Alberto Gaudêncio Ramos (Belém do Pará, 30 de março de 1915 — Belém do Pará, 26 de novembro de 1991) foi um bispo católico brasileiro, tendo sido o primeiro arcebispo de Manaus e o sétimo de Belém.
Filho de Manoel Gaudêncio Ramos e Aurora d´Abreu Pereira Ramos, portugueses de Lorvão, Penacova, Alberto Gaudêncio nasceu no bairro de Batista Campos, Belém. Foi o filho mais velho do casal. Ele realizou seus estudos de primeiro grau em Belém (1925-1931) e depois cursou o segundo grau em Fortaleza, além de Filosofia e Teologia (1932-1939) no Seminário da Prainha.
Enquanto sua família voltou para Portugal, Alberto continuou seus estudos, sendo acolhido pelo arcebispo Antônio de Almeida Lustosa quando estava em Belém. Recebeu a tonsura em 17 de maio de 1936, as ordens menores em 8 de dezembro de 1937, o subdiaconato exatamente um ano depois e o diaconato em 25 de março de 1939. Em 1939, representou o Seminário da Prainha no III Congresso Eucarístico Nacional, em Recife. Também fundou a revista “A Voz do Seminário” e se dedicou a estudar profundamente a Ação Católica.
Foi ordenado sacerdote na Catedral Metropolitana de Belém, por Dom Antônio de Almeida Lustosa, no dia 1º de outubro de 1939. Em 1943, recebeu o título de cônego. Foi secretário de Dom Lustosa, Dom Jaime de Barros Câmara e Dom Mário de Miranda Vilas-Boas. Atuou como capelão do Oratório de Santa Teresinha e da Obra das Vocações Sacerdotais, assistente eclesiástico da Ação Católica, professor de religião no Colégio Estadual Paes de Carvalho e professor do Seminário.
Também foi capelão do Colégio Gentil Bittencourt, onde foi confessor, professor de catequese e diretor espiritual das alunas, além de celebrar a missa diariamente. Foi vigário-geral, nomeado por Dom Mário em 1947.
Em 30 de agosto de 1948, aos 33 anos de idade, foi eleito Bispo da Diocese do Amazonas pelo Papa Pio XII.
Foi ordenado bispo no dia 1 de janeiro de 1949, na Catedral de Belém, pelas mãos de Dom Jaime Cardeal de Barros Câmara, Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, e os co-consagradores principais Dom Mário de Miranda Vilas-Boas, Arcebispo de Belém do Pará, e Dom Anselmo Pietrulla, OFM, Prelado de Santarém.
Seu lema era “Semper inhaerere mandatis” (Aderir sempre aos mandamentos). Tomou posse da diocese em 21 de janeiro de 1949. Seu governo foi marcado por inaugurações de várias obras, criação de paróquias e capelas em Manaus e no interior e a presença de ordens, congregações e associações religiosas.
No dia 16 de fevereiro de 1952, por meio da bula Ob Illud, o Papa Pio XII erigiu a Província Eclesiástica de Manaus, desmembrando-a da Província Eclesiástica de Belém do Pará, elevando o bispo do Amazonas à dignidade de Arcebispo de Manaus. Dom Alberto se tornou, nesta época, o arcebispo mais jovem do mundo, aos 36 anos.
Em 2 de julho, data também da abertura do II Congresso Eucarístico de Manaus, ocorreu a instalação da arquidiocese e de Dom Alberto como primeiro arcebispo metropolitano. Naquele ano, também participou da fundação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil; Dom Alberto foi eleito presidente do Secretariado Nacional do Ensino Religioso. Em janeiro de 1953, recebeu o pálio por meio de seu procurador, o qual foi imposto em cerimônia na Catedral de Manaus em 11 de abril. Em 1955, foi um dos membros fundadores do Conselho Episcopal Latino-Americano.
Ainda atuou como administrador apostólico da Prelazia de Parintins, após sua criação, e da Arquidiocese de Manaus, após sua nomeação para Belém. Foi membro da Academia Amazonense de Letras, empossado em 21 de outubro de 1953. Também recebeu os títulos de Cidadão Honorário de Manaus e de Cidadão Benemérito do Amazonas, ambos em 1957.
Em 9 de maio de 1957, Alberto Ramos foi nomeado arcebispo de Belém do Pará, sendo o segundo paraense e o único belenense a ocupar o sólio arquiepiscopal de Belém.
Foi membro da Academia Paraense de Letras, na cadeira nº 12, empossado em 6 de junho de 1966, e posteriormente vice-presidente de 1978 a 1980. Ainda foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará e do Conselho Estadual de Cultura do Pará.
Participou das quatro sessões do Concílio Ecumênico Vaticano II. Registrou fatos e crônicas do Concílio em um jornal-mural denominado "O Conciliábulo". Ele fez duas intervenções registradas durante o concílio e emitiu uma carta pastoral, já visando a aplicação das normas do Concílio na Arquidiocese de Belém. Realizou inúmeras atividades pastorais de relevo, incluindo a construção do Seminário São Pio X, do Edifício Paulo VI, do Lar Sacerdotal, da Casa da Juventude, Centro de Pastoral, Centro Vocacional D. Tadeu Prost e conseguiu a entrada de várias congregações religiosas.
Também atuou como administrador apostólico de Abaeté do Tocantins e Ponta de Pedras. Foi presidente da Comissão Episcopal do Regional Norte 2, além de membro da Comissão Episcopal de Pastoral.
Renunciou à Arquidiocese aos 75 anos, no dia 4 de julho de 1990. Faleceu em 1991 e foi sepultado na Catedral de Belém. O Museu da Catedral Metropolitana de Belém também abriga uma exposição sobre sua história. O Tribunal de Justiça do Estado do Pará criou a medalha “Dom Alberto Gaudêncio Ramos”, entregue desde 2015.
Dom Alberto Ramos foi o principal celebrante das seguintes ordenações episcopais:
Foi concelebrante da ordenação episcopal de: