Alexei Nikolaevich Romanov (em russo: Цесаревич Алексей Николаевич Романов; São Petersburgo, 12 de agosto de 1904 – Ecaterimburgo, 17 de julho de 1918) foi o último Tsesarevich do Império Russo e herdeiro aparente ao trono, sendo o único filho varão do imperador Nicolau II e da imperatriz Alexandra Feodorovna. Nascido com hemofilia, doença hereditária transmitida por sua ascendência materna, ligada à rainha Vitória. A condição de saúde do herdeiro foi mantida em sigilo pela família imperial e contribuiu para a crescente influência de Grigori Rasputin, um camponês siberiano tido como místico, que alegadamente aliviava as crises do jovem tsesarevich.
Após a Revolução de Fevereiro de 1917, Alexei e sua família foram enviados para o exílio interno em Tobolsk, na Sibéria. Com a tomada do poder pelos bolcheviques, foram transferidos para Ecaterimburgo, onde Alexei foi executado juntamente com seus pais, suas quatro irmãs e três retentores, na madrugada de 17 de julho de 1918, durante a Guerra Civil Russa, por ordem das autoridades revolucionárias.
Durante décadas, persistiram rumores de que Alexei teria sobrevivido à execução. No entanto, em 2007, restos mortais identificados por análises genéticas confirmaram sua morte, assim como a de sua irmã Maria. Em 17 de julho de 1998, no 80.º aniversário da execução, Nicolau II, Alexandra Feodorovna e três de suas filhas foram sepultados na Catedral de São Pedro e São Paulo, em São Petersburgo; Alexei e Maria permanecem sem sepultura oficial.
Em 2000, Alexei e sua família foram canonizados pela Igreja Ortodoxa Russa como portadores da paixão, sendo venerados como mártires que enfrentaram a morte com resignação cristã.
Alexei nasceu em 12 de agosto [OS 30 de julho] em 1904 no Palácio Peterhof, na Província de São Petersburgo, Império Russo. Ele era o caçula de cinco filhos e o único filho nascido do imperador Nicolau II e da imperatriz Alexandra Feodorovna. Depois de quatro grã-duquesas (Olga, Tatiana, Maria e Anastásia), a chegada do tão esperado herdeiro ao trono foi comemorada de forma grandiosa. Ele foi adorado por seus pais e irmãs e conhecido como "Bebê" na família. Mais tarde, ele também foi carinhosamente chamado de Alyosha (Алёша).
Alexei foi batizado no dia 3 de setembro de 1904, na capela do Palácio de Peterhof. Os seus padrinhos principais foram a sua avó paterna Maria Feodorovna e o seu tio-avô, o grão-duque Aleixo Alexandrovich. Outros padrinhos incluíam a sua irmã mais velha Olga, o seu bisavô, o rei Cristiano IX da Dinamarca, o rei Eduardo VII do Reino Unido, o príncipe de Gales Jorge e o imperador alemão Guilherme II. Estando a Rússia no meio de uma guerra com o Japão, todos os oficiais e soldados do exército e marinha russos foram padrinhos honorários.
O batizado do novo czarevich foi também a primeira cerimônia oficial na qual participaram alguns membros mais novos da família imperial, incluindo os filhos mais novos do grão-duque Constantino Constantinovich, as irmãs mais velhas de Alexei, Olga e Tatiana e a sua prima, a princesa Irina Alexandrovna. Para esta ocasião, os rapazes usaram uniformes militares em miniaturas e as raparigas usaram uma versão menor do vestido da corte. O sermão foi lido por São João de Kronstadt e o bebê foi levado até ao altar pela Princesa de Galtizine. Como medida de precaução, foram colocadas solas de borracha nos seus sapatos para evitar que escorregasse neles.
Pierre Gilliard, tutor de Alexei e das irmãs, disse sobre o czarevich:Alexei era o centro das atenções desta família unida, o centro de todas as esperanças e afetos. As irmãs veneravam-no. Ele sempre foi o orgulho e alegria dos pais. Quando ele estava bem, o palácio transformava-se. Tudo e todos que lá estivessem pareciam mergulhados na luz do sol.
Era muito parecido com a sua mãe, Alexandra, segundo Gilliard. Era alto para a sua idade, com um rosto bem definido, feições delicadas, cabelo castanho-claro com um brilho ruivo, e grandes olhos azuis acinzentados, como a mãe.Alexei tinha poucos meses de vida quando, depois de um fio de sangue começar a escorrer do seu umbigo, se descobriu que sofria de hemofilia.
