Adriaan Reland (também conhecido como Adriaen Reeland/Reelant, Hadrianus Relandus) (De Rijp, 17 de julho de 1676 — Utrecht, 5 de fevereiro de 1718) foi um erudito, cartógrafo e filólogo orintalista neerlandês. Apesar de nunca ter saído da Holanda, ele fez contribuições significativas para a linguística e a cartografia do Oriente Médio e da Ásia, incluindo a Pérsia, o Japão e a Palestina durante as eras bíblicas (a Terra Santa).
Reland era filho de Johannes Reland, um ministro protestante, e de Aagje Prins, na pequena vila de De Rijp, na Holanda do Norte. O irmão de Adriaan, Peter (1678–1714), era um advogado influente em Haarlem. Reland começou a estudar latim em Amsterdã aos 11 anos e se matriculou na Universidade de Utrecht em 1693, aos 17 anos, para estudar teologia e filosofia. Inicialmente interessado em hebraico e siríaco, mais tarde começou a estudar árabe. Em 1699, após obter seu doutorado em Utrecht com o tratado De libertate philosophandi, Reland mudou-se para Leiden e foi tutor do filho de Hans Willem Bentinck, 1.º Conde de Portland, após ter recusado uma nomeação como professor de línguas orientais no ginásio acadêmico de Lingen “por causa da grande distância de sua terra natal”. O Conde de Portland o convidou para se mudar para a Inglaterra, mas Reland recusou devido à deterioração da saúde de seu pai.
Em 1699, Reland foi nomeado professor de Física e Metafísica na Universidade de Harderwijk. A essa altura, ele já tinha um bom conhecimento de árabe, hebraico e outras línguas semíticas. Em 1701, aos 25 anos, foi nomeado professor de línguas orientais na Universidade de Utrecht. A partir de 1713, ele também lecionou Antiguidades Hebraicas, o que foi ampliado com uma cadeira em Antiguidade Judaica. Reland nunca pôde visitar as regiões que descreveu em suas obras, devido à saúde debilitada de seu pai.
Reland ganhou renome por sua pesquisa em estudos islâmicos e linguística; seu trabalho é um dos primeiros exemplos de linguística comparativa. Além disso, estudou persa e se interessou pela relação dos mitos orientais com o Antigo Testamento. Publicou uma obra sobre os mitos do leste asiático, Dissertationum miscellanearum partes tres, em 1708. Além disso, descobriu a ligação da língua malaia com os dicionários do Pacífico Ocidental de Willem Schouten e Jacob Le Maire.
Pesquisa sobre o Oriente Médio
Reland, por meio da compilação de textos árabes, concluiu o De religione Mohammedica libri duo em 1705. Essa obra, ampliada em 1717, foi considerada a primeira pesquisa objetiva das crenças e práticas islâmicas e rapidamente se tornou uma obra de referência em toda a Europa, tendo sido traduzida para o holandês, inglês, alemão, francês e espanhol.
Reland também pesquisou extensivamente os locais do Oriente Médio e a geografia bíblica, interessando-se pela Palestina. Publicou Antiquitates Sacrae veterum Hebraeorum (1708) e Palaestina ex monumentis veteribus illustrata (1714), em que descreveu e mapeou os povos bíblicos e a geografia antiga da Palestina.
O livro no qual compilou as opiniões de estudiosos do século XVII sobre a adoção do nome "Jeová" para representar o tetragrama YHWH era citado mais de cem anos depois por Wilhelm Gesenius e outros: Decas exercitationum philologicarum de vera pronuntiatione nominis Jehova.
Embora nunca tenha se aventurado além das fronteiras dos Países Baixos, destacou-se também como cartógrafo.
Reland manteve o cargo de professor por toda a vida e, além disso, tornou-se um poeta notável. Em 1718, aos 41 anos, morreu de varíola em Utrecht.
Reland também produziu vários mapas com base em suas pesquisas sobre a geografia da Ásia e do Oriente Próximo. Seu trabalho cartográfico fazia parte de seu interesse acadêmico mais amplo pelas línguas, história e religiões das regiões orientais.
Entre suas obras geográficas, destacava-se um mapa do Império Persa publicado em 1705. O mapa tentava conciliar informações das tradições geográficas persa e árabe com a cartografia europeia existente e apresentava os topônimos persas de forma mais sistemática aos leitores europeus.
Reland também publicou um mapa do Japão em 1715. Ao contrário de muitos mapas europeus contemporâneos, ele se baseava fortemente em fontes geográficas japonesas. O mapa serviu posteriormente de base para o mapa do Japão incluído na História do Japão (1729), de Engelbert Kaempfer.
Além dessas obras, Reland produziu mapas relativos à Palestina e a outras partes da Ásia, refletindo sua tentativa de combinar estudos linguísticos com a reconstrução geográfica de regiões descritas em textos históricos.
Disputatio philosophica inauguralis, De libertate philosophandi. Utrecht 1694 (Digitalizado)
Exercitationis physico-mathematicæ de umbra pars prior. Utrecht 1694 (Digitalizado)
Vindiciarum disquisitionis, de mente non ipsa cogitatione, pars prima. Utrecht 1694 (Digitalizado)
Piae memoriae augustissimae de illustrissimae Britanniarum reginae Mariae Stuart, conjugis desideratissimae potentissimi principis Guiljelmi III. serenissimi magnae Britanniae, Galliae et Hyberniae regis, &c. &c. fidei defensoris fortis, pii, felicis, sacrum. Utrecht 1695 (Digitalizado)