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Alberto Fernández

Presidente da Argentina (2019–2023)

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Alberto Ángel Fernández (Buenos Aires, 2 de abril de 1959) é um político, advogado e professor argentino que serviu como Presidente da Argentina de 2019 a 2023. Filiado ao Partido Justicialista, Fernández foi eleito no primeiro turno da eleição de 2019 obtendo 48,24% dos votos derrotando o presidente Mauricio Macri, que tentava reeleição. Foi empossado no cargo em 10 de dezembro de 2019 juntamente com sua vice, a ex-presidente Cristina Kirchner. Foi sucedido na presidência por Javier Milei em 10 de dezembro de 2023.

Graduado em Direito, Fernández trabalhou como advogado e professor de Direito Penal na Universidade de Buenos Aires, função que passou a desempenhar em 1983. Interessado pela política desde a juventude, participou do governo de Carlos Menem e foi vereador de Buenos Aires por um mandato, entre 2000 e 2003. De 2003 a 2008, Fernández foi chefe de Gabinete da Nação Argentina, ocupando o cargo durante toda a presidência de Néstor Kirchner e parte da presidência de Cristina. Posteriormente, tornou-se crítico do governo kirchnerista, motivo pelo qual a renúncia de Cristina em ser candidata a presidente em 2019 e a escolha de Fernández como seu companheiro de chapa foi considerada surpreendente.

Membro do Partido Justicialista, de orientação Peronista, Fernández foi o candidato do partido eleição presidencial na Argentina em 2019 e derrubou o presidente incumbente Mauricio Macri com 48% dos votos (dois milhões de votos a mais que seu concorrente). Sua posição política foi descrita como de esquerda. Os primeiros dois anos de sua presidência foram limitados pela pandemia de COVID-19 na Argentina, durante a qual ele impôs medidas rigorosas de lockdown para suprimir a propagação da doença. Ele herdeou ainda do seu predecessor uma crise cambial severa. Embora a economia tenha recuperado em 2021–22, a inflação piorou e superou a marca de 100% (o índice mais alto desde 1991). A deterioração do quadro econômico afetou sua popularidade negativamente, que permaneceu extremamente baixa durante todo o seu mandato, com o número de argentinos que desaprovavam sua administração variando entre 60% e 80% do eleitorado.

De acordo com o jornal britânico The Economist, Fernández foi considerado "um presidente sem plano" e a sua presidência foi descrita como "fraca", aludindo à sua falta de tomada de decisão independente. Em vez disso, suas decisões eram fortemente influenciadas pela sua vice-presidente e ex-chefe de estado Cristina Fernández de Kirchner, também líder da coalizão de governo, que o próprio Fernández descreveu como "fonte permanente de consulta". Em abril de 2023, Fernández anunciou que decidiu não buscar a reeleição na eleição presidencial na Argentina em 2023.

Juventude, educação e vida pessoal

Alberto Fernández nasceu em Buenos Aires, no bairro Villa del Parque, em 2 de abril de 1959. É filho de Celia Pérez e conviveu pouco com seu pai biológico, que faleceu durante a Copa do Mundo de 1978. Mais tarde, afirmou que quando falava de seu pai, referia-se ao padrasto, o juiz Carlos Galíndez, que faleceu em 1997. Seu avô adotivo, Manuel Galíndez, foi senador pela província de La Rioja pela União Cívica Radical. Sendo o filho do meio, possui uma irmã mais velha e um irmão mais novo.

Fernández viveu parte da infância e da adolescência no bairro onde nasceu, mais especificamente perto do estádio da Asociación Atlética Argentinos Juniors, um clube de futebol do qual se tornou fã. Lá, cursou a quinta série do ensino fundamental na escola da República do México e o restante na escola Avelino Herrera. Aos 14 anos, após ser incentivado por amigos, começou a estudar violão com o cantor Litto Nebbia, com quem desenvolveu uma amizade, chegando a compor músicas e tocar em bares.

Fernández cursou o ensino médio no Colégio Mariano Moreno, onde foi delegado da União dos Estudantes Secundários (UES), de tendência peronista. Durante a presidência de Roberto Viola, formou com outros militantes a Frente de Orientação Nacional, que após a Guerra das Malvinas se fundiu na Frente do Povo (FREPU), onde conheceu Jorge Argüello e Eduardo Valdés. Após concluir o ensino médio, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires, de onde se graduou.

