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Afonso d'Escragnolle Taunay

Historiador brasileiro

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Afonso d'Escragnolle Taunay (Nossa Senhora do Desterro, 11 de julho de 1876 – São Paulo, 20 de março de 1958) foi um biógrafo, historiador, ensaísta, lexicógrafo, tradutor, romancista, heráldico e professor brasileiro. Ocupou a cadeira n.º 1 da Academia Brasileira de Letras, para a qual foi eleito em 7 de novembro de 1929.

A Família Taunay, no Brasil, remonta a Nicolas-Antoine Taunay (1755-1830), pintor francês neoclássico, integrante da, assim chamada, Missão Artística Francesa que veio ao Brasil, como pensionista do reino, acompanhando a expedição que trazia a Princesa Leopoldina, em 1816. A chegada da missão ao Rio de Janeiro possibilitou a estruturação e a fundação da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, ainda em 1816, que viria a se tornar, em 1826, a Academia Imperial de Belas Artes (AIBA). Em 1821, recebeu o título de Barão de Taunay de D. João VI, porém descontente com a nomeação de Henrique José da Silva para diretor da Escola Real, retornou para Paris, indicando seu filho, Félix-Emile Taunay, para substituí-lo como professor de pintura de paisagem.

Afonso Taunay nasceu na cidade de Desterro, atual Florianópolis, no Palácio Rosado, sede do governo da província de Santa Catarina. Filho do então presidente da província de Santa Catarina, Alfredo d'Escragnolle Taunay (1843-1899), o visconde de Taunay (título agraciado pelo Imperador em 1888 proposto pelo Visconde de Ouro Preto), e de Cristina Teixeira Leite (1854-1936), filha de Francisco José Teixeira Leite, o barão de Vassouras. O pai de Afonso, o visconde de Taunay, era filho de Félix-Emile Taunay, o 2º Barão de Taunay, e de Gabrielle Herminie de Robert d'Escragnolle, filha de Alexandre-Louis-Marie de Robert, o conde d'Escragnolle, e irmã de Gaston Louis Henri de Robert d'Escragnolle, o barão d'Escragnolle. Sua avó paterna, Gabrielle Herminie de Robert d'Escragnolle, era sobrinha do Visconde de Beaurepaire-Rohan, sendo Afonso Taunay, consequentemente, também descendente de anglo-portugueses.

Afonso passou a infância entre o Rio de Janeiro e Petrópolis, estudou no Colégio Pedro II, onde conheceu João Capistrano de Abreu, seu professor, e após concluir os estudos, foi para engenharia civil da Escola Politécnica do Rio de Janeiro, onde se formou em 1900, e faltando ainda um ano para a conclusão do curso, seu pai faleceu, era 25 de janeiro de 1899.

Mesmo tendo inicialmente seus rumos profissionais encaminhados para a engenharia, já tinha interesse na história, e está tinha lugar privilegiado dentro de si. Taunay contava, por exemplo, que certo dia, ouvia seu pai narrar ao seu avô que na viagem de volta de Mato Grosso ao litoral, perguntou a um tropeiro a respeito da distância que ainda teriam que percorrer até chegarem a Santos e o tropeiro desalentando-o respondeu: quatrocentas léguas. Naquele momento, a conversa dos adultos foi interrompida pelo menino Afonso de sete anos que, admirado, indagou-os: “Sempre no Brasil?” Seu avô sorrindo, respondeu: “Sempre, certamente! Isto não é nada para o Brasil, saiba-o você”. Segundo Taunay, esta resposta o deixou perturbado e, somado às várias histórias de viagem que seu pai lhe contou durante a infância e a adolescência, foi criando “a impressão de mistério”, de “verdadeira fascinação” pela história do povoamento do Brasil. (Recepção do Sr. Afonso Taunay na Academia Brasileira de Letras em 6 de maio de 1930. Discurso do Sr. Afonso Taunay. Discursos Acadêmicos (1927-1932), v. VII, 1937, p. 213.)

Atendendo a um convite de Augusto Carlos da Silva Teles, seu tio e professor da Escola Politécnica de São Paulo, foi nomeado "preparador" de química em 9 de janeiro de 1889 e, em 1901 já ministrava aulas de física e química no curso de Engenheiros Industriais. Em 1902, conheceu o projeto de construção de um ginásio que seria construído, ao lado do Mosteiro de São Bento, através de seu diretor, D. Miguel Kruse. Concluida a obra, já em 1903, Afonso começa a ministrar, paralelamente à universidade, aulas de Física, Química, História do Brasil e História Universal para os alunos do Gymmasio de São Bento. Em 1904, foi efetivado como professor substituto.

