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Adelaide de Saxe-Meiningen

Rainha consorte do Reino Unido e Hanôver (1830–1837)

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Adelaide de Saxe-Meiningen (nome pessoal em alemão: Adelheid Louise Theresa Caroline Amelia von Sachsen-Meiningen; Meiningen, 13 de agosto de 1792 – Middlesex, 2 de dezembro de 1849) foi Rainha Consorte do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda e Rainha de Hanôver de 1830 a junho de 1837 como esposa do rei Guilherme IV. Filha de Jorge I, Duque de Saxe-Meiningen e Luísa Leonor de Hohenlohe-Langenburgo. Adelaide, a capital do Sul da Austrália, leva o seu nome.

Adelaide Luísa Teresa Carolina Amélia nasceu no dia 13 de Agosto de 1792 em Meiningen, na Alemanha. O seu pai era o duque Jorge I de Saxe-Meiningen e a sua mãe era a princesa Luísa Leonor, filha do príncipe Cristiano de Hohenlohe-Langenburgo. Batizada no dia 19 Agosto do mesmo ano, o seu título de nascimento era "Sua Alteza Sereníssima, Princesa Adelaide de Saxe-Meiningen, Duquesa na Saxônia". Entre seus 21 padrinhos de batismo, incluindo sua mãe, estavam a imperatriz Maria Teresa da Áustria, a rainha Maria Carolina de Nápoles, a princesa herdeira Maria Teresa Saxônia, as duquesas Carlota de Saxe-Gota-Altemburgo, Sofia Antónia de Saxe-Coburgo-Saalfeld e Luísa de Saxe-Weimar-Eisenach, o príncipe Carlos Luís de Hohenlohe-Langemburgo e o conde Adolfo de Hesse-Philippsthal-Barchfeld.

Saxe-Meiningen era um estado pequeno, com uma área de apenas 1 100 km². Era o estado alemão mais liberal da sua época, permitindo liberdade de imprensa e critica aberta ao seu governante. Na altura do nascimento de Adelaide, não existia nenhum estatuto que proibisse uma mulher de ascender ao trono, o que mudou com o nascimento de seu irmão, Bernardo, em 1800, quando a lei semi-sálica foi introduzida.

Em finais de 1811, o rei Jorge III do Reino Unido tinha enlouquecido e, apesar de continuar a ser rei em nome, o seu herdeiro e filho mais velho, Jorge, era príncipe-regente. No dia 6 de Novembro de 1817, a única filha legitima do príncipe-regente, a princesa Carlota, esposa do príncipe Leopoldo de Saxe-Coburg-Saalfeld (depois rei Leopoldo I dos Belgas) morreu ao dar à luz. A princesa Carlota estava em segundo lugar na linha de sucessão: se tivesse vivido mais tempo do que o seu pai e avô, teria sido rainha do Reino Unido. Com a sua morte, o rei foi deixado com doze filhos dos quais nenhum tinha filhos legítimos. O príncipe-regente estava separado da sua esposa, que tinha já quarenta e nove anos de idade. Assim, havia poucas hipóteses de que fosse ter mais herdeiros. Para assegurar a linha de sucessão, o príncipe Guilherme, duque de Clarence, e outros filhos do rei Jorge III, procuraram contrair casamentos rápidos com o objectivo de produzir descendência que pudesse herdar o trono. Guilherme já tinha dez filhos ilegítimos com a popular actriz Dorothea Jordan, mas estes estavam obviamente afastados da linha de sucessão.

Era provável que o parlamento fosse entregar um rendimento considerável a qualquer duque real que se casasse, algo que funcionou como um incentivo adicional para que Guilherme se decidisse a casar. Adelaide era uma princesa de um estado alemão sem importância, mas Guilherme tinha as escolhas limitadas e, depois de não conseguir chegar a acordo com outras candidatas, o seu casamento com Adelaide foi arranjado. O rendimento proposto foi reduzido pelo parlamento, enfurecendo tanto o duque que este chegou a considerar cancelar o casamento. Contudo, Adelaide parecia a candidata ideal: amável, caseira e disposta a aceitar os filhos ilegítimos de Guilherme como parte da família. O acordo foi arranjado e Guilherme escreveu ao seu filho mais velho: "Está condenada, a pobre, inocente, querida e jovem criatura, a ser minha esposa."

Adelaide casou-se com Guilherme num casamento duplo com o irmão de Guilherme, o príncipe Eduardo, duque de Kent e da sua noiva, a princesa Vitória de Saxe-Coburgo-Saalfeld (irmã do príncipe Leopoldo, viúvo da princesa Carlota de Gales), no dia 11 de Julho de 1818, no Palácio de Kew em Surrey. Os dois só se tinham conhecido cerca de uma semana antes, no dia 4 de Julho, no Grillion Hotel em Bond Street. Nem Guilherme nem Adelaide se tinham casado antes e Guilherme era vinte e sete anos mais velho.

