Neste Dia

Ana, mãe de Maria

Mãe da Virgem Maria e avó de Jesus

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De acordo com os apócrifos, bem como a tradição cristã e islâmica, Santa Ana (ou Sant'Ana) era a mãe de Maria, a esposa de Joaquim e a avó materna de Jesus Cristo. A mãe de Maria não é nomeada nos evangelhos canônicos da Bíblia. Por escrito, o nome de Ana e o de seu marido Joaquim vêm apenas dos apócrifos do Novo Testamento, dos quais o Evangelho de Tiago (escrito talvez por volta de 150 d.C.) parece ser o mais antigo que os menciona. A mãe de Maria é mencionada, mas não nomeada, no Alcorão.

Sabe-se muito pouco sobre Santa Ana. Sabe-se que esta era mãe de Maria de Nazaré, esposa de São Joaquim e avó de Jesus. Sabe-se também que esta teria após o nascimento da Virgem Maria tido mais uma ou duas filhas, pois Deus liberara após Joaquim ter ficado 40 dias no deserto. O nome dessas filhas são Maria Salomé e Maria de Cleofas.

Os dados biográficos que sabemos sobre os pais de Maria foram legados pelo Proto-evangelho de Tiago, obra citada em diversos estudos dos padres da Igreja Oriental, como Epifânio e Gregório de Níssa.

Sant'Ana, cujo nome em hebraico significa graça, pertencia à família do sacerdote Aarão e seu marido, São Joaquim, pertencia à família real de Davi.

Seu marido, São Joaquim, homem pio, fora censurado pelo sacerdote Rubem por não ter filhos. Mas Sant’Ana já era idosa e estéril. Confiando no poder divino, São Joaquim retirou-se ao deserto para rezar e fazer penitência. Ali um anjo do Senhor lhe apareceu, dizendo que Deus havia ouvido suas preces. Tendo voltado ao lar, os dois esposos encontram-se na Porta Dourada de Jerusalém, e algum tempo depois, Sant’Ana ficou grávida. A paciência e a resignação com que sofriam a esterilidade levaram-lhes ao prêmio de ter por filha aquela que seria a Mãe de Jesus. Os autores medievais vêm no seu beijo casto no Encontro na Porta Dourada o momento da imaculada concepção de Maria. Segundo outras versões, preferidas pelos dominicanos e outros maculistas, não há nenhuma sugestão de que Maria tenha sido concebida de outra forma que não a biológica normal após o reencontro dos seus pais.

Eram residentes em Jerusalém, ao lado da piscina de Betesda, onde hoje se ergue a Basílica de Santana