Na capital paulista Afonso d'Escragnolle Taunay conheceu Sara de Souza Queiroz (1886-1966), filha de Antônio de Souza Queiroz e de Vitalina Pompeu de Camargo, neta do Barão de Souza Queiroz, com quem casou-se em 1907. Da união, nasceram cinco filhos: Ana d'Escragnolle Taunay, casada com Francisco Pedro Berrettini; Paulo d'Escragnolle Taunay, casado com Kitty Taunay; Maria Egídia d'Escragnolle Taunay; Augusto d'Escragnolle Taunay, casado com Angélica (Lili) Ulhôa Cintra e Clarisse d'Escragnolle Taunay, casada com Pedro Alcântara Taques Horta. Sara de Souza d'Escragnolle Taunay foi sua companheira dedicada, por mais de cinquenta anos, esposa amantíssima que lhe propiciou o apoio necessário para que trabalhasse com tranquilidade

Em 1909, publicou seu primeiro trabalho de vulto no Anuário da Escola Politécnica, Lexico de termos technicos e scientificos, versando sobre um dos seus temas prediletos: os estudos lexicográficos. No ano seguinte, publicou, sob o pseudônimo Sebastião Corte Real, um romance histórico, Chronica do tempo dos Philippes, romance brasileiro seiscentista, que o levou a ser admitido no IHGB - Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e no IHGSP - Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, em 1911, mesmo ano em que passou à cátedra de Física Experimental na Escola Politécnica.

Em reconhecimento ao apoio imprescindível dado à sua admissão como sócio correspondente, para integrar a importante instituição que se dedicou ao desenvolvimento da História como disciplina no Brasil desde o século XIX, Afonso de Taunay escreveu um carta em papel timbrado da Escola Politénica de São Paulo, ao orador e relator da Comissão de História do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro:

Exmo. Sr. Dr. B. F. Ramiz Galvão, Acabo de saber que mereci a subida honra de ser aceito unanimemente sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e como nesta distinção percebo quanto para ela concorreram os termos do parecer que a meu respeito escreveu o Dr. venho trazer-lhe os meus muitos agradecimentos exprimindo-lhe quanto me honro de haver merecido do ilustre escritor e sábio filólogo os elogios que a indulgência lhe ditou. Reiterando-lhe, pois os protestos de minha gratidão, tenho a honra de me assinar do Dr. muito admirador e afetuoso, Afonso de Escragnolle Taunay." (Carta de Afonso de Taunay a Benjamin Franklin Ramiz Galvão, São Paulo, 26 de setembro de 1911, Arquivo do IHGB, Ramiz Galvão, lata 420, pasta 33).

Em 1917, Afonso d'Escragnolle Taunay, foi designado, pelo então presidente do estado, Altino Arantes, para aquele que seria o trabalho de sua vida. Pedindo o afastamento temporário de suas funções na Escola Politechnica como professor, assumiu o cargo de diretor comissionado no Museu Paulista, instituição localizada no Palácio do Alto do Ipiranga, popularmente conhecido como Museu do Ipiranga.

Tinha biblioteca de obras versando quase exclusivamente sobre história, principalmente brasileira, no total de dois mil volumes. Tirando os seus livros de estudo e consulta, não tinha apego aos demais. Pelo contrário, gostava de distribuir os volumes seus, os muitos que recebia e até aqueles que foram de seu pai. Gostava de literatura francesa, desde a mocidade.

Escrevia de manhã, à tarde e à noite, sempre do próprio punho e com letra pouco legível.

Ocupou diversos cargos na administração estadual: foi diretor do Museu Paulista (conhecido como Museu do Ipiranga), entre 1917 e 1945. Reorganizou a biblioteca e o arquivo do Ministério das Relações Exteriores em 1930. De 1934 a 1937 foi professor na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo.

Taunay exerceu funções públicas mais de quarenta e sete anos, como lente da Escola Politécnica de São Paulo e nos últimos vinte e nove anos como diretor do Museu Paulista e seu anexo, o Museu Republicano Convenção de Itú.

Sua atuação no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, na Academia Paulista de Letras, na Academia Portuguesa de História e como correspondente de institutos históricos estaduais, possibilitou a Afonso Taunay grande dedicação aos estudos historiográficos, especialmente ao bandeirismo paulista, ao período colonial brasileiro e à literatura, ciência e arte do Brasil. Teve destaque também como lexicógrafo especializando-se sobretudo na terminologia científica.

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