Aileen Carol Pittman, conhecida como Aileen Wuornos, (Rochester, 29 de fevereiro de 1956 — Bradford County, 9 de outubro de 2002), foi uma assassina em série e prostituta dos Estados Unidos, condenada por sete assassinatos entre 1989 e 1990. Wuornos afirmava que agiu em legítima defesa, se protegendo quando os clientes tentaram estuprá-la, embora ela constantemente mudasse seus relatos dos acontecimentos. Foi presa em janeiro de 1991 e recebeu seis sentenças de morte, nos julgamentos que decorreram de 1992 a 1993. Wuornos foi executada em outubro de 2002, na Prisão Estadual da Flórida, via injeção letal.
Aileen Carol Pittman nasceu em Rochester, Michigan, EUA, em 29 de fevereiro de 1956. Filha de Diane Wuornos e Leo Dale Pittman (que casaram dois anos antes de ela nascer), era o segundo filho do casal, sendo Keith o primeiro, nascido em fevereiro de 1955.
Quando Aileen nasceu, Leo estava preso por ter estuprado e assassinado uma menina de 7 anos. Leo Pittman foi preso em 1969 e se suicidou. Aileen nunca o conheceu. Em 1960, Diane deixou os filhos aos cuidados dos avós maternos, Lauri e Brita Wuornos.
Aos seis anos, Aileen teve seu rosto deformado após ser queimada com fluido de um isqueiro, numa brincadeira com seu irmão. Aos 11, Aileen começou a praticar atos sexuais, às vezes com o próprio irmão, em troca de comida e drogas. Durante sua infância, foi abusada sexualmente por seu avô, que a obrigava a tirar a roupa e depois a espancava. Em 1970, com 14 anos, Aileen engravidou após ser estuprada por um amigo do avô e deu à luz, mas entregou o bebê para adoção. Algum tempo depois, largou a escola e sua avó morreu. Em 1971, aos 15 anos, foi expulsa de casa e começou a se prostituir.
Em 27 de maio de 1974, Aileen, sob o nome de Sandra Kretsch, foi presa no Condado de Jefferson por dirigir alcoolizada, conduta desordeira (ficar embriagada em público) e atirar em um veículo, mas não compareceu ao julgamento. Dois anos depois, conheceu Lewis Gratz, dono de um clube de iate, com quem casou. Wuornos continuava a se envolver em brigas de bar e foi presa. Ela bateu em Gratz com a bengala dele e teve uma ordem de restrição. Em julho de 1976 Wuornos voltou a Michigan e foi presa por agressão e por ter atirado uma bola de sinuca na cabeça de um bartender. No dia 17, Keith morreu de câncer no esôfago e Aileen recebeu 10 mil dólares do seu seguro de vida. No dia 21, seu casamento com Gratz foi anulado.
Em 20 de maio de 1981, Wuornos foi detida em Edgewater, Flórida, por assalto armado a uma loja de conveniência. Ela foi presa em 4 de maio de 1982 e liberada em 30 de junho de 1983. Um ano depois, foi detida por usar cheques fraudados e, em novembro de 1985, se tornou suspeita de um roubo de um revólver e munição no Condado de Pasco.
Em janeiro de 1986, foi presa, sob o nome de Lori Grody, por roubo de carro e obstrução de justiça. A polícia de Miami encontrou um revólver calibre .38 e uma caixa de munição no carro roubado. Em junho, foi detida por ter apontado uma arma para um carro e pedido 200 dólares. A polícia encontrou uma pistola .22 no seu carro.
Nesse meio tempo, Aileen conheceu Tyria Moore em um bar gay de Daytona Beach. Elas começaram a namorar e foram morar juntas, Aileen as sustentava com dinheiro da prostituição. Em julho de 1987, elas foram detidas por agressão. Um ano depois, Aileen acusou um motorista de ônibus de agressão.
A partir de 1989, Aileen começou a pegar carona pela Flórida como prostituta. Em 13 de dezembro do mesmo ano, o corpo de Richard Mallory foi encontrado numa interestadual em Volusia. Ele fora baleado três vezes e enrolado em um tapete. Em 1.º de junho de 1990, a polícia encontrou o corpo de David Spears. No dia 6, o corpo de Charles Carskadoon. No dia 7, encontraram o carro de Peter Siems, com os vidros quebrados e sangue nos bancos. Em 4 de agosto, o corpo de Troy Eugene Burress foi encontrado na Floresta Nacional de Ocala. A polícia também encontrou o corpo de Charles Richard em 12 de setembro, e o de Walter Gina Antonio em 19 de novembro. Todos os corpos eram de homens com idade de 40 a 65 anos, encontrados na mesma região e baleados com um revólver calibre .22.
