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Alexandre II da Rússia

Imperador da Rússia (1855–1881)

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Alexandre II (Moscou, 29 de abril de 1818 – São Petersburgo, 13 de março de 1881), apelidado de "o Libertador" pela Reforma Emancipadora de 1861, foi o Imperador da Rússia, Rei da Polônia e Grão-Duque da Finlândia de 1855 até seu assassinato, sendo o filho mais velho do imperador Nicolau I e sua esposa, a princesa Carlota da Prússia.

É conhecido por suas reformas liberais e modernizantes, através das quais procurou renovar a cristalizada sociedade russa. Em 19 de fevereiro de 1861, decretou o fim da servidão na Rússia. Foram libertados, ao todo, 22,5 milhões de camponeses servos — preservando-se, todavia, a propriedade dos latifúndios.

Alexandre II nasceu em 1818 no Palácio do Kremlin, em Moscou, filho do futuro czar Nicolau I e da czarina Alexandra Feodorovna, nascida princesa Carlota da Prússia. Pelo lado materno, era sobrinho de Guilherme I, o primeiro imperador do Império Alemão. Sua sucessão ao trono nunca esteve em dúvida desde os oito anos de idade, diferentemente do que ocorreu com a maioria de seus antecessores no trono russo desde Pedro, o Grande.

De acordo com os costumes da corte russa, Alexandre, assim como todos os grão-duques, estava destinado à carreira militar e recebeu uma educação compatível com essa expectativa. A partir dos sete anos de idade, um militar de carreira e veterano das Guerras Napoleônicas, o oficial alemão Karl Merder, ficou responsável pelos fundamentos de sua educação. Merder, que já havia demonstrado aptidão pedagógica como professor em um corpo de cadetes, permaneceu quase constantemente ao lado de Alexandre por mais de dez anos e também o acompanhou em viagens ao exterior. A pedido da czarina, Vasily Zhukovsky juntou-se a Merder. O poeta liberal e leitor da czarina assumiu a função de mentor e tutor. Ambos asseguraram que Alexandre adquirisse tanto as competências necessárias ao exercício do governo quanto a capacidade de desenvolver uma personalidade madura.

Como professores efetivos em áreas específicas, os tutores recorreram a diversos estudiosos e, em alguns casos, a importantes políticos russos da época, como Mikhail Speransky, primeiro-ministro do czar Alexandre I. Para o ensino da língua alemã, foi nomeado o advogado Friedrich Leberecht Liepmann, doutor em direito, que posteriormente recebeu o título de Conselheiro Colegiado e foi agraciado com nobreza. Liepmann integrou um grupo de educadores que incluía figuras como Speransky, opositor das políticas fortemente reacionárias de Nicolau I, também encarregadas da formação do herdeiro do trono.

No período da sua vida em que foi príncipe herdeiro, a atmosfera intelectual de São Petersburgo não estava receptiva a qualquer tipo de mudança: a liberdade de expressão e qualquer tipo de iniciativa privada estavam a ser reprimidos ferozmente. A censura pessoal e oficial era algo comum e criticar as autoridades era considerado uma ofensa grave. Cerca de vinte e seis anos depois, Alexandre teve a oportunidade de implementar mudanças, contudo acabaria por ser assassinado em público pela organização terrorista Narodnaya Volya (A Vontade do Povo).

O caráter de Alexandre era avaliado de forma ambivalente. Por um lado, era descrito como pacífico, ponderado e benevolente, dotado de um claro senso moral; por outro, era considerado, inclusive por seus próprios tutores, arrogante, inconstante e carente de energia, além de ressentido a ponto de manifestar tendências vingativas, conforme ele mesmo reconheceu posteriormente. Ademais, seu pai incutiu-lhe de modo rigoroso os princípios do governo autocrático, levando Alexandre a manter firme adesão a esse modelo, apesar de suas inclinações libertárias e de suas reformas subsequentes. Em razão de sua formação militar rigorosa, o herdeiro do trono desenvolveu especial interesse por assuntos militares, sobretudo pela cerimônia castrense. Ainda assim, sua experiência militar efetiva era limitada, embora ele desejasse ampliá-la.

Antes de assumir as responsabilidades do governo, Alexandre já havia adquirido amplo conhecimento das atividades administrativas do império. Exerceu funções representativas, realizou numerosas viagens ao exterior e às províncias russas, desempenhou com frequência tarefas governamentais de relevância direta e, em 1842, chegou a assumir a regência do império por um mês, durante a ausência de seu pai.

Quando Alexandre assumiu o poder após a morte de seu pai, em 2 de março de 1855 (18 de fevereiro no calendário juliano), tinha quase 37 anos de idade e era considerado um homem maduro, culto e politicamente experiente. Contudo, herdou o império em meio a uma grave crise. A Guerra da Crimeia, que inicialmente optou por continuar, já se encontrava em situação claramente desfavorável à Rússia na primavera de 1855 e tornou-se irreversível com a queda de Sebastopol. Em novembro desse mesmo ano, o próprio czar visitou Odessa e a Crimeia, ocasião em que reconheceu definitivamente a impossibilidade de vitória.

O Tratado de Paris, assinado em 30 de março de 1856 (18 de março no calendário juliano), pôs fim à guerra. O acordo apenas enfraqueceu temporariamente a posição da Rússia no Oriente e não significou o abandono de seus interesses nos territórios sob domínio otomano. Mesmo após a assinatura da paz, os conflitos com os povos montanheses do Cáucaso prosseguiram, e extensas áreas situadas entre o Mar Cáspio e o Mar de Aral passaram para a esfera de influência russa, sendo em alguns casos ocupadas de forma permanente.

A desmilitarização dos portos do Mar Negro, imposta à Rússia pelo Tratado de Paris, representou um severo golpe ao seu prestígio como grande potência e como força estabilizadora da ordem europeia, papel que o império exercera desde as Guerras Napoleônicas. Durante as Revoluções de 1848, a Rússia ainda se apresentava como uma potência hegemônica no continente europeu. Segundo Günther Stökl, essa humilhação, considerada desnecessária e contraproducente, contribuiu, após o impacto inicial, para o fortalecimento de um sentimento religioso e nacionalista na Rússia, marcado pelo desejo de revanche em razão da derrota militar.

Em 25 de agosto de 1856 (14 de agosto no calendário juliano), cerca de cinco meses após a assinatura do tratado de paz e quase um ano e meio após sua ascensão ao trono, realizou-se em Moscou a cerimônia de coroação do novo czar. Convidados russos e estrangeiros destacaram a diversidade dos súditos presentes nas festividades. Basquires, circassianos, tártaros e armênios foram convidados a participar com o objetivo de demonstrar a extensão territorial e a pluralidade étnica do império, bem como de reforçar simbolicamente o vínculo entre o soberano e seus povos asiáticos. Pela primeira vez, representantes do campesinato também foram convidados e mencionados explicitamente nos álbuns comemorativos da coroação.

Para a história da Rússia e para a formação das convicções políticas de Alexandre II, a derrota na Guerra da Crimeia constituiu um ponto de inflexão decisivo. A incapacidade de derrotar uma coalizão militar mal coordenada, atuando em território distante, evidenciou o atraso estrutural do império em diversos setores, incluindo a economia, a infraestrutura, em especial a carência de uma rede ferroviária adequada, bem como a educação e a organização militar. Dessa forma, a Guerra da Crimeia tornou-se um alerta para a política russa, levando Alexandre II a utilizar o Tratado de Paris como ponto de partida para um programa de reformas destinado a romper estruturas culturais, econômicas e sociais consideradas obsoletas, por meio de estímulos externos. O czar buscava dotar a Rússia, no menor prazo possível, de uma esfera pública e de uma sociedade capazes de competir com as demais grandes potências europeias.

Em resposta ao atraso estrutural da Rússia, evidenciado por sua derrota na Guerra da Crimeia, Alexandre II iniciou um amplo programa de reformas, frequentemente descrito na literatura acadêmica como "Grandes Reformas". Essas reformas constituem um dos principais pontos de inflexão da história russa. O historiador Otto Hötsch chega a avaliá-las como mais significativas do que as implementadas por Pedro, o Grande. Para Constantin de Grunwald, elas estão "na raiz da revolução".

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Alexandre II da Rússia | World in Stories