Neste Dia

Ademir de Menezes

Futebolista brasileiro

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Ademir Marques de Menezes (Recife, 8 de novembro de 1921 – Rio de Janeiro, 11 de maio de 1996) foi um futebolista brasileiro que atuou como atacante. Foi o primeiro jogador a marcar um gol na Copa do Mundo de 1950.

Apelidado de "Queixada" por conta do queixo avantajado, Ademir foi um idolatrado artilheiro revelado pelo Sport, para muitos o maior jogador a carregar no peito a Cruz de Malta e o escudo do Leão da Ilha, símbolos do Vasco da Gama e do Sport, respectivamente. E um dos maiores atacantes da história do Fluminense.

É considerado um dos maiores jogadores da história do futebol mundial. Atacante rápido, dava arrancadas impressionantes, armava as jogadas e aparecia para concluir. Foi o primeiro grande exemplo do que passou a ser chamado de “Ponta de Lança”.

Foi o maior ídolo do Vasco da Gama até o surgimento de Roberto Dinamite. Liderando o memorável "Expresso da Vitória", realizou 301 gols com a camisa cruzmaltina, e foi por décadas o maior artilheiro do clube.

Com nove gols marcados na Copa do Mundo de 1950, é o maior artilheiro da história da Seleção Brasileira numa única Copa do Mundo FIFA, e, ao lado do também pernambucano Vavá e de Jairzinho — e atrás apenas de Ronaldo e Pelé —, o terceiro maior artilheiro do Brasil em certames mundiais de Seleções.

Ademir lamentava a ausência do torneio devido à Segunda Guerra Mundial, que causou um hiato de doze anos sem a competição; o jogador brilhou no Campeonato Carioca de 1946 pelo Fluminense, ano em que haveria uma Copa do Mundo não fosse o conflito militar. “Deem-me Ademir que eu lhes darei o campeonato”, foi a lendária frase dita por Gentil Cardoso, técnico do Fluminense antes da disputa do certame.

Foi referenciado pelo poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto no poema "A Ademir Menezes", publicado na obra Museu de Tudo de 1975.

Filho do casal pernambucano Antônio Rodrigues Menezes e Otília Marques Menezes, Ademir iniciou sua carreira de futebolista nas peladas na Praia do Pina, localizada na zona sul da capital pernambucana, onde nasceu. Em 1938 jogou no infanto-juvenil do Sport. Com seu talento no futebol, conquistou os títulos pernambucanos de 1938 e 1939 da categoria. Não demorou muito e o garoto foi promovido à equipe principal. Estreou no elenco profissional em 1939, aos 16 anos de idade, em um jogo contra o extinto Tramways pelo Campeonato Pernambucano. Aos poucos começou a ganhar espaço na equipe principal. Disputou vários amistosos como titular do time. Em 1940, apesar de ter participado de diversas partidas, na grande maioria delas entrou como suplente. Em 1941 decidiu mostrar todo seu talento para o futebol. O Sport foi campeão estadual invicto com 11 vitórias e um empate em 12 jogos, e Ademir tornou-se o artilheiro do time e da competição com 11 gols, um feito notável para um jovem de apenas 18 anos. Mesmo com pouca idade, conquistou a titularidade absoluta e o status de craque do time. Levantou a taça do Pernambucano. Foi neste campeonato que Ademir fez seu único hat-trick com a camisa rubro-negra. A vítima foi o Náutico, numa goleada por 8–1. No ano seguinte, o Sport partiu para sua excursão no Sul e Sudeste do Brasil, jogando no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e vencendo times de grande importância do futebol nacional. Esta excursão ficou marcada na história do clube pernambucano pelos excepcionais resultados obtidos pelo "Leão da Ilha", inclusive contra o Vasco da Gama. Ademir marcou três gols e deu uma assistência. A partida terminou Sport 5–3 Vasco da Gama, chamando a atenção dos dirigentes vascaínos para o “garoto de queixo avantajado”. Após grande exibição contra o Gigante da Colina, os dirigentes contrataram a jovem revelação pernambucana. Após contratação do Cruzmaltino, Ademir jogou dois jogos de despedida pelo Sport e partiu para o Rio de Janeiro, onde participou de um dos maiores times da história do Vasco: conhecido como o "Expresso da Vitória". Alcunha teria surgido num programa de rádio, quando um cantor disse que dedicaria a música ao Vasco, o chamando de "Expresso da Vitória", pela maneira que ganhava atropelando seus adversários.

