Alessandro Leone "Alex" Zanardi (Bolonha, 23 de outubro de 1966 – Pádua, 1 de maio de 2026) foi um automobilista e paraciclista italiano. Como automobilista, Zanardi correu na Fórmula 1 (pelas equipes Jordan, Minardi, Lotus e Williams) e na CART, onde foi bicampeão (1997 e 1998) pela equipe Chip Ganassi, defendendo também a equipe MoNunn, somando um total de 15 vitórias e 28 pódios em 66 grandes prêmios disputados. Como atleta paralímpico, Zanardi foi o maior campeão do Paraciclismo nos Jogos Paralímpicos, com quatro medalhas de ouro e duas de prata. Zanardi foi o primeiro piloto de F-1 a disputar uma edição de Jogos Paralímpicos.
Alex Zanardi nasceu em Bolonha, Itália, filho de Anna, uma costureira, e Dino, um encanador. Mudou-se com a família para a vila Castel Maggiore quando tinha 4 anos. Tinha uma irmã mais velha, Cristina, morta aos quinze anos em um acidente de carro em 1979. Seu pai, Dino, faleceu de câncer em 1994. Desde 1996, era casado com Daniella Manni. Em 1998, o casal teve seu primeiro e único filho, Niccolò.
Zanardi começou a correr no kart, com um modelo que ele mesmo construiu. Em 1980 e 1981, começou a competir em corridas locais. Em 1982, entrou para o Campeonato Italiano de Kart 100cc e terminou em 3º na classificação geral. Foi tricampeão italiano e campeão europeu no cartismo. Disputou três temporadas da Fórmula 3 Italiana entre 1988 e 1990, sendo vice-campeão em seu último ano. Venceu a Copa de Fórmula Três Europeia da FIA em 1990, após o pole Michael Schumacher ser desclassificado.
Em 1991, disputou a Fórmula 3000, tendo como rival o brasileiro Christian Fittipaldi. Alex venceu em Vallelunga e Mugello, tendo mais três segundos lugares, e precisando ficar à frente do brasileiro na corrida final em Nogaro para ser campeão. Mas Zanardi terminou em segundo, enquanto Fittipaldi venceu e ficou com o título, com cinco pontos de vantagem sobre o italiano, que amargou o vice-campeonato.
Em 1991, Zanardi teve sua primeira experiência na Fórmula 1, pilotando um Footwork na sessão de testes em Paul Ricard. No final do ano, ele começou sua carreira na Fórmula, disputando as três últimas corridas da temporada pela Jordan.
Em 1992, Zanardi retornou à F1 como substituto do lesionado Christian Fittipaldi na Minardi. Alex disputou os GPs da Grã-Bretanha, da Alemanha e da Hungria, mas falhou em se qualificar em dois deles e abandonou a etapa alemã.
Em 1993, Zanardi assinou com a Lotus, onde alcançou seu maior resultado da carreira na F1: o sexto lugar no GP do Brasil. Permaneceu correndo mesmo após sofrer uma lesão no pé esquerdo, resultado de uma colisão envolvendo um motorista e sua bicicleta. Mas Zanardi não terminou a temporada, pois sofreu uma concussão após bater na Eau Rouge durante os treinos do GP da Bélgica.
Zanardi permaneceu com a Lotus para 1994, ficando de fora das quatro primeiras corridas do ano, período em que trabalhou como piloto de testes. Voltou às pistas no GP da Espanha, substituindo Pedro Lamy, que tinha quebrado as duas pernas durante os treinos em Silverstone. Zanardi fez todas as corridas restantes da temporada, com as exceções de Portugal e Bélgica, nas quais o pagante Philippe Adams assumiu seu lugar. Mas Alex não pontuou em nenhuma, vendo sua equipe encerrar as operações na F1 ao final da temporada.
Retornou à F1 em 1999, assinando um contrato de três anos com a Williams. Seu companheiro de equipe foi o alemão Ralf Schumacher. Mas Zanardi não pontuou em nenhuma prova, tendo como melhor desempenho o GP da Itália, onde largou em quarto e terminou em sétimo. Assim, seu contrato com a Williams foi rescindido no final da temporada, e após uma seletiva, o estreante britânico Jenson Button assumiu a vaga deixada por Zanardi.