Fernández foi casado com Marcela Luchetti até 2005, quando se divorciaram. O casal teve um filho, Estanislao, nascido em 1994, que se tornou famoso por seu trabalho como drag queen. Em 2014, Fernández iniciou um relacionamento com a jornalista e atriz Fabiola Yáñez.

Durante a década de 1980, Fernández trabalhou no Tribunal Federal de San Isidro, na época encarregado do juiz Alberto Piotti, responsável pelo caso Puccio, que envolvia uma família de San Isidro que, entre 1982 e 1985, matou três pessoas. Como os réus não tinham advogados, o Estado os forneceu. Fernández foi sorteado para a função, trabalhando como defensor de Guillermo Fernández Laborde, um amigo da família Puccio que admitiu ter matado duas das vítimas, até que Laborde constituiu um advogado.

Em 1985, Fernández passou a ministrar aulas na Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires, onde trabalha como professor desde então. Em 2019, era responsável pela disciplina de Teoria Geral do Crime e Sistema Penitenciário. Ao longo de sua carreira acadêmica, publicou as seguintes obras:

Juicio a la impunidad (1985), com Mona Moncalvillo e Manuel Martin; Autoría y participación criminal (1987), com Jaime Malamud Goti; Elementos de derecho penal y procesal penal (1988), com Esteban Righi, Luis Pastoriza e Enrique Bacigalupo; Derecho penal: la ley, el delito, el proceso, la pena (1996), em colaboração com Esteban Righi; dentre outros.

Em 1985, durante o governo de Raul Alfonsin, Fernández foi nomeado para o cargo de diretor-geral adjunto de assuntos jurídicos do Ministério da Economia. Em seguida, trabalhou como assessor da Legislatura da Cidade de Buenos Aires e da Câmara de Deputados da Argentina. Em 1989, no governo de Carlos Menem, foi nomeado Superintendente de Seguros do país, ocupando o cargo até 1995.

Em 1996, durante o governo de Eduardo Duhalde na província de Buenos Aires, Fernández foi nomeado presidente da Gerenciar Proyectos y Administración S/A, uma subsidiária do Banco Província, que oferecia serviços de transparência administrativa. Em 1997, todas as empresas que tinham o Banco como principal acionista foram organizadas em uma holding, o Grupo Bapro, e Fernández atuou como seu vice-presidente até 1999.

Durante as eleições de 1999, foi escolhido como tesoureiro da malsucedida campanha de Eduardo Duhalde à presidência. Durante esse período, Alberto foi um dos fundadores e coordenadores do Grupo Calafate, um think tank da ala progressista do Partido Justicialista, juntamente com Duhalde e outras personalidades como Cristina Fernández de Kirchner. O objetivo do grupo era fazer frente a tentativa de "reeleição" e às políticas neoliberais do presidente Carlos Menem. Além da candidatura de Duhalde em 1999, o grupo apoiou a candidatura de Néstor Kirchner à presidência nas eleições 2003, de quem Fernández seria Chefe de Gabinete.

Em 2000, Fernández foi eleito para o legislativo da cidade de Buenos Aires pela coligação Encontro pela Cidade, que tinha como candidato à prefeito o ex-ministro Domingo Cavallo. Com a posse do presidente Néstor Kirchner, foi nomeado chefe-de gabinete do país, ocupando o cargo durante todo o governo de Néstor e também parte do de sua esposa, Cristina Kirchner. Em 2008, deixou o cargo em meio a divergências com Cristina e Martín Lousteau, então ministro da Economia.

Após deixar o governo, Fernández tornou-se um dos maiores críticos ao governo kirchnerista. Nomeado para liderar a ala do Partido Justicialista na cidade de Buenos Aires, teve um envolvimento reduzido nas campanhas da Frente para a Vitória para o Congresso em 2009. Na eleição presidencial de 2011, considerou seriamente concorrer ao cargo, mas acabou endossando a reeleição de Cristina. Na eleição de 2015, foi chefe da campanha de Sergio Massa à presidência.

Em 2019, Cristina anunciou que seria candidata a vice-presidente de Fernández na eleição daquele ano, uma decisão que foi vista com surpresa pela opinião pública. Considerado um peronista moderado, Fernández apresentou uma plataforma de campanha crítica ao governo do presidente Mauricio Macri, candidato à reeleição. Nas primárias de agosto, Fernández recebeu 48% dos votos, superando Macri, que obteve 32%. Em 27 de outubro, foi eleito presidente da Argentina com 48,1% dos votos; sua posse foi em 10 de dezembro de 2019.

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