Em 1942 chega ao Vasco e em suas primeiras partidas pelo Gigante da Colina, mostrou que realmente era um jogador a frente do seu tempo. Não só finalizava bem dentro e fora da área com as duas pernas como também criava jogadas para os companheiros e chamava a marcação para si. Ademir guardava em sua memória os gestos, caretas e movimentos dos zagueiros que enfrentava. Razão: através dessas observações ele sabia quais eram seus pontos fracos e triunfava sobre eles, como ele mesmo falou:

A estreia do Queixada foi contra o América-RJ no campo do Botafogo, em março de 1942. Estava em disputa o Troféu da Paz e o Vasco o conquistou ao vencer por 2–1, gols de Viladônica (2) e Nelsinho para os rubros. A partir de então, os confrontos envolvendo Vasco e América ficaram sendo conhecidos como Clássico da Paz.

O Cruzmaltino estava há oito anos sem vencer o maior torneio da época, e em sua primeira passagem pelo Gigante da Colina (1942-1945) conquistou o Campeonato Carioca de Futebol de 1945 invicto, o Torneio Relâmpago em 1944 e o Torneio Municipal de 1944 e 1945. Após ano vitorioso, é contratado pelo rival Fluminense.

Encantado com o futebol apresentado por Ademir no estadual 1945, o técnico do Fluminense na época, Gentil Cardoso - pensando na temporada seguinte -, desafiou os dirigentes do Tricolor das Laranjeiras ao dizer: “Deem-me Ademir que eu lhes darei o campeonato”. Embora esta frase não tenha sido dita desta maneira, o que Gentil queria mesmo era contar com o “Queixada” no seu time. No dia 29 de março, o Globo Esportivo divulgava os valores incríveis da negociação. Foram 35 mil cruzeiros pelo passe, 80 mil de luvas e mais 85 mil arrecadados por sócios mais endinheirados do Fluzão. O valor total era de 200 mil, o preço de um apartamento de três quartos na Zona Sul carioca na época.

O grande atacante, não tinha passe fixo e não havia recebido um tostão do prêmio extra do caneco de 1945 do Vasco, foi para o Fluzão e chegava para um breve e vitorioso período no Tricolor das Laranjeiras, entre 1946 e 1947. E para a alegria dos tricolores, barbarizou.

Jogando ao lado de craques como Pedro Amorim, Careca, Orlando Pingo de Ouro e Rodrigues, não deu outra. Ademir ajudou o Fluminense na conquista do estadual de 1946, sendo decisivo na conquista de um dos campeonatos mais emocionantes da história. Foram 24 gols em 23 jogos e foi um dos responsáveis pela marca de 97 gols anotados pelo Flu na campanha do título carioca de 1946, conquistado com uma vitória por 1–0 sobre o Botafogo com gol, claro, do "Queixada". No final do jogo, o craque foi para os braços da torcida e arrancou lágrimas do técnico Gentil Cardoso, que via o artista que ele tanto queria cumprir a promessa do título. Durante a campanha, Ademir teve tempo, também, de dar uma “cutucada” no Vasco ao fazer o gol da vitória por 2–0 no primeiro clássico após sua saída de São Januário, que teve muitas vaias por parte da torcida cruzmaltina, mas um gol cheio de raiva de Ademir, que partiu com seu rush para cima de Barbosa, driblou o goleiro sem dó e estufou as redes vazias.

O Campeonato Carioca de 1946 é considerado um dos mais emocionantes da história, pois sendo disputado por pontos corridos terminou com quatro equipes empatadas em primeiro lugar, sendo necessária uma disputa extra entre eles que ficou conhecida como Supercampeonato (em 1958 o Campeonato Carioca ficou conhecido como Supersupercampeonato, pois houve duas disputas extras necessárias).

Uma curiosidade foi contada pelo Ademilson Marques de Menezes, irmão do "Queixada", afirmando que Ademir antes de jogar no Vasco era tricolor.

Se a frase dita pelo irmão de Ademir era verdadeira ou mentirosa, isso já não importava mais. O amor pela Cruz de Malta o traria de volta para São Januário em 1948.

De volta ao "Expresso da Vitória", viu um time embalado, entrosado, encaixado e jogando com maestria. A equipe tinha um padrão de jogo fantástico e simplesmente atropelava seus adversários com uma qualidade impressionante para a época. O troféu de boas-vindas do craque foi o melhor e um dos mais importantes do clube: o Campeonato Sul-Americano de Campeões de clubes, num empate em 0–0 com o River Plate de Alfredo Di Stéfano. Título equivalente ao da Copa Libertadores da América atual. Ademir deixou sua marca na goleada sobre o Nacional-URU, mas acabou machucando o tornozelo e ficou de fora das partidas seguintes que consolidaram a histórica conquista internacional do clube carioca.

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