O Município de Almeida é um município raiano português pertencente ao Distrito da Guarda, na antiga província da Beira Alta, e englobada atualmente na sub-região Beiras e Serra da Estrela da Região do Centro.
Com sede da vila de Almeida, o Município de Almeida tem 517,98 km² de área e 5 882 habitantes (2021), subdividido em 16 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Figueira de Castelo Rodrigo, a leste pela Espanha, a sul pelo Sabugal e a oeste pela Guarda e por Pinhel. O atual município resulta da junção, no século XIX, de três municípios seculares: Almeida, Castelo Bom e Castelo Mendo, cujas antigas sedes são três vilas medievais fortificadas, que são hoje polos de interesse turístico.
A sede deste município, a vila de Almeida, que tem 1 146 habitantes (2021) na respectiva freguesia, é conhecida por sua fortaleza em forma de estrela de doze pontas, um dos mais espetaculares exemplares europeus dos sistemas defensivos abaluartados do século XVII.
A Praça-forte de Almeida está classificada como Monumento Nacional desde 1928 e é candidata à categoria de Património Mundial da UNESCO.
Localiza-se no Distrito da Guarda, região da Beira Interior, mais concretamente num território designado Terras de Riba-Côa. O seu carácter fronteiriço é bastante notório, uma vez que toda a sua confrontação a leste é com Espanha, constituindo parte da fronteira Portugal-Espanha, mais conhecida por Raia, sendo por isso esta zona também chamada "região arraiana".
Atravessando o município de sul para norte, e sendo um dos poucos rios portugueses que corre neste sentido, o rio Côa abre um abrupto vale nessa meseta, dividindo o município em duas partes bem vincadas.
O município atinge altitude próxima aos 765m na área do antigo Castelo, dentro da Fortaleza de Almeida. Esta posição permite a visualização - impedida apenas por condições climáticas - da Serra da Marofa (noroeste) e da Serra da Estrela (sudoeste). Para o lado leste, pode-se avistar a Serra de Francia, Serra da Gata e Serra de Gredos. Do planalto de Almeida, ainda vê-se as “terras de onze Bispados, Lamego, Guarda, Coimbra, Viseu, Braga, Miranda, Porto, Coria, Ciudad Rodrigo, Placencia e Salamanca”
O brasão tradicional de Almeida, usado até meados do século XX, consistia num escudo de prata, com um escudete das armas de Portugal à dextra e uma esfera armilar manuelina à sinistra. Este brasão foi contudo substituído por um totalmente novo e distinto daquele, no âmbito do processo de normalização da heráldica municipal portuguesa.
As atuais armas municipais de Almeida foram estabelecidas em 1960, com a seguinte ordenação: escudo de ouro, um castelo de vermelho, lavrado e iluminado do primeiro, aberto de azul, a porta aldrabada e besantada de prata. Coroa mural de prata de quatro torres aparentes. Listel branco com a legenda a negro "ALMEIDA".
A bandeira para cerimónias e desfiles (estandarte) é quadrada, com 1 metro de lado, tendo o campo de vermelho, com as armas municipais ao centro, rematado com cordões e borlas de ouro e de vermelho, tendo uma haste e lança de ouro. A bandeira para arvorar em mastros e edifícios é semelhante, mas com as proporções de 2 (largura) por 3 (comprimento), devendo as dimensões variar de modo a serem adequadas ao local onde é içada.
Há várias versões para explicar a toponímia do nome Almeida e todas determinam que a sua origem é árabe, dado que o prefixo al é dessa proveniência. Para alguns é Al Mêda e para outros é Talmeyda, com significado de “a mesa”, pelo facto da povoação se encontrar num terreno em vasto planalto, em formato de mesa. Há também quem afirme que o nome original seja Atmeidan que significa campo ou lugar de corrida de cavalos. Frei Bernardo de Brito, natural de Almeida e cronista-mor do reino, afirma que o nome original é Talmeyda. Há uma lenda que diz que a origem vem de uma mesa cravejada de pedras preciosas.
D. Fernando de Castela a conquistou aos mouros em 1039, mas voltaria a ser tomada em 1071. Em 1190, D. Sancho I de Portugal a tomou aos mouros, pela bravura de D. Paio Guterres, neto de D. Egas Moniz, que depois desta conquista ficou apelidado de Almeida. Com as intermináveis guerras daquela época ficou Almeida quase arrasada e despovoada. Assim a encontrou D. Dinis, reedificando-lhe o Castelo e dando-lhe foral em 1296.
As três vilas medievais do município ocupam posições estratégicas na defesa deste vale - Almeida e Castelo Bom, na margem leste, e Castelo Mendo, na margem ocidental -, historicamente muito disputado e que marcou inclusivamente, até ao Tratado de Alcanizes, a fronteira entre os reinos de Portugal e de Leão. Com o Tratado de Alcanizes em 1297, era reconhecida a posse portuguesa das chamadas terras de Riba-Côa.
D. Manuel amplificou as fortificações e a Vila, e lhe deu Foral Novo, em Santarém, no 1º de Junho de 1510. A povoação e seu castelo encontram-se figurados por Duarte de Armas (Livro das Fortalezas, c. 1509).
Almeida teve uma comunidade judaica que aí se fixou no século XV.
A 6 km de Almeida está a Capela do Mosteiro, que, segundo a tradição, foi igreja de um convento de Templários. D. João II reedificou esta capela, pondo-lhe as Armas de Portugal sobre a Cruz de Aviz de cuja Ordem era Grão Mestre, perdendo o edifício os vestígios da sua muita antiguidade.
Aqui nasceu em 20 de agosto de 1569, o célebre historiador Frei Bernardo de Brito, que estudou em Roma desde criança, e regressou a Portugal, formando-se em teologia pela Universidade de Coimbra em 1606. Cronista-Mor do Reino, da ordem de Cister, faleceu em Almeida a 27 de fevereiro de 1617.
Guerra da Restauração (1640-1668)