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Aljezur

Município de Portugal

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Aljezur ou Algezur é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Faro, sub-região (NUT III) da região (NUT II) do Algarve.

A vila é sede do Município de Aljezur que tem 323,50 km² de área e 6161 habitantes (censo de 2021), subdividido em 4 freguesias.

O município é limitado a norte pelo Município de Odemira, a leste pelo de Monchique, a sueste por Lagos, a sudoeste por Vila do Bispo e a oeste tem uma extensa costa no oceano Atlântico. O limite noroeste, com o Município de Odemira, é marcado pela Ribeira de Seixe. O litoral do município faz parte do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

Dom Dinis concedeu a Aljezur foral em 1280.

A história humana no território de Aljezur é muito antiga, encontrando-se entre os seus primeiros habitantes os povos mirenses, que habitaram a região entre os finais das épocas glaciais e cerca de 7000 mil anos a.C.. Foram depois encontrados indícios de ocupação durante o período entre 3000 e 2500 a.C., correspondendo aos finais do Neolítico e ao Calcolítico, e de 1200 a 800 a.C., já durante a Idade do Bronze. No área do castelo foram igualmente encontrados vestígios do período republicano de Roma.

Aljezur atingiu um elevado grau de desenvolvimento entre os séculos X e XIII, durante o período de domínio muçulmano, com a fundação da vila em si no século X, a construção do Castelo de Aljezur, e a implantação de importantes assentamentos, como o do Ribat da Arrifana. Segundo o artigo de António Guedes na revista Arquivo Histórico de Portugal, o próprio nome da vila é islâmico, significando «arcada, arcaria ou arcos.

A vila foi reconquistada pelas forças cristãs de D. Paio Peres Correia, durante o reinado de D. Afonso III, embora em data incerta, tendo sido apresentadas teorias de que teria sido em 1242, 1246 ou 1249. O sucesso da batalha foi atribuído a Santa Maria, tendo a padroeira de Aljezur passado a ser Nossa Senhora da Alva. D. Afonso III, em reconhecimento da Ordem de Santiago pelo seu papel na conquista de Aljezur, concedeu o concelho àquela ordem. A vila recebeu foral do rei D. Dinis em 12 de Novembro de 1280, tendo sido a primeira povoação algarvia a receber foral daquele monarca. Este documento concedeu grandes privilégios ao concelho, incluindo um que dispensava os cavaleiros de Aljezur de ir na rectaguarda dos exércitos. Em 1 de Dezembro de 1297, aquele monarca trocou a vila de Almada e a quinta de Alfeite pelos castelos de Monchique e Aljezur e as vilas de Almodôvar e Ourique, que passaram a pertencer à Ordem de Santiago.

Durante muitos anos os alcaides-mores do castelo foram os Condes de Vila Verde, e posteriormente este título passou para os marqueses de Angeja.

O Castelo de Aljezur terá sido abandonado entre os finais do século XV e os princípios do século XVI, tendo perdido a sua importância como posto defensivo, devido ao assoreamento da Ribeira de Aljezur, que diminuiu a sua navegabilidade.

Entre 1498 e 1527 foi fundada a Santa Casa da Misericórdia de Aljezur, cuja igreja terá sido construída durante o século XVI.

Em 1 de Junho de 1504, a Carta Diplomática de D. Dinis foi reformada por D. Manuel, que deu um novo foral a Aljezur, recebendo então o título de Honrada. Durante a Revolta do Manuelinho, um movimento lançado em 1637 contra o domínio espanhol sobre Portugal, Aljezur foi um dos principais focos de resistência no Algarve. No século XVII, foram construídos os fortes da Arrifana e da Carrapateira, de forma a defender a faixa costeira dos ataques dos corsários marroquinos, que assolavam a região desde a Restauração da independência, em 1640. Também nessa centúria foi edificada a Capela de Santo António, na vila de Aljezur.

Todo o concelho, e principalmente a vila de Aljezur, foram devastados pelo Sismo de 1755. Quase todas as casas foram destruídas, e a igreja matriz e o castelo ficaram muito danificados. O Bispo do Algarve, D. Francisco Gomes do Avelar, ordenou a construção de uma Nova Igreja Matriz, que iria ser o centro da nova localização da vila de Aljezur, uma vez que a antiga tinha problemas de salubridade. Porém, a população resistiu à mudança, tendo a nova comunidade ficado ao abandono até ao século XIX.

Em 1855 Aljezur deixou de ter um concelho próprio, passando a estar integrado no de Lagos, mas foi posteriormente reestabelecido, estando em 1889 organizado nas freguesias de Aljezur, Bordeira e Odeceixe. Em 1864 a vila tinha 700 fogos e 2800 habitantes, e em 1878, em conjunto com as freguesias próximas, contava com 1003 fogos e 4274 habitantes. No século XIX, a vila de Aljezur ainda era considerada como um porto marítimo, sendo referida como tal no tombo do concelho, em 1864. No século XIX o concelho ainda mantinha uma forte produção agrícola, devido à fertilidade dos seus terrenos. Também no século XIX foi inaugurado um novo edifício para a Câmara Municipal de Aljezur.

Em 1936 foi inaugurada a Ponte de Odeceixe, entre os concelhos de Odemira e de Aljezur, que veio melhorar consideravelmente as comunicações rodoviárias ao longo da faixa costeira ocidental.

Em 9 de Julho de 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, deu-se um combate aéreo no concelho, entre aviões aliados e alemães, que ficou conhecido como Batalha de Aljezur.

Em 1992 foi inaugurado o Museu Adega de Odeceixe, dedicado à produção vinícola.

Na década de 2010 surgiram várias propostas para a exploração de petróleo no concelho de Aljezur, tanto em meio terrestre como marítimo, por parte da GALP e da empresa italiana ENI. Este processo gerou uma viva polémica, tendo sido duramente criticado pelas populações locais, pelas autarquias de Aljezur e de Lagos, e pela Plataforma Algarve Livre de Petróleo. Em 2018, a GALP e a ENI anunciaram publicamente que tinham desistido dos seus planos para Aljezur, decisão motivada principalmente pela abertura de uma providência cautelar por parte da Plataforma Algarve Livre de Petróleo. Em 2025, o concelho de Aljezur recebeu a certificação como um destino turístico sustentável, na sequência de uma candidatura à Linha Regenerar Territórios - Incêndios 2023, organizada pela entidade Turismo de Portugal. Nesse ano, foi galardoado com a Medalha de Serviços Distintos - Grau Ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses, devido ao seu empenho na colaboração com a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Aljezur.

Nas primeiras décadas do século XXI, o concelho de Aljezur foi atingido por vários incêndios de grandes dimensões, como os de 2003, 2004, 2019, e 2020.

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