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Adolf Eichmann

SS-Obersturmbannführer da Alemanha Nazista

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Otto Adolf Eichmann (pronunciado [ˈɔto ˈaːdɔlf ˈaɪ̯çman]; Solingen, 19 de março de 1906 – Ramla, 1 de junho de 1962) foi um SS-Obersturmbannführer (tenente-coronel) da Alemanha Nazista, e um dos principais organizadores do Holocausto. Eichmann foi designado pelo SS-Obergruppenführer (general/tenente-general) Reinhard Heydrich para gerir a logística das deportações em massa dos judeus para os guetos e campos de extermínio das zonas ocupadas pelos alemães no Leste Europeu durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1960, foi capturado na Argentina pela Mossad, o serviço secreto de Israel. Após um julgamento de grande publicidade em Israel, foi considerado culpado por crimes de guerra e enforcado em 1962.

Depois de frequentar a escola, onde foi um aluno mediano, Eichmann trabalhou na empresa de mineração do seu pai na Áustria, para onde a família foi viver em 1914. A partir de 1927, trabalhou como técnico comercial da área do petróleo, juntando-se ao Partido Nazista e às SS em 1932. Após regressar à Alemanha em 1933, entrou para o Sicherheitsdienst (SD; Serviço de Segurança), onde foi nomeado para chefe do departamento responsável pelas questões judaicas — em particular a emigração, a qual os nazistas forçaram através da violência e pressão econômica. No início da guerra em setembro de 1939, Eichmann e o seu pessoal concentraram os judeus em guetos nas grandes cidades, esperando que fossem transportados para o leste e para territórios ultramarinos. Eichmann elaborou planos para colocar os judeus em reservas, primeiramente em Nisko no sudeste da Polônia e, mais tarde, em Madagáscar, mas nenhum deles seguiu em frente.

Quando os nazistas deram início à invasão da União Soviética em 1941, a política em relação aos judeus foi alterada passando de emigração para extermínio. Para coordenar o planejamento do genocídio, Heydrich recebeu os responsáveis administrativos do regime na Conferência de Wannsee em 20 de janeiro de 1942. Eichmann reuniu informação para Heydrich, esteve presente na reunião e preparou as minutas. Eichmann e o seu pessoal ficaram responsáveis pela deportação dos judeus para os campos de extermínio, onde as vítimas foram gaseadas. Depois da invasão alemã da Hungria em março de 1944, Eichmann supervisionou a deportação de grande parte da população judia daquele país. Muitas das vítimas foram enviadas para Auschwitz, onde entre 75 e 90 por cento foi executada à chegada. Quando os transportes cessaram em julho de 1944, 437 000 dos 725 000 judeus húngaros tinham sido mortos. O historiador Richard J. Evans estima que entre 5,5 e 6 milhões de judeus tenham sido mortos pelos nazistas. Eichmann afirmou no final da guerra que "daria saltos na sua sepultura de tanto rir porque, sentir que tinha cinco milhões de pessoas na sua consciência, seria para ele uma fonte de extraordinária satisfação".

Depois da derrota da Alemanha em 1945, Eichmann fugiu para a Áustria. Ali viveu até 1950, mudando-se para a Argentina usando documentos falsos. As informações recolhidas pela Mossad possibilitaram confirmar a localização de Eichmann, em 1960. Uma equipe da Mossad e agentes da Shin Bet sequestraram Eichmann e levaram-no para Israel para ser julgado sobre 15 crimes, incluindo crimes de guerra, crimes contra a humanidade e crimes contra o povo judeu. Considerado culpado de muitas das acusações, foi condenado à morte e executado em 1 de junho de 1962. O julgamento foi seguido pelos meios de comunicação e serviu de inspiração para vários livros, incluindo o de Hannah Arendt, Eichmann em Jerusalém, no qual Arendt descreve Eichmann com a frase "a banalidade do mal".

Otto Adolf Eichmann, o mais velho de cinco irmãos, nasceu em 1906, no seio de uma família protestante calvinista, em Solingen, na Alemanha. O seu pai, Adolf Karl Eichmann, era guarda-livros, e a sua mãe Maria Schefferling, era doméstica. Em 1913, o pai de Eichmann mudou-se para Linz, Áustria, para trabalhar como gestor comercial na Companhia de Eléctricos e Electricidade de Linz, e o resto da família juntou-se a ele um ano mais tarde. Depois da morte de Maria (sua mãe) em 1916, o pai de Eichmann se casou com Maria Zawrzel, uma protestante devota com dois filhos.

Eichmann frequentou a Staatsoberrealschule Kaiser Franz Joseph (escola secundária estatal) em Linz, a mesma escola que Adolf Hitler frequentou 17 anos antes. Tocava violino, praticava desporto e fazia parte de clubes, incluindo um grupo Wandervogel de exploradores, constituído por rapazes mais velhos pertencentes a milícias de extrema-direita. Os maus resultados escolares fizeram com que o seu pai o retirasse da Realschule e o inscrevesse no colégio vocacional Höhere Bundeslehranstalt für Elektrotechnik, Maschinenbau und Hochbau. Acabou por sair sem terminar o curso e foi trabalhar para a nova empresa do pai, a Companhia Mineira Untersberg, onde ficou vários meses. Entre 1925 e 1927, trabalhou como administrador de vendas na companhia de rádio Oberösterreichische Elektrobau AG. Em seguida, entre 1927 e inícios de 1933, Eichmann trabalhou na Alta Áustria e Salzburg como agente distrital da Vacuum Oil Company AG.

Durante este período, juntou-se à Jungfrontkämpfervereinigung, a ala jovem do movimento de veteranos de direita de Hermann Hiltl, começando a ler os jornais do Partido Nazi (NSDAP). O partido defendia o fim da República de Weimar Alemanha, a rejeição dos termos do Tratado de Versalhes, anti-semitismo radical, e antiBolchevismo. Prometia um governo central forte, aumento do Lebensraum (espaço vital) para os povos germânicos, formação de uma comunidade baseada na raça, e uma limpeza racial através da supressão dos judeus, os quais veriam retirada a sua cidadania e direitos civis.

Aconselhado por um amigo da família, chefe das Schutzstaffel (SS), Ernst Kaltenbrunner, Eichmann entrou para a delegação austríaca do NSDAP em 1 de abril de 1932, com o número 889 895. A sua associação nas SS foi confirmada, sete meses depois, com o número 45 326. Ficou integrado no regimento SS-Standarte 37, responsável pela vigilância da sede do partido em Linz e pela segurança dos discursadores nos comícios, os quais se tornavam habitualmente violentos. Eichmann tinha actividades partidárias em Linz nos fins-de-semana enquanto continuava a trabalhar na Vacuum Oil em Salzburg.

Uns meses depois da tomada do poder pelos nazis na Alemanha, em janeiro de 1933, Eichmann ficou desempregado devido a cortes de pessoal na Vacuum Oil. O Partido Nazi foi banido na Áustria por volta da mesma altura. Estes acontecimentos foram decisivos na opção de Eichmann regressar à Alemanha.

Tal como outros nacionais-socialistas que deixaram a Áustria na Primavera de 1933, Eichmann partiu para Passau, onde se juntou a Andreas Bolek no seu escritório. Depois de passar por uma programa de formação no centro das SS em Klosterlechfeld em Agosto, Eichmann regressou a Passau em Setembro, onde lhe foi atribuída a chefia de um grupo de oito homens das SS para orientar nacionais-socialistas austríacos para a Alemanha, e introduzir material de propaganda deste país para a Áustria. No final de Dezembro, quando esta unidade foi dissolvida, Eichmann foi promovido a SS-Scharführer (líder de pelotão, equivalente a cabo). O pelotão de Eichmann do Regimento Deutschland estava aquartelado perto do Campo de concentração de Dachau.

Em 1934, Eichmann pediu transferência para o Sicherheitsdienst (SD; Serviço de Segurança) das SS, para sair da "monotonia" do treino e serviço militar em Dachau. Eichmann foi aceite no SD e foi-lhe dada a responsabilidade sobre os assuntos relacionados com a maçonaria, organizando objectos de natureza ritual para um museu. Passados seis meses, Eichmann foi convidado por Leopold von Mildenstein para se juntar ao Departamento Judeu, Secção II/112 do SD, nos escritórios de Berlim. A transferência de Eichmann foi feita em novembro de 1934. Mais tarde referiu que esta transferência tinha sido uma grande oportunidade. Ficou com a responsabilidade de estudar e preparar relatórios acerca do sionismo e das várias organizações judaicas. Aprendeu umas bases de hebreu e iídiche, ganhando a reputação de especialista em sionismo e assuntos judaicos. Em 21 de março de 1935, Eichmann casou com Veronika (Vera) Liebl (1909–97). O casal teve quatro filhos: Klaus (n. 1936 em Berlim), Horst Adolf (n. 1940 em Viena), Dieter Helmut (n. 1942 em Praga) e Ricardo Francisco (n. 1955 em Buenos Aires). Eichmann foi promovido a SS-Hauptscharführer (equivalente a sargento-mor) em 1936, passando a SS-Untersturmführer (segundo-tenente) no ano seguinte.

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