Apesar das circunstâncias pouco românticas, o casal instalou-se amigavelmente em Hanôver, onde o custo de vida era muito mais baixo do que em Inglaterra, e, segundo testemunhos, eram devotos um ao outro ao longo de todo o casamento. Adelaide melhorou o comportamento de Guilherme: o duque passou a beber menos, a dizer menos palavrões e a tornar-se mais delicado. Os observadores achavam-nos frugais, e que o seu estilo de vida era simples, até aborrecido. Guilherme acabou por aceitar o aumento reduzido do seu rendimento votado pelo parlamento.

Enquanto estava no continente, Adelaide engravidou, mas ao sétimo mês de gravidez adoeceu de pleurisia que fez com que desse à luz prematuramente. A sua filha, Carlota, viveu apenas durante algumas horas. No mesmo ano, Adelaide ficou grávida novamente, o que levou Guilherme a fazer planos para se mudar para Inglaterra para que o seu herdeiro nascesse em solo britânico, mas a sua esposa acabou por abortar em Calais, a meio da viagem, no dia 5 de Setembro de 1819. No ano seguinte, Adelaide engravidou mais uma vez, tendo uma segunda filha, Isabel, em Dezembro de 1820. Isabel parecia forte a princípio, mas morreu com apenas quatro meses de idade de "inflamação dos intestinos." No fim, Guilherme e Adelaide acabaram por não ter filhos. No dia 8 de Abril de 1822 deu à luz dois gémeos que nasceram mortos, e pode ter tido outra gravidez no mesmo ano.

A princesa Vitória de Kent acabou por ser considerada herdeira de Guilherme, visto que Adelaide não voltou a engravidar, apesar de os rumores sobre tal terem continuado ao longo do reinado de Guilherme, que não tinham qualquer fundamento.

Na altura do seu casamento, Guilherme não era herdeiro presumível do trono, mas chegou a essa posição quando o seu irmão Frederico, duque de Iorque, morreu em 1827 sem descendentes. Dada a pouca probabilidade de os seus irmãos mais velhos terem filhos e a relativa juventude e boa saúde de Guilherme, tornou-se extremamente provável que ele viesse a tornar-se rei a seu tempo. Em 1830, após a morte do seu irmão Jorge IV, Guilherme subiu ao trono. Uma das suas primeiras acções foi entregar a responsabilidade de Bushy Park (que tinha sido exercida por ele durante trinta e três anos) à rainha Adelaide. Isto permitiu que Adelaide pudesse continuar a viver lá para o resto da vida. O rei e a rainha foram coroados no dia 8 de Setembro de 1831 na Abadia de Westminster. Adelaide era profundamente religiosa e levou a missa muito a sério. Guilherme desprezou a cerimónia e portou-se como "uma personagem de uma ópera cómica" durante toda ela, possivelmente de propósito, zombando aquilo que considerava ser uma charada ridícula. De todos os convidados, apenas Adelaide foi elogiada pela sua "dignidade, tranquilidade e graça característica".

Adelaide era adorada pelo povo britânico pela sua religiosidade, modéstia, caridade e a sua trágica história de gravidezes. Uma grande parte do seu rendimento ia para a caridade. Também tratava a jovem princesa Vitória de Kent (herdeira de Guilherme que depois se tornaria na rainha Vitória) com gentileza, apesar da sua incapacidade em produzir um herdeiro e da guerra aberta que existia entre o seu marido e a mãe de Vitória. Recusou-se a ter mulheres de honra questionável na sua corte. O sacristão Charles Greville do conselho privado escreveu sobre ela: “a rainha é puritana e recusa-se a receber senhoras come décolletées nas suas festas. Jorge IV, que gostava muito desse tipo de coisas, não as deixava aparecer cobertas.”

Adelaide tentou influenciar o rei politicamente, embora não tivesse tido sucesso. Nunca falou de política em público, no entanto, era fortemente conservadora. Não se sabe ao certo se a mudança de atitude de Guilherme durante a aprovação da Lei de Reforma de 1832 se deveram à sua influência. A imprensa, o público e os membros da corte assumiram que a rainha andava a agitar-se em segredo contra a reforma, mas ela tinha o cuidado de não se consignar demasiado em público. Como resultado da sua parcialidade, ficou pouco popular entre os reformadores. Pouco depois começaram a circular rumores de que a rainha estava a ter um caso amoroso com o seu Lord Chamberlain, o conservador Lord Howe, mas quase todos na corte sabiam que Adelaide era extremamente religiosa e que sempre foi fiel ao marido. O primeiro-ministro liberal, Lord Grey, retirou Lord Howe da casa de Adelaide. As tentativas para o voltar a admitir depois da lei de reforma ter passado não tiveram sucesso, uma vez que Lord Grey e Lord Howe não chegaram a acordo quanto à independência que o último poderia ter do governo.

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