Sem resultados expressivos na Fórmula 1, Zanardi passou a disputar a Indy/CART em 1996 pela Target Chip Ganassi, guiando o carro nº 4 e tendo como companheiro de equipe Jimmy Vasser, que viria a ser campeão nesta temporada. Logo na segunda corrida, Zanardi conquistou sua primeira pole, durante a Rio 400, onde terminou em quarto. Ficou seis corridas sem pontuar, até conquistar sua primeira vitória em Portland. Zanardi ainda venceria em Mid-Ohio e em Laguna Seca, onde fez uma manobra arriscada sob Bryan Herta, a The Pass (A Ultrapassagem), que acabou banida. O italiano terminou sua primeira temporada na CART na terceira posição, sendo o piloto que mais fez poles no ano (seis no total) e conquistando o prêmio Rookie of the Year, desbancando nomes como Greg Moore.
Em 1997, Zanardi controlou a temporada, conquistando cinco vitórias em dezessete corridas, com três delas (Michigan, Mid-Ohio e Road America) sendo consecutivas. Zanardi faturou o título, tendo 33 pontos de vantagem sobre o vice Gil de Ferran, que não venceu nenhuma vez na temporada. 1998 viu uma dominância ainda maior de Zanardi, que venceu sete vezes e foi ao pódio em 15 das 19 corridas. Ele se sagrou bicampeão ao ser quarto colocado em Vancouver, com quatro rodadas de antecedência, e terminou acumulando 285 pontos, 116 a mais do que seu companheiro Vasser, que ficou com o vice.
Zanardi acabou saindo da Chip Ganassi ao final de 1998, fazendo um breve retorno à F1, onde correu pela Williams. Para o lugar dele, a Ganassi contratou o novato Juan Pablo Montoya, campeão da F3000 que esteve na disputa pela vaga na equipe de Frank Williams (sendo preterido justamente por Zanardi), e que viria a ser campeão da CART em 1999.
Em 2000, Zanardi expressou desejo de retornar à CART. O italiano testou com a equipe Mo Nunn Racing, pertencente ao antigo engenheiro da Ganassi Morris Nunn, e em seguida, assinou contrato para disputar a temporada 2001 da CART, pilotando o carro de número 66 e dividindo a equipe com o brasileiro Tony Kanaan. Seus resultados foram modestos, com Zanardi tendo três idas ao top-10 ao ser sétimo em Motegi, nono em Chicago e quarto em Toronto, sendo este seu melhor resultado do ano.
Em setembro de 2001, sofreu um grave acidente no circuito oval EuroSpeedway Lausitz, na Alemanha que quase o matou. Zanardi brigava pela vitória da prova quando, após um pit stop, rodou e ficou atravessado na pista. Ele foi atingido em cheio pelo carro do canadense Alex Tagliani. Zanardi teve as pernas severamente comprometidas no acidente, foi submetido a diversas cirurgias de emergência e precisou amputá-las acima do joelho. Ele chegou a perder ¾ do sangue corporal e correu sério risco de morte, precisando ser reanimado por sete vezes.
Por conta disso, Zanardi não pôde disputar as quatro provas restantes da temporada, sendo substituído por Casey Mears, e o italiano acabou encerrando prematuramente sua carreira no CART. Ele acumulou um total de 15 vitórias e 28 pódios em 66 grandes prêmios disputados.
Em menos de dois anos após o acidente, o italiano já estava de volta ao volante. Em um carro adaptado às suas necessidades, com alavancas manuais para aceleração e freio, Alex voltou ao palco de seu acidente para uma homenagem, onde completou as 13 voltas que restavam para o fim da trágica corrida. A experiência fez Zanardi desejar voltar às pistas.
Em 2004, competiu no Campeonato Europeu de Turismo.
Entre 2005 e 2009, disputou os campeonatos de WTCC (World Touring Car Champion) pela BMW obtendo quatro vitórias e dez pódios nesse período.