionamento próximo entre pai e filha motivou rumores que os dois mantinham um relacionamento incestuoso. Adelaide também teria tido um filho de seu pai, Louis Marie de Narbonne Lara, cuja maternidade tradicionalmente é atribuída a Françoise de Chalus, dama de companhia de Adelaide.
Após a morte de Madame de Pompadour em 1774, Luís XV passou a confiar cada vez mais em Adelaide, a quem considerava de "resoluções firmes e rápidas". Acreditava-se que, por meio dela, o rei fora aconselhado pelo arcebispo de Paris, Christophe de Beaumont, e pelos Dévots, partido que seguia uma política católica de oposição aos protestantes na França e aliança com a monarquia Habsburgo.
Em 1768, com a morte da rainha, Luís XV entrou em estado depressivo, e os membros da corte acreditavam que, assim que o rei se recuperasse da depressão, a escolha seria fornecer-lhe uma nova rainha ou uma nova amante real oficial. Madame Adelaide, que detestava a ideia de uma nova amante real, encorajou o seu pai se casar novamente afim de evitar isso. Ela teria preferido uma rainha que fosse jovem, bonita e sem ambição, pois ela poderia distrair seu pai dos assuntos de estado, deixando-os para Adelaide. Ela era partidária de Maria Luísa de Saboia-Carignano, princesa-viúva de Lamballe, uma candidata adequada para esse propósito e apoiada neste plano pela poderosa família Noailles. Todavia, a própria princesa de Lamballe não mostrou interesse nesta empreitada e seu ex-sogro, o duque de Penthievré, não estava disposto a consentir, e o plano de casamento nunca se materializou. Foi então sugerido ao rei que se casasse com a arquiduquesa Maria Isabel da Áustria. A arquiduquesa era de extrema beleza, mas quando ela adoeceu de varíola, a deixando com a pele marcada, as negociações de casamento foram interrompidas. Por fim, Luís XV iniciou um relacionamento com Madame du Barry, aquela que seria sua última amente oficial, e a quem Madame Adelaide desprezava.
Em 1770, a arquiduquesa Maria Antonieta da Áustria chegou à Versalhes para se casar com o delfim Luís Augusto, o herdeiro do trono francês. Nesta época, Maria Adelaide e suas irmãs, conhecidas na corte como "Mesdames de França", eram descritas como bruxas velhas e amargas, que passavam os dias fofocando e tricotando em seus quartos. No início, Maria Antonieta entrou para o círculo social das Mesdames e Adelaide tentou obter influência sobre a nova Delfina contra Madame du Barry e repetidamente a induziu a esnobar Madame du Barry, ocasionando a insatisfação do rei Luís XV. Em 1772, a mãe da Delfina, imperatriz Maria Teresa da Áustria e seu embaixador, o Conde de Mercy-Argenteau, preocupados com a insatisfação de Luís XV e com a aliança franco-austríaca, aconselharam Maria Antonieta a socializar-se com Madame Du Barry, o que frustrou Adelaide. Isso interrompeu a amizade entre a Delfina e Madame Adelaide, que posteriormente teria sido a primeira pessoa a chamá-la de "a austríaca".
Madame Adelaide e suas irmãs permaneceram próximas e cuidaram de seu pai, Luís XV, até sua morte em 1774. Após a ascensão de seu sobrinho Luís Augusto como Luís XVI, Adelaide e suas irmãs passaram a ser conhecias como "Madames-Titias" ("Mesdames Tantes"). O novo rei, seu sobrinho, permitiu que as tias mantivessem seus aposentos no Palácio de Versalhes, e que continuassem frequentando a corte. Em 1777, Madame Adelaide foi nomeada Duquesa de Louvois, juntamente com a irmã Sofia.
Adelaide passou a desempenhar um papel político após a sucessão de seu sobrinho, ela desempenhou um importante papel na formação do novo governo com instruções sobre ministros adequados para o novo rei. No início de seu reinado, Luís XVI sentia confiança em sua tia em relação aos assuntos de Estado, e ele a considerava inteligente o suficiente para torná-la sua conselheira política. Apesar de apoiada pelo partido dos Dévots, Madame Adelaide ganhou tamanha oposição dentro da corte que o rei logo se viu obrigado a excluí-la dos assuntos de estado.
Juntamento com suas irmãs, Adelaide se distanciou da corte e muitas vezes preferia residir em seu próprio Castelo de Bellevue em Meudon, as irmãs também viajavam anualmente para Vichy, sempre com um séquito de pelo menos trezentas pessoas, e popularizando suas águas termais. As Mesdames continuaram a ser confidentes de Luís XVI, e também mantiveram um bom relacionamento com sua sobrinha, a princesa Isabel de França, e frequentemente a visitavam em seu retiro em Montreuil. Em contrapartida, a relação das Mesdames com a rainha Maria Antonieta não era calorosa. Quando a rainha introduziu novos costumes informais, bem como outros hábitos que minavam a etiqueta formal da corte, isso resultou protestos por parte das Mesdames e da velha nobreza da corte em oposição às reformas da rainha.