Neste Dia

Alceu Amoroso Lima

Alceu Amoroso Lima (Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 1893 – Petrópolis, 14 de agosto de 1983), conhecido pelo seu pseud

Anúncio

Alceu Amoroso Lima (Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 1893 – Petrópolis, 14 de agosto de 1983), conhecido pelo seu pseudônimo Tristão de Athayde, foi um crítico literário, escritor, professor, intelectual e líder católico brasileiro. Foi um dos principais críticos literários à época do modernismo no Brasil. Em 29 de agosto de 1935, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras.

Alceu Amoroso Lima é filho do industrial Manuel José Amoroso Lima e da dona de casa Camila da Silva Amoroso Lima. Nascido, entre quatro irmãs, passou a infância na Rua Cosme Velho, nº 2, no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Morou próximo da casa de Machado de Assis, o qual viu diversas vezes passear com sua esposa. Também na infância, teve contato com Ruy Barbosa, amigo íntimo de seu padrinho.

Aprendeu a ler, em casa, com o professor João Köpke, o qual transmitiu sua metodologia inovadora, de "ensinar divertindo", à mãe de Alceu. Alberto Nepomuceno deu-lhe aulas de piano. Em 1900 e 1909, viajou pela Europa junto da família.

De volta ao Brasil, estudou no Ginásio Nacional (denominado hoje Colégio Pedro II). Formou-se, no ano de 1913, em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, atual Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O paraninfo de sua turma foi o professor de Filosofia do Direito e Economia Política Sílvio Romero. Antes de terminar o curso, trabalhou no escritório de João Carneiro de Sousa Bandeira, seu antigo professor na Faculdade e tio de Manuel Bandeira.

Em 1913, voltou a viajar para a Europa. No Collège de France, situado em Paris, assistiu ao curso de Henri Bergson, o qual Charles Péguy e Jacques Maritain haviam frequentado. Nas palavras de Alceu, Maritain foi, mais tarde, "meu mestre, orientando de longe a minha conversão". No Collège de France, Alceu relatou que teve uma grande transformação em suas ideias, passando do evolucionismo spenceriano ao evolucionismo criador de Bergson, a partir da concepção da primazia do espírito.

Na França, Alceu presenciou a chamada belle époque, onde pairou um ar de serenidade, despreocupação e solidez. Avaliando aqueles anos, muito depois, na sua maturidade, Alceu assim definiu:

"Havia, sobretudo, a aceitação da mediocridade da nossa época, que se resumia em viajar, gozar a vida, ler os poetas, a aceitação, enfim, daquilo que mais tarde tanto iria me preocupar: o predomínio da filosofia burguesa, a filosofia de Pangloss."

A eclosão da Primeira Guerra Mundial e a mobilização geral dos franceses deu um fim abrupto à euforia em que se viveu. Alceu afirmou que "terminava o diletantismo, a disponibilidade. Começava a vida dura [...]". Os conflitos gerais e partilhados com sofrimento pelas pessoas tomaram a Europa, e o mundo todo.

Regressando ao Brasil, o nomearam para servir no Ministério das Relações Exteriores. Logo deixou a carreira de diplomata, substituindo o pai na direção da fábrica de tecidos Cometa, patrimônio da família. Após alguns anos, optou por entrar na vida literária.

Adotou o pseudônimo Tristão de Athayde quando assinou a sua primeira crítica literária em O Jornal, em 19 de junho de 1919. Entrevistado pelo suplemento Letras e Artes do jornal Diário Carioca, em 1º de dezembro de 1957, declarou que "o nome ficou [...] e hoje quase é possível dizer que tem o mesmo curso do verdadeiro".

A conversão de Alceu foi, segundo ele, uma marcha "lenta e laboriosa na recuperação da fé". Animado, intelectualmente, pelas publicações de Chesterton, Maritain e Fulton Sheen e, finalmente, pelas várias cartas trocadas com Jackson de Figueiredo entre 1924 e 1928, ocorreu o reencontro com Deus, além da inteligência. Escreveu, então, uma carta aberta a Sérgio Buarque de Holanda, Adeus à Disponibilidade (1928), significando "a passagem da primazia do literário ao ideológico. Do primado da crítica estética à crítica filosófica".

O Sacramento da Eucaristia fez-se quando Alceu Amoroso Lima procurou o Padre Leonel Franca, na Igreja de Santo Inácio, confessando-se e comungando em 15 de agosto de 1928. Depois deste marco, Alceu afirmou que "ao converter-se, não me recolhi a um porto, mas parti para o alto mar".

Logo Alceu comunicou a sua conversão a Jackson de Figueiredo. Seu correspondente por anos, que contribuiu, fortemente, para a mudança de Alceu, morreu, de forma trágica, em pouco tempo no Rio de Janeiro.

Todavia, sob a influência das posições ortodoxas e autoritárias de Jackson de Figueiredo, o substituiu, por indicação de Dom Sebastião Leme, na presidência do Centro Dom Vital e na direção da revista A Ordem. Publicou, então, artigos favoráveis ao Integralismo, aos quais se referiu, posteriormente, em diálogo com o escritor de suas "memórias improvisadas", Cláudio Medeiros Lima:

"[...] era uma reação política nacional, de caráter unitário e autoritário, contra a fraqueza do Estado, o regionalismo e a luta de classes, em favor do Estado forte, da unidade nacional e da reforma corporativa da economia."

Veio, posteriormente, a reconhecer o seu equívoco através de Georges Bernanos, que viveu no Brasil, Chesterton e, fundamentalmente, Jacques Maritain, com a obra deste, Humanismo Integral (1936). A partir deste ponto, manteve-se, por toda a sua vida, fiel a uma orientação liberal, aplicando-a até longa data no Centro Dom Vital.

Alceu Amoroso Lima foi, com grande relevância, voz ativa contra a ditadura brasileira instaurada em 1964, a qual perdurou até 1985. Contra o golpe militar, alinhou-se a Dom Hélder Câmara. Os dois já tinham uma amizade próxima por correspondências e encontros. Críticos literários apontam Alceu como uma "presença" no Brasil, pregando a justiça e a liberdade. Exemplo é o artigo publicado em 14 de julho de 1967, no qual Alceu comentou um livro sobre a tortura elaborado pelo então deputado federal Márcio Moreira Alves:

"Entre nós a revolução de 64 recolocou a tortura política em evidência. Márcio teve o desassombro, na hora mais crítica dos poderes discricionários e do fanatismo revolucionário, de ir aos fatos, de ouvir as vítimas, de arrancar os véus que impediam ver através dos muros das penitenciárias. E so agora pôde revelá-los em livro, que a Censura oficial procurou impedir que se divulgasse. E acabou por se transformar na mais sensacional das propagandas."

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
Alceu Amoroso Lima | World in Stories