Alexandre I (Verona, 5 de abril de 1857 – Graz, 17 de novembro de 1893), nascido Alexandre de Battenberg, foi o primeiro Príncipe da Bulgária autônoma da era moderna de sua eleição em 1879 até sua abdicação em 1886.
Filho do príncipe Alexandre de Hesse (anteriormente elevado ao título de Príncipe de Battenberg aquando do seu casamento morganático) e sobrinho predilecto do czar Alexandre II da Rússia, Alexandre serviu, em 1877, nas forças russas durante a Guerra Russo-Turca (1877–1878), a qual resultou na autonomia da Bulgária. Em conformidade com as disposições do Congresso de Berlim (1878), Alexandre foi eleito príncipe constitucional do recém-autónomo Estado búlgaro em 29 de abril de 1879, tendo, contudo, de enfrentar uma forte interferência russa nos assuntos internos. Confrontado com o que considerava uma constituição liberal absurda, procurou enfraquecer os alicerces constitucionais do Estado, dissolvendo inicialmente a assembleia nacional em 1880 e, posteriormente, suspendendo a constituição e assumindo plenos poderes em 1881. Com o agravamento das suas relações com a Rússia após a ascensão de Alexandre III ao trono, acabou por restaurar a constituição em 1883 e aceitar um novo governo de coligação liberal-conservador com o objectivo de combater a influência russa.
Quando a anexação da Rumélia Oriental pela Bulgária em setembro de 1885 agravou ainda mais as relações russo-búlgaras, o czar decidiu-se a afastar o príncipe Alexandre do trono. Na Sérvia, verificou-se igualmente uma intensificação das tensões, que culminaram no desencadeamento de uma guerra em novembro de 1885. Alexandre liderou com êxito as tropas búlgaras contra os sérvios e, no final de novembro de 1885, havia já penetrado em território sérvio. Contudo, em março de 1886, sob pressão austríaca, foi forçado a aceitar um armistício e, através do Tratado de Bucareste, assinado em fevereiro de 1886, a Bulgária foi forçada a aceitar a condição territorial pré-guerra sem qualquer compensação financeira pelo ataque sérvio, ao passo que a unificação com a Rumélia Oriental foi confirmada. Por fim, um golpe levado a cabo por oficiais pró-russos em 21 de agosto de 1886 obrigou-o a abdicar, sendo conduzido sob forte escolta para fora do país. Regressou pouco depois com o intuito de recuperar a coroa, mas, não logrando obter o apoio da Rússia, abdicou formalmente em 7 de setembro de 1886. Mais tarde, assumiu o título de Conde de Hartenau e serviu como general no Exército Austríaco.
Alexandre era o segundo filho do príncipe Alexandre de Hesse e Reno, nascido do casamento morganático deste com a condessa Júlia de Hauke. A condessa e os seus descendentes receberam, em 1858, o título de Príncipes de Battenberg (derivado de uma antiga residência dos Grão-Duques de Hesse), bem como o tratamento de Durchlaucht ("Sua Alteza Sereníssima"). O príncipe Alexandre era sobrinho do czar Alexandre II da Rússia, o qual havia desposado uma irmã do príncipe Alexandre de Hesse. A sua mãe, filha do general polaco Hans Moritz von Hauke, fora dama de companhia da czarina. Alexandre era conhecido na intimidade familiar, e por muitos dos seus biógrafos posteriores, pelos apelidos Sandro ou Drino.
O jovem Alexandre recebeu formação militar, servindo como subtenente no Regimento de Dragões da Guarda de Hesse. Aos 20 anos de idade, obteve autorização do imperador Alexandre II para ingressar no exército russo. Participou na Guerra Russo-Turca (1877–1878) como integrante do Regimento de Ulanos da Guarda Imperial. Destacou-se pela sua bravura durante a travessia do Danúbio por meio de uma ponte de pontões, tendo sido condecorado com a Cruz de Vladimir. Demonstrou dignidade e coragem durante a campanha do Destacamento da Vanguarda, comandado pelo tenente-general Iosif Gurko, rumo ao sul da Bulgária. Em 18 de julho de 1877, foi agraciado com a Cruz de São Jorge (4ª classe). Posteriormente, foi destacado como oficial de ligação junto do príncipe Carlos da Romênia, com quem manteve uma amizade duradoura até à morte deste.
Quando, pelo Congresso de Berlim (1878), a Bulgária se tornou um principado autónomo sob suserania do Império Otomano, o czar recomendou o seu sobrinho aos búlgaros como candidato ao recém-criado trono, e a Grande Assembleia Nacional elegeu unanimemente o príncipe Alexandre como Príncipe da Bulgária em 29 de abril de 1879. Na altura, Alexandre detinha uma patente de tenente na guarda pessoal prussiana em Potsdam. Antes de se dirigir à Bulgária, o príncipe Alexandre fez visitas ao czar em Livadia e às cortes das Grandes Potências. Após visitar a corte do sultão otomano, foi conduzido por um navio de guerra russo até Varna, onde prestou juramento à Constituição de Tarnovo, em Veliko Tarnovo em 8 de julho de 1879, seguindo depois para Sófia. Por todo o percurso, foi acolhido com enorme entusiasmo pelas populações.
O jovem príncipe não fora preparado para governar e não possuía qualquer experiência política, sendo, ainda assim, enviado para liderar um Estado recém-criado. Escolhido como candidato preferido da Rússia (em virtude dos laços de parentesco com o czar e com a esposa deste), representava um bom compromisso para a Europa:Sobrinho predilecto do czar, aparentado com a corte britânica, príncipe alemão, filho de um general austríaco, estreitamente ligado à Rússia pela sua participação na campanha de 1877–1878, e, no entanto, não russo... A sua eleição surgia simultaneamente como uma vénia a Lorde Beaconsfield, um cumprimento a Bismarck, uma deferência para com a Áustria e, ainda assim, com perspectivas de vir a ser um instrumento dócil nas mãos da Rússia.
O príncipe chega a um país marcado por fortes sentimentos democráticos e russófilos, que entram em choque com as suas próprias inclinações monárquicas e, em geral, antirrussas, adquiridas durante a sua experiência militar. Na realidade, a Rússia esperava que ele se tornasse sua marioneta. Ao mesmo tempo, as restantes Grandes Potências consideravam o povo búlgaro politicamente imaturo e incapaz de autogoverno. Os políticos búlgaros ainda não haviam recuperado do trauma provocado pela fragmentação do povo búlgaro, imposta pelo Tratado de Berlim, e discutiam intensamente o chamado "questão nacional" — a unificação da Bulgária. As duas principais forças políticas eram o Partido Liberal e o Partido Conservador. O Partido Conservador apoiava o monarquismo, mas tinha pouca influência, embora os seus membros liderassem os primeiros governos. O Partido Liberal, pelo contrário, defendia o desenvolvimento dos princípios democráticos consagrados na constituição. Dadas as predominantes relações de pequena propriedade no país, este partido representava os interesses da maioria do povo. O príncipe, por sua vez, já no início do seu reinado, classificou a Constituição de Tarnovo como "semi-republicana" e procurou o apoio da Rússia para a sua alteração no sentido de alargar os seus próprios poderes. Obteve o consentimento russo, mas sob a condição de que tal alteração ocorresse por via democrática e em consonância com os políticos búlgaros.
Em 1881, um casamento foi sugerido entre Alexandre e a princesa Vitória da Prússia, filha do kaiser Frederico III da Alemanha, na altura ainda príncipe-herdeiro, e de sua esposa, Vitória, Princesa Real do Reino Unido, filha da rainha Vitória do Reino Unido. Moretta, como Vitória era conhecida na intimidade familiar, deixou-se levar pelos elogios que a sua mãe e avó faziam ao jovem príncipe e apaixonou-se por ele. No entanto, o romance nunca teve hipóteses de funcionar e só parecia possível na cabeça de Vitória e da sua mãe.
Seus parentes alemães, seu avô paterno, o kaiser Guilherme I; seu irmão, o príncipe Guilherme e o chanceler alemão Otto von Bismarck, se opuseram, temendo que ofendesse a casa governante russa, principalmente o primo do príncipe Alexandre, o czar Alexandre III. Alexandre III havia ascendido recentemente ao trono russo e, ao contrário de seu pai, estava longe de ser gentil com o príncipe. Ademais, consideravam que os Battenbergs não tinha estatuto real suficiente para se casar com uma neta do imperador da Alemanha, devido ao facto de Alexandre ser filho de uma plebeia.