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Afonso de Albuquerque

Vice-rei da Índia portuguesa

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Afonso de Albuquerque (c. 1452–1462 – Goa, 16 de Dezembro de 1515), cognominado o Grande, o César do Oriente, o Leão dos Mares, o Terribil e o Marte Português, foi um fidalgo, militar e o 2.º governador da Índia Portuguesa, cujas ações militares, religiosas e políticas foram determinantes para o estabelecimento do Império Português no oceano Índico.

Afonso de Albuquerque é reconhecido como um génio militar pelo sucesso da sua estratégia de expansão: procurou fechar todas as passagens navais para o Índico — no Atlântico, mar Vermelho, golfo Pérsico e oceano Pacífico — construindo uma cadeia de fortalezas em pontos-chave para transformar este oceano num mare clausum português, sobrepondo-se ao poder dos otomanos, árabes e seus aliados hindus.

Destacou-se tanto pela ferocidade em batalha como pelos muitos contactos diplomáticos que estabeleceu. Nomeado governador após uma longa carreira militar no Norte de África, em apenas seis anos — os últimos da sua vida — com uma força nunca superior a quatro mil homens logrou estabelecer a capital do Estado Português da Índia em Goa; conquistar Malaca, ponto mais oriental do comércio índico; chegar às ambicionadas "Ilhas das especiarias", as Molucas; dominar Ormuz, entrada do golfo Pérsico; e estabelecer contactos diplomáticos com numerosos reinos da Índia, Etiópia, Reino do Sião, Império Safávida (Pérsia) e até o Império Mingue (China). Adem seria o único ponto estratégico cujo domínio falhou, embora tenha liderado a primeira frota europeia a navegar no mar Vermelho, a montante do estreito Babelmândebe.

Pouco antes da sua morte, segundo algumas fontes, teria sido agraciado com o título de vice-rei pelo rei D. Manuel, que nunca usufruiu; nessa hipótese, teria sido o primeiro português a receber um título de além-mar e o primeiro duque nascido fora da família real. Foi o segundo europeu a fundar uma cidade na Ásia, sendo o primeiro Alexandre, o Grande.

Segundo uma tradição que remonta ao século XVII, Afonso de Albuquerque teria nascido em Alhandra, nos arredores de Lisboa, na quinta do Paraíso, junto ao rio Tejo. No entanto, como aponta a historiadora Alexandra Pelúcia, a referida quinta, durante a segunda metade do século XV, estava na posse dos condes de Penela, pelo que essa tradição resulta desacreditada. É assim mais provável que Afonso de Albuquerque tenha nascido na sede do património de referência de seus ascendentes paternos ou maternos, que se situava, respectivamente, em Vila Verde dos Francos e em Atouguia da Baleia.

Quanto à data de nascimento, se valorizarmos o depoimento do próprio Afonso de Albuquerque, que escreveu, em uma carta datada de 1 de abril de 1512, ter então a idade de 50 anos, deverá ter ocorrido cerca de 1461 ou 1462 — contudo, o arco de possibilidades para essa data abarca o período compreendido entre o início da década de 1440 e a de 1460, pelo que alguns historiadores situaram o seu nascimento em dezembro de 1452 ou no ano de 1453.

Afonso de Albuquerque era o segundo dos quatro filhos de Gonçalo de Albuquerque, 3.º Senhor de Vila Verde dos Francos de juro e herdade, e de sua mulher Leonor de Meneses, filha de Álvaro Gonçalves de Ataíde, 1.º Conde de Atouguia, e de sua mulher Guiomar de Castro. Através de seu pai, que desempenhava um importante cargo na corte, descendia por via natural da família real portuguesa. Foi educado em matemática e latim clássico na corte de D. Afonso V, onde cresceu e travou amizade com príncipe D. João, futuro rei.

Afonso de Albuquerque serviu dez anos no Norte de África, onde adquiriu experiência militar: em 1471 acompanhou D. Afonso V nas conquistas de Tânger, Anafé e Arzila, onde permaneceu alguns anos como Oficial na guarnição. Em 1476, acompanhou o príncipe D. João nas guerras contra Castela, tendo participado na batalha de Toro. Participou na esquadra enviada em 1480 em socorro de Fernando II, rei de Aragão, Sicília e Nápoles «para reprimir o furor dos turcos» de avançar na península Itálica, no golfo de Tarento, em Otranto, que culminaria na vitória dos cristãos em 1481.

Em 1481, quando o príncipe D. João ascendeu ao trono como D. João II, Albuquerque regressou a Portugal e foi nomeado seu estribeiro-mor. Em 1489 retornou ao serviço no norte de África, onde comandou a defesa da fortaleza da Graciosa, situada na ilha que o rio Luco forma junto da cidade de Larache e em 1490 fez parte da guarda de D. João II, tendo regressado a Arzila em 1495, onde o seu irmão mais novo, Martim, morreu lutando a seu lado.

Quando o novo rei D. Manuel ascendeu ao trono mostrou alguma reticência perante Afonso de Albuquerque, íntimo do temido D. João II e dezassete anos mais velho. Em 6 de Abril de 1503, já numa idade madura e com uma longa carreira militar, Afonso de Albuquerque foi enviado na sua primeira expedição à Índia com o primo Francisco de Albuquerque, comandando cada qual três naus onde seguiam também Duarte Pacheco Pereira e Nicolau Coelho. Participaram em várias batalhas contra Calecute, onde sucederam a garantir a segurança no trono ao rajá de Cochim. Em retorno pelos serviços prestados obtiveram a permissão para construir uma fortaleza portuguesa em Cochim que seria o primeiro assentamento europeu na índia e o ponto de partida para a expansão do império no oriente, estabelecendo relações comerciais com Coulão. De regresso ao reino em Julho de 1504 «mais cheio de glórias que de despojos», Afonso de Albuquerque foi bem recebido por D. Manuel.

Capitão-mor da costa da Arábia, 1506-1509

No início de 1506, após ter participado no delinear da estratégia para o oriente, o rei confiou-lhe uma esquadra de cinco navios na armada de dezasseis navios chefiada por Tristão da Cunha com destino à Índia. Seguiam com o objectivo de tomar Socotorá e aí iniciar uma fortaleza, na esperança de fechar o comércio no mar Vermelho, transportando um forte de madeira para apoiar os trabalhos iniciais.

Afonso de Albuquerque seguia como capitão-mor da "costa da Arábia" e "até Moçambique havia de ir debaixo da bandeira de Tristão da Cunha". Levava uma carta com a missão secreta, ordenada pelo rei, de uma vez cumprida a primeira missão substituir o vice-rei D.Francisco de Almeida, que terminaria o mandato dois anos depois. Antes de partir legitimara um filho natural nascido em 1500. E fizera o seu testamento.

Tomada de Socotorá e Ormuz no golfo Pérsico

A 6 de Abril de 1506 as duas armadas partiram de Lisboa. Afonso de Albuquerque seguia pilotando o seu próprio navio, pois o piloto designado desaparecera antes da partida. No canal de Moçambique encontraram João da Nova vindo da Índia, que aí invernava após um rombo no casco do seu navio Frol de la mar. Resgataram-no e à nau, juntando-os à frota. De Melinde, Tristão da Cunha enviou uma expedição portuguesa para a Etiópia, que então se pensava ser mais próxima. A missão incluía o padre João Gomes, João Sanches e o tunisino Sid Mohammed (sem conseguir atravessar por Melinde rumariam a Socotorá, de onde Afonso de Albuquerque conseguiu desembarcá-los em Filuk, perto do Cabo Guardafui.) Após uma série de ataques bem sucedidos às cidades árabes da costa oriental africana, seguiram para Socotorá, onde havia notícia de cristãos, e que tomaram em Agosto de 1507, iniciando uma fortaleza.

Em Socotorá os caminhos dos dois capitães separaram-se: Tristão da Cunha partiu para a Índia, indo apoiar os portugueses cercados em Cananor; Afonso de Albuquerque navegou com uma frota de seis navios e quinhentos homens rumo à ilha de Ormuz no golfo Pérsico, um dos centros chave do comércio no oriente. No percurso conquistaram as cidades de Curiate, Mascate e Corfação, aceitando a submissão das cidades de Kalhat e Soar.

A 25 de setembro de 1507, Albuquerque chegou a Ormuz precedido de uma temível reputação e rapidamente tomou posse da ilha na sequência de uma das maiores batalhas da história da marinha portuguesa, a 27. O rei local concordou tornar-se tributário do rei de Portugal. Passados poucos dias, chegou um enviado da Pérsia que vinha exigir o pagamento de tributo ao xá Ismail I. O emissário persa foi enviado de volta com a resposta de que o tributo seria apenas balas de canhão e armas, começando assim a ligação entre Albuquerque e o xá Ismail I (muitas vezes referido por Xeque Ismael), fundador do Império Safávida.

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