A hemofilia é uma doença hereditária que impede o corpo de controlar hemorragias tanto externas como internas. A hemofilia impede a coagulação sanguínea, logo, quando um vaso sanguíneo é danificado, um coágulo não se forma e o vaso continua a sangrar por um período excessivo de tempo. A hemorragia pode ser externa, se a pele é danificada por um corte ou negra, ou pode ser interna, em músculos, articulações ou órgãos. Qualquer queda pode dar início a uma hemorragia interna que, por sua vez, pode levar à morte.
O gene que provoca a doença é normalmente transmitido de mãe para filho, uma vez que a fêmea pode ser portadora deste, mas pode não sofrer da doença. Alexei foi afectado pela sua mãe, que recebeu o gene da sua avó Alice, que por sua vez, o recebeu da sua bisavó, a rainha Vitória. Vários membros de famílias reais por toda a Europa que tinham ligações com a de Alexandra sofriam também da doença.
Apesar de inteligente e afectuoso, a educação de Alexei era frequentemente interrompida por ataques de hemofilia e ele era bastante mimado, uma vez que os seus pais não conseguiam discipliná-lo devido à doença. Foram contratados dois marinheiros da marinha imperial, Nagorny e Derevenko, para tomarem conta dele e, acima de tudo, certificarem-se de que ele não se magoava. Ele estava proibido de andar de bicicleta sozinho ou de brincar demasiado. Devido ao facto de o seu sangue não coagular normalmente, qualquer inchaço ou nódoa negra podiam matá-lo. Apesar das restrições à sua actividade, Alexei era activo e mal comportado por natureza. Recusava-se a falar outra língua que não o russo (os filhos de Alexandra falavam inglês com a mãe e russo com o pai) e gostava de usar trajes tipicamente russos. Quando era mais novo gostava de, ocasionalmente, pregar peças aos convidados dos pais. O mais famoso deles envolveu o pequeno príncipe em um jantar formal, abaixando-se à mesa, removendo os sapatos de uma convidada e dando ao seu pai. Nicolau, severamente disse ao menino para pôr o "troféu" onde estava. Alexei fez isso, mas não sem antes colocar um morango maduro no dedo do sapato. Por muitas semanas depois, não foi permitido ao czarevich aparecer nos jantares de Estado.
Alexei costumava zombar de um dos marinheiros (Derevenko) que o protegiam e lembrava-o frequentemente da sua incapacidade para o manter quieto. Olha para o gordo a correr!, gritava em ocasiões públicas. Por vezes cumprimentava as pessoas que se curvavam diante dele acertando-lhes com alguma coisa na cara ou dando-lhes um nariz a sangrar. Os pais diziam às vítimas de Alexei que ele era uma criança traquinas.
Com sete anos envergonhou os pais durante um jantar de família. Provocou as pessoas que estavam na mesa, recusou-se a sentar na cadeira, não comeu a comida a lambeu o prato. O seu pai desviou o olhar e tentou ignorar o comportamento do filho. A sua mãe acabou por culpar a irmã Olga, que estava sentada ao pé dele, por não o ter controlado. Segundo o grão-duque Constantino Constantinovich, a reacção de Alexandra não fez sentido. A Olga não consegue lidar com ele, escreveu no seu diário.
O tutor de Alexei, Pierre Gilliard, falou com os seus pais sobre o seu comportamento, acabando por os convencer de que a autonomia o ajudaria a desenvolver melhor o seu controle. Com o tempo Alexei acabou por ganhar uma liberdade fora do comum e, associada à sua doença, acabaram por lhe dar mais consciência. Os cortesões relataram que suas constantes enfermidades também faziam-no sensível aos sofrimentos alheios.
Alexei herdou a hemofilia de sua mãe Alexandra, uma condição que pode ser rastreada até sua avó materna, a rainha Vitória do Reino Unido. Em 2009, a análise genética determinou especificamente que ele sofria de hemofilia B. Ele teve que tomar cuidado para não se machucar, porque não possuía o fator IX, uma das proteínas necessárias para a coagulação do sangue. Segundo seu tutor francês, Pierre Gilliard, a natureza de sua doença foi mantida em segredo de Estado. Sua hemofilia era tão grave que lesões triviais, como uma contusão, uma hemorragia nasal ou um corte, eram potencialmente fatais. Dois marinheiros da marinha foram designados para ele para monitorá-lo e supervisioná-lo para evitar ferimentos, que ainda eram inevitáveis. Eles também o carregaram quando ele não conseguiu andar. Além de ser uma fonte de constante tormento para seus pais, os episódios recorrentes de doenças e longas recuperações interferiram bastante na educação de Alexei.