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Albert Speer

Arquiteto e Ministro do Armamento da Alemanha nazista

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Berthold Konrad Hermann Albert Speer (Mannheim, 19 de março de 1905 – Londres, 1 de setembro de 1981) foi o arquiteto-chefe e ministro do Armamento da Alemanha Nazista. Conhecido como "o bom nazista" — um retrato que posteriormente se revelou falso — ele assumiu todas as responsabilidades por atos que teria cometido durante o regime nazi nos Julgamentos de Nuremberga.

Speer entrou para o Partido Nazista em 1931. Com grande talento na arquitetura, rapidamente se tornou uma das pessoas mais próximas de Hitler. O ditador designou Speer para a construção de diversas obras, incluindo a Chancelaria do Reich. Speer também fez planos para a reconstrução de Berlim, com grandes edifícios, amplas alamedas e renovação do sistema de transporte.

Como Ministro do Armamento, Speer foi responsável pela grande produtividade da Alemanha neste setor nos anos finais da Segunda Guerra Mundial. Em 1946, ele foi julgado em Nuremberga e sentenciado a 20 anos de prisão por sua participação no regime nazista, principalmente pelo uso de trabalho escravo nos campos de concentração. Ele serviu a maior parte de sua sentença na prisão de Spandau, na Berlim Ocidental.

Após sair de Spandau em 1966, Speer publicou dois best-sellers autobiográficos: Por Dentro do III Reich e Spandau – O Diário Secreto, detalhando seu relacionamento com Hitler e fornecendo histórias desconhecidas sobre o Terceiro Reich. Ele ainda escreveu um terceiro livro, Infiltration, sobre a Schutzstaffel. Speer morreu de causas naturais no ano de 1981, em uma visita a Londres.

Speer nasceu em Mannheim, na Alemanha, em uma família de classe média. Era o segundo dos três filhos de Albert e Luise Speer. Temendo uma derrota na Primeira Guerra Mundial, em 1918 a família se mudou para Heidelberg. Em sua adolescência, Speer sofreu de problemas neuro-vasculares, o que o fazia se sentir em posição de inferioridade em relação a seus irmãos. Aos 16 anos, Speer queria ser matemático, mas seu pai foi contra a ideia, dizendo que esta carreira o levaria a uma vida sem dinheiro, sem posição e sem futuro. Speer decidiu então seguir os passos de seu pai e de seu avô, estudando arquitetura.

Speer começou seus estudos no Universidade de Karlsruhe ao invés de uma instituição com maior reconhecimento, por causa da hiperinflação de 1923, que limitou a renda de seus pais, obrigando a família a vender imóveis e joias para garantir os estudos de Albert e manter seu padrão de vida. Em 1924, quando a crise se apaziguou, ele se transferiu para a aclamada Universidade Técnica de Munique. Em 1925, mudou novamente de universidade, indo para a Universidade de Berlim, onde estudou sob a supervisão de Heinrich Tessenow, professor por quem Speer tinha grande admiração. Após passar nas provas de 1927, Speer se tornou assistente de Tessenow, posição que Speer considerou de grande privilégio. Em Berlim, Speer conheceu Rudolf Wolters, que também havia estudado na classe de Tessenow. Com Wolters, Speer desenvolveu uma amizade que durou por mais de 50 anos.

No verão de 1922, Speer começou um relacionamento com Margarete Weber (1905–1987). Inicialmente a relação não agradou à mãe de Speer, que considerava a família Weber como socialmente inferior à sua. Mesmo com a oposição, os dois se casaram em Berlim em 28 de agosto de 1928.

Entrada no Partido (1930–1934)

Speer afirmava ser apolítico em sua juventude, até participar de um desfile nazi, seguido de um discurso de Hitler em dezembro de 1930 em Berlim. Ele ficou surpreso ao encontrar Hitler em um traje azul ao invés do tradicional uniforme marrom que era visto em pôsteres de propaganda nazista. Também chamaram a atenção de Speer as propostas de Hitler para a Alemanha e a maneira com que elas eram passadas ao povo. Algumas semanas depois, Speer participou de outro desfile, desta vez liderado por Joseph Goebbels. Speer ficou perturbado com a facilidade que Goebbels tinha para levar a plateia ao estado de frenesi. Apesar disso, Speer decidiu entrar para o Partido Nazista em 1 de março de 1931, tornando-se o membro 474 481.

A primeira função de Speer dentro do partido foi liderar a NSKK no subúrbio de Wannsee; ele era a única pessoa na sua cidade com carro e era o responsável por transportar membros do partido que estavam na localidade.

Em 1931, Speer desistiu de ser assistente de Tessenow para cortar gastos e se mudar para Mannheim. Em julho de 1932, Speer visitou Berlim para ajudar o partido na véspera das eleições para o Reichstag. Ao chegar na cidade, Karl Hanke, militar reconhecido e de grande influência no partido, recomendou o jovem arquiteto a Goebbels para ajudar a renovar a sede do partido. Quando o trabalho foi concluído, Speer retornou para Mannheim e permaneceu lá até Hitler tomar posse em janeiro de 1933.

Em março de 1933, Hanke chamou novamente Speer para Berlim para fazer um trabalho para um membro de alto escalão do partido. Na sua chegada, ficou surpreso ao saber que Goebbels, o novo Ministro da Propaganda, o tinha designado para renovar o prédio da Propagandaministerium em Wilhelmplatz. Ao fim do trabalho, Speer visitou Hanke e viu o projeto do desfile do Dia do Trabalhador em Berlim. Albert ficou decepcionado com a ideia e disse a Hanke que ele poderia fazer melhor. Speer começou do zero o planejamento, montando uma grande tribuna por trás de três grandes bandeiras, sendo a do meio uma suástica estendida em um mastro maior que um prédio de dez pavimentos. O projeto agradou a Hanke e foi aprovado por Rudolf Hess.

Ganhando reconhecimento, os organizadores da reunião do NSDAP de 1933 pediram para Speer enviar sugestões para a organização do evento, o levando então a seu primeiro contato pessoal com Hitler. Nem os organizadores, nem Hess estavam dispostos a aprovar o projeto de Speer. Hess decidiu enviar Speer para se encontrar com Hitler em seu apartamento na cidade de Munique, para tentar a aprovação do Führer. Quando Speer entrou, Hitler estava ocupado limpando uma pistola. Olhando rapidamente para o projeto, Hitler aprovou sem sequer olhar para o jovem arquiteto. Este trabalho fez com que Speer ganhasse o posto de "Consultor de questões técnicas e artísticas para desfiles do Partido".

O grande trabalho seguinte para Speer foi a ligação entre edifícios comerciais para a pretendida renovação da chancelaria coordenada por Paul Troost. Hitler procurava Speer e seu assistente quase todos os dias para perguntar sobre os progressos e renovações pretendidas para a obra. Após uma conversa, Hitler convidou Speer para almoçar, oportunidade que o arquiteto considerou de grande emoção. Hitler deixou claro o interesse que tinha em Speer, e disse que ele estava procurando por um jovem arquiteto capaz de realizar seus sonhos e projetos para a nova Alemanha. Com isso, Speer rapidamente entrou no restrito círculo de amizades de Hitler. Albert jantava semanalmente com Hitler e eles discutiam questões sobre arquitetura e ideias para a construção de novos prédios.

O ambicioso jovem ficou impressionado com sua rápida ascensão dentro do partido, o que lhe garantia maiores regalias dentro do NSDAP. Além disso, Hitler deixou claro em uma conversa que no dia em que ele morresse, Speer teria as qualidades necessárias para ser seu sucessor. Speer testemunhou em Nuremberg: "Eu pertencia a um grupo que consistia em artistas e outros altos escalões. Se Hitler teve algum amigo, eu certamente estava entre seus mais próximos".

Primeiro arquiteto do Terceiro Reich (1934–1939)

Quando Troost morreu em 21 de janeiro de 1934, Speer foi efetivado oficialmente como chefe de arquitetura do Partido Nazi. Hitler apontou Speer para trabalhar na equipe de Hess.

Um dos primeiros trabalhos de Speer após a morte de Troost foi o Zeppelinfeld, um estádio em Nuremberga que foi usado para desfiles e apresentado no filme de propaganda Triumph des Willens, de Leni Riefenstahl. O estádio foi designado para receber 340 000 pessoas. A tribuna criada por Speer teve influência direta do Altar de Pérgamo em Anatólia, mas em maior escala. Speer insistia em realizar os eventos neste estádio somente à noite, para dar destaque ao renovador efeito de luz criado por ele. Speer cercou o local com 130 luzes de defesa antiaérea, à distância de doze metros uma da outra, criando feixes luminosos no céu. O efeito nunca antes visto, foi chamado de "Catedral de Luzes" ou, como era chamada pelo embaixador britânico Sir Neville Henderson, "catedral de gelo". Speer descreveu este como o seu mais belo trabalho. A ideia foi em primeiro momento rejeitada por Hermann Göring, visto que ele teria que ceder as luzes da Luftwaffe. Hitler argumentou dizendo que "as outras nações vão achar que a Alemanha tem de sobra essas luzes, portanto, ceda elas para o projeto do Speer".

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