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Altamira

Maior município brasileiro em extensão, pertencente ao estado do Pará

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Altamira é um município brasileiro localizado no estado do Pará, na Região Norte do país. Sua população estimada em 2025 era de 138 749 habitantes. Com uma área de 159 533,328 km², segundo o IBGE em 2022, posiciona-se como o município mais extenso do Brasil.

Até 2009 foi o maior município do mundo em extensão territorial, sendo maior que dez estados brasileiros, além do Distrito Federal e vários países como Portugal, Islândia, Irlanda, Suíça, entre outros. Fica a uma altitude de 109 metros, latitude 03º12'12" sul e longitude 52º12'23" oeste.

A Rodovia Transamazônica atravessa o município no sentido leste-oeste numa extensão de 60 km, ligando Altamira a Belém (800 km), Marabá (510 km), Itaituba (500 km) e Santarém (570 km). Característica notória do município é sua hidrografia: Altamira está cravada às margens do rio Xingu, com sua série de afluentes e cachoeiras que se distribuem por toda a região.

Tradicionalmente considera-se que foi o coronel Gayoso o responsável pela mudança de nome do povoado de Tavaquara, que passou a chamar-se Altamira. Gayoso, por ser um rico comerciante, viajava para a Europa, e numa de suas viagens à Espanha conhecera ou ouvira falar da recém descoberta Caverna de Altamira, que continham pinturas rupestres pré-históricas admiráveis, razão pela qual passou a chamar a área próxima de sua propriedade de Altamira, onde moravam seus escravos.

A etimologia para o vocábulo "Altamira" vêm do espanhol, e provavelmente sua origem não está relacionada com o verbo mirar, mas tem uma origem pré-romana, com o elemento hidronímico mira e o elemento inicial al-t , o que poderia corresponder à raiz indo-europeia al (elevado, esplêndido), próximo do latim altus.

A história de Altamira compreende, tradicionalmente, o período que vai da instalação da missão jesuíta formadora da cidade até os dias atuais. Entretanto o território municipal é habitado, desde tempos imemoriais, por povos indígenas nômades e semi-nômades.

Apesar de se saber que mesmo antes do século XVIII antigas Missões Jesuíticas já habitavam a região do Xingu, foi somente na década de 1750 que o Padre Roque Hunderfund adentrou o rio Xingu até o Igarapé Tucuruí, posteriormente denominado Vitória. Ali, fez contatos com indígenas Xipaia e Kuruaya, que lhe guiaram em direção à Volta Grande do Xingu. Ali, próximo à foz do igarapé Panelas, escolheram o local de fundação da Missão Tavaquara, cujo aldeamento formou a cidade de Altamira.

As políticas do primeiro-ministro português Marquês de Pombal, ainda no século XVIII, fecham todas as missões jesuítas nas colônias, fazendo a Missão Tavaquara encerrar suas atividades. A paróquia de Souzel continuou a prestar assistência ao aldeamento porém, somente em 1841, o Pe. Antônio Torquato de Souza, reabre a picada que ligava, por terra, o igarapé Vitória, no baixo Xingu, à Missão Tavaquara, mais acima, de maneira a transpor os trechos de cachoeira, tornado mais acessível o trabalho em Tavaquara.

A primeira elevação administrativa se deu em 14 de abril de 1874, no ato de criação do município de Souzel (atual Senador José Porfírio), onde a Missão Tavaquara (Altamira) foi elevada à categoria de povoado. Nesse período o povoado sobrevivia da extração e comercialização da borracha e de outras drogas do sertão, além de se comunicar com Souzel e Porto de Moz por navegação a vapor.

Em 2 de abril de 1883, por influência do coronel Francisco Gayoso, o povoado de Tavaquara é elevado a vila do município de Souzel, recebendo na data o nome de Altamira. Por influência também do coronel Gayoso foi aberta uma picada, ligando o baixo ao médio Xingu, com o objetivo de transformar em estrada, empregando trabalho escravo africano.

Em 1880, Agrário Cavalcante retomou os trabalhos do coronel Gayoso, retificando o traçado da estrada, partindo do local onde se encontra hoje a sede do município de Vitória do Xingu e chegando à foz do igarapé Ambé, ali construindo o Forte Ambé, que já não mais existe.

Emancipação e desdobramentos administrativos

Pela lei estadual nº 1234, de 6 de novembro de 1911, a vila de Altamira foi elevada à categoria de distrito e município com a denominação de Altamira, desmembrado de Souzel (atual Senador José Porfírio). A sede foi estabelecida em Altamira, que para tal foi ratificada como vila. Na data da emancipação, era constituído somente pelo distrito sede. O município foi formalmente instalado em 1º de janeiro de 1912, com a posse do seu primeiro intendente (atualmente cargo correspondente a prefeito) Pedro de Oliveira Lemos.

A sede municipal somente foi elevada à condição de cidade, com a denominação de Altamira, pela lei estadual nº 1604, de 27 de setembro de 1917.

Pela lei estadual nº 8, de 31 de outubro de 1935, Altamira passou a denominar-se Xingu, e; pelo decreto-lei estadual nº 2972, de 31 de março de 1938, o município de Xingu voltou a denominar-se Altamira.

Década de 1940 a década de 2000

Em 1972 foi implantado nesse município o marco zero da Rodovia Transamazônica (BR-230) pelo ditador do Brasil, Emílio Garrastazu Médici, popularmente conhecido como Pau do Presidente. Iniciava-se um período de intensa exploração da floresta amazônica, com assentamentos de colonos e abertura de vias terrestres, algumas já abandonadas e outras que geraram os municípios da região (Medicilândia, Anapu, Vitória do Xingu etc.).

Entre o final da década de 1980 e 1990 Altamira ganhou notoriedade com uma série de crimes que ficaram conhecidos como o caso dos meninos emasculados, que vitimou meninos com idades entre 8 e 14 anos.

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