Agência Espacial Brasileira (AEB) é a autarquia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação responsável pelo programa espacial do Brasil. Ela opera um espaçoporto em Alcântara, Maranhão, e uma base de lançamento espacial na Barreira do Inferno, Rio Grande do Norte. A agência deu ao país um papel de destaque no setor aeroespacial na América do Sul e tecnicamente fez do Brasil um parceiro do projeto da Estação Espacial Internacional (EEI). Anteriormente, o programa espacial esteve sob o controle dos militares brasileiros; ele foi transferido para o controle civil em 10 de fevereiro de 1994.
A AEB participa ativamente na disseminação da conhecimento científico no Brasil, colaborando com olimpíadas de conhecimento em diversas escolas e universidades do país, como a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) e a Mostra Brasileira de Foguetes (MOBFOG), nas quais qualquer estudante pode participar.
A AEB sofreu um grande revés em 2003, quando a explosão de um foguete matou 21 técnicos. O Brasil lançou com sucesso o seu primeiro foguete ao espaço em 23 de outubro de 2004, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara; foi um VSB-30 lançado em uma missão suborbital. Este lançamento foi seguido por vários outros bem sucedidos.
Em 30 de março de 2006, o astronauta Marcos Pontes tornou-se o primeiro brasileiro e lusófono a ir ao espaço, onde ficou na EEI por uma semana. Durante a sua viagem, Pontes realizou oito experimentos selecionados pela AEB. Ele pousou no Cazaquistão em 8 de abril de 2006, com a tripulação da Expedição 12.
A Agência Espacial Brasileira tem prosseguido uma política de desenvolvimento conjunto de tecnologia com programas espaciais mais avançados. Inicialmente, houve uma forte tentativa de cooperação com os Estados Unidos, mas depois de dificuldades em termos de transferência tecnológica, o Brasil tentou outros projetos, como parcerias com China, Índia, Rússia e Ucrânia. Desde novembro de 2007, a AEB publica a revista Espaço Brasileiro, com literatura científico-tecnológica pertinentes à ciência espacial.
O então presidente Jânio Quadros em 1960 estabeleceu uma comissão que elaborou um programa nacional para a exploração espacial. Em decorrência deste trabalho, em agosto de 1961 formou-se o Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (GOCNAE), funcionando em São José dos Campos, no estado de São Paulo. Seus pesquisadores participavam de projetos internacionais nas áreas de astronomia, geodésia, geomagnetismo e meteorologia.
O GOCNAE foi em abril de 1971 substituído pelo Instituto de Pesquisas Espaciais, atualmente denominado Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Desde a criação do então Centro Técnico de Aeronáutica (CTA), o atual Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), da Força Aérea Brasileira, em 1946, o País vem acompanhando os progressos internacionais no setor aeroespacial.
Com a criação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), passou-se a dispor de uma instituição plenamente capacitada à formação de recursos humanos altamente qualificados em áreas de tecnologia de ponta. O DCTA, por meio do ITA e do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), desempenham uma função essencial na consolidação do programa espacial brasileiro. No início da década de 1970, foi criada a Comissão Brasileira de Atividades Espaciais (COBAE) - órgão vinculado ao então Estado-Maior General das Forças Armadas (EMFA) - com o objetivo de coordenar e acompanhar a execução do programa espacial.
Em 10 de fevereiro de 1994, o papel coordenador do COBAE foi transferido à Agência Espacial Brasileira, cuja criação representa uma mudança na orientação governamental, ao instituir um órgão de coordenação central do programa espacial, subordinado diretamente à Presidência da República. Com o objetivo de definir e executar a Política Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (PNDAE), elaborar e atualizar os Programas Nacionais de Atividades Espaciais (PNAEs), a AEB foi criada como um órgão civil, com autonomia administrativa e financeira.
Em junho de 1996, foi instituído o Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (Sindae), que consolidou o papel de liderança da AEB na estrutura do programa espacial brasileiro (PEB). O Sindae inclui o INPE, o CLA, o CBLI e o IAE, além do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). O Sistema também conta com centros de ensino superior, como a Universidade de Brasília, Universidade Federal de Minas Gerais e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica), e empresas privadas, como a Alcoa e a Avibras.
O Centro de Lançamento de Alcântara é o principal espaçoporto e o centro operacional da Agência Espacial Brasileira. Ele está localizado no município de Alcântara, no Maranhão. Esta região apresenta alguns requisitos excelentes para este tipo de instalação, como baixa densidade populacional, excelentes condições de segurança e facilidade de acesso aéreo e marítimo.
A construção da base começou em 1982. O primeiro lançamento ocorreu em 21 de fevereiro de 1990, quando o foguete de sondagem Sonda 2 XV-53 foi lançado. Em 22 de agosto de 2003, a explosão do terceiro VLS-1 (XV-03) matou 21 pessoas.
É considerado o centro de lançamento mais bem localizado do mundo por sua proximidade com a linha do equador — Alcântara é a base de lançamento de foguetes mais próxima do equador — e por estar ao lado do oceano, o que permite que veículos sejam lançados para todos os tipos de órbita. Estas características dão ao local de lançamento uma vantagem significativa no lançamento de satélites geoestacionários.
O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno é uma base de lançamento espacial da AEB. Ele está localizado no município de Parnamirim, Rio Grande do Norte.
Foi o primeiro centro de lançamento a ser inaugurado, em 1965, e conta com antenas de telemetria e radar. É usado principalmente para lançar foguetes-sonda, que não ultrapassem 1 tonelada e 10 metros de comprimento, e apoiar o Centro de Lançamento de Alcântara
Os foguetes da família Sonda foram os primeiros foguetes fabricados no Brasil, lançados a partir do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, no estado do Rio Grande do Norte. Os conhecimentos adquiridos com esses foguetes serviram de base para a criação dos motores que iriam compor os estágios do futuro Veículo Lançador de Satélites.
Os foguetes dessa família, são foguetes de sondagem utilizados em missões sub-orbitais de exploração do espaço, capazes de lançar cargas úteis compostas por experimentos científicos e tecnológicos.
O projeto atendia aos dois principais objetivos do planejamento criado pelo GTEPE desde 1964, que eram: criar uma base para lançamento de foguetes de sondagem no Brasil e construir foguetes localmente. Primeiro em parceria com os estrangeiros e paulatinamente envolvendo a indústria privada Brasileira.