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Almodôvar

Município de Portugal

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Almodôvar é uma vila portuguesa pertencente ao distrito de Beja, região do Alentejo (NUT II) e sub-região do Baixo Alentejo (NUT III), com cerca de 3 000 habitantes (2021).

É sede do município homónimo que tem 777,88 km² de área e 6.694 habitantes (2023), e encontra-se subdividido em 6 freguesias.

O município é limitado a norte pelo município de Castro Verde, a este por Mértola, a sudeste por Alcoutim, a sul por Loulé, a sudoeste por Silves e a oeste e noroeste por Ourique.

O município de Almodôvar está situado entre a Serra do Caldeirão e a planície alentejana. Dista 64 quilómetros da capital de distrito, 74 quilómetros de Faro, e 214 quilómetros de Lisboa.

Com aproximadamente 778 km² de superfície, um terço do seu território, situado mais a norte e a que correspondem as freguesias de Aldeia dos Fernandes, Rosário e parte da União de Freguesias de Almodôvar e Graça de Padrões, é plano e pouco arborizado.

Os restantes dois terços situam-se mais a sul e são constituídos pela serra revestida de uma vegetação abundante, onde se destaca a esteva, o medronheiro, o sobreiro e a azinheira, e a que correspondem 4 das 6 freguesias: Almodôvar, União de Freguesias de Santa Clara-a-Nova e Gomes Aires, Santa Cruz e São Barnabé (onde se situa o Pico do Mú, um dos locais mais altos de toda a Serra do Caldeirão). As suas principais riquezas são a cortiça, a aguardente de medronho, o queijo de cabra e o mel. A população aqui é dispersa e vive destas atividades, que desenvolve em paralelo com a pequena agricultura.

No concelho nascem várias linhas de água, destacando-se o Rio Mira e a Ribeira de Odelouca. Outra importante linha de água no concelho é o Rio Vascão.

As atividades com maior expressão económica são o cultivo de cereais de sequeiro, a criação de gado bovino, ovino e suíno, a produção de leite e queijo de ovelha e a apicultura.

Nos concelhos de Almodôvar e de Castro Verde situa-se um importante jazigo de cobre e estanho, integrado da Faixa Piritosa Ibérica, e que é explorado pelo complexo mineiro de Neves-Corvo, situado no concelho de Castro Verde, embora apenas a cerca de meio quilómetro da aldeia de Nossa Senhora da Graça de Padrões, já em Almodôvar.

O clima apresenta características mediterrânicas, com verões quentes e secos e invernos frios e pouco chuvosos. As amplitudes térmicas são acentuadas, a denotar um carácter continental que se acentua à medida que caminhamos para leste, afastando‐nos do efeito regulador do Atlântico. A temperatura média é 15.9 °C. O mês mais quente do ano é agosto, com uma temperatura média de 23.1 °C. A temperatura média em janeiro é de 10.0 °C, sendo a temperatura média mais baixa de todo o ano.

A pluviosidade é pouco significativa, aumentando gradualmente de norte para sul. À escassez de pluviosidade, há que acrescentar a forte sazonalidade da precipitação e uma grande variabilidade interanual. A pluviosidade média anual é de 576 mm.

De acordo com os vestígios arqueológicos, o território correspondente ao concelho de Almodôvar tem ocupação humana desde há cerca de 3 mil anos a.C.. Entre os principais vestígios pré-históricos, incluem-se várias antas nas freguesias de Santa Clara-a-Nova e Gomes Aires, a Estela de Monte Gordo, no Rosário, e diversos tholos em São Barnabé, estes últimos do Calcolítico.

A ocupação humana atingiu uma especial expressividade durante as Idades do Bronze e do Ferro, como se pode constatar pela presença de várias estelas funerárias, algumas delas ostentando a Escrita do sudoeste, que é considerada como a escrita mais antiga na Península Ibérica, datando dos séculos VIII a V a.C. Várias destas peças foram preservadas no Museu da Escrita do Sudoeste, na sede do concelho. Um dos monumentos deste período é a Necrópole do Monte Branco, provavelmente construída há cerca de três mil anos atrás, durante a fase de transição entre as idades do Bronze e Ferro. Terá sido também na Idade do Ferro que nasceu a povoação que viria depois a ser conhecida como Almodôvar.

O território conheceu depois um franco desenvolvimento durante o período romano, devido principalmente às suas condições geográficas estratégicas, sendo percorrido por importantes caminhos tanto de Sul para Norte como de ocidente para oriente.

Uma das estradas provavelmente atravessaria a Ribeira de Cobres numa ponte, situada no mesmo local onde foi posteriormente construída a Ponte da Ribeira de Cobres. Os vestígios romanos incluem uma rede de fortificações ao longo do percurso da Ribeira de Oeiras, uma barragem em terra batida, a Necrópole do Monte Novo do Castelinho, uma mina em Brancanes, e o importante Povoado das Mesas do Castelinho, onde ainda são visíveis vários edifícios e uma estrutura viária ortogonal.

José Garcia de Lima, na sua obra Arquivo Histórico de Portugal, refere que segundo alguns autores, a vila de Almodôvar já existia no período romano, apontando como testemunho desta hipótese a circunstância de terem sido encontradas muitas medalhas romanas e islâmicas na Herdade da Horta das Mouras em 1799, tendo algumas delas sido cedidas à Academia Real das Ciências.

Períodos visigótico e islâmico

A ocupação humana continuou após o final do domínio romano, tendo sido encontrados apenas alguns testemunhos deste período, identificados como paleocristãos ou visigóticos, estando então integrada nas dioceses de Ossónoba e Paca. Segundo a obra Album Alentejano, alguns autores referem que a povoação já existia no século VIII.

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