A polícia então, pensando que poderiam estar com um assassino em série à solta, reviram o ocorrido em 4 de julho de 1990: Rhonda Bailey relatou ao bombeiro Hubert Hewet que vira um acidente de carro na frente de sua casa, duas mulheres, uma morena e outra loira ferida no braço, desceram discutindo. Rhonda oferecera ajuda, mas elas negaram, e saíram caminhando. Rhonda chamou o socorro. Hewet avisou o xerife de Marion, Steve Binegar, que investigou de quem era o carro: Peter Siems, desaparecido desde julho. Binegar divulgou o retrato falado das duas suspeitas à imprensa, e recebeu várias pistas: um homem disse que duas mulheres, Tyria Moore e Lee, alugaram um de seus trailers no ano anterior; a dona de um hotel disse que Tyria e Susan Blahovec trabalharam para ela; uma pessoa não identificada disse que Tyria e Susan eram uma dupla.
A polícia de Port Orange traçou o movimento de Lee e Tyria. Elas haviam ficado no Fairview Motel em Harbor Oaks, onde Lee se registrou como Cammie Marsh Greene. A polícia checou as licenças de motorista de Lee/Cammie/Susan e Tyria. Depois, verificou os recibos em lojas de penhores: Cammie assinara um recibo e dera a impressão digital em Daytona, ao deixar uma câmera e um radar (de Richard Mallory) em dezembro de 1989; penhoraram o anel de Walter Gino em dezembro de 1990; a mala de ferramentas de David Spears foi encontrada em Ormons Beach. A polícia procurou a digital deixada na loja de penhores e a localizaram em um nadado contra Lori Grody. Sua digital combinava com a impressão encontrada no carro de Peter Siems. O Centro Nacional de Informação Criminal descobriu que Susan Blahovec, Cammie Marsh Greene e Lori Grody eram pseudônimos de Aileen Wuornos.
Em 5 de janeiro de 1991, a polícia colocou investigadores disfarçados de traficantes em localidades do Estado da Flórida. Eles encontraram Aileen Wuornos em um pub de Port Orange, no Condado de Volusia, na Flórida. Quatro dias depois, no dia 9 de janeiro, Aileen foi presa no pub The Last Resort, com um mandado contra Lori Grody.
Tyria Moore foi localizada alguns dias depois, em Pittston, na Pennsylvania. Ela depôs em troca de imunidade. Tyria, que sabia de todos os assassinatos de Alieen, conversou, instruída pela polícia, por telefonemas com ela, esperando conseguir confissão.
A primeira ligação ocorreu em 14 de janeiro de 1991. Aileen achava que havia sido presa por violação de uso de armas sob o nome de Lori Grody. Depois de alguns dias e telefonemas, Aileen acabou sendo descuidada em suas conversas, chegando a falar que Tyra poderia falar para a polícia toda a verdade sobre os crimes, para que Tyria não fosse presa.
Os policiais descobriram um armazém alugado por Aileen, onde encontraram ferramentas de David Spears e Walter Gino Antonio, além de uma câmera e do barbeador de Richard Mallory. Confrontada sobre essas provas, Aileen confessou em 16 de janeiro de 1991, alegando que Tyria era inocente. Aileen, no entanto, alegou ter matado por legítima defesa e, depois de ser estuprada pelos homens.
Em razão da notoriedade dos crimes e da cobertura da mídia, Aileen tinha destaque. Quanto mais famosa se sentia, mais crimes confessava. Em razão das coberturas jornalísticas, Aileen Wuornos tornou-se centro das atenções. Arlene Pralle, uma criadora de cavalos, tomando conhecimento da história da Aileen nos jornais, enviou-a uma carta, escrevendo que seguia as ordens de Jesus para tentar defendê-la. Em 30 de janeiro, Aileen ligou para Arlene, que virou sua defensora e grande amiga. Pralle deu várias entrevistas, dizendo que Wuornos era boa e pura, enfatizando os problemas que Aileen tivera durante sua infância. Em novembro de 1991, Arlene Pralle e seu marido adotaram Aileen Wuornos em um Programa
Em 14 de janeiro de 1992, Aileen foi a julgamento acusada de matar Richard Mallory. As provas da acusação eram sólidas. Em seu testemunho, Tyria disse que Aileen não parecera muito abalada quando lhe contara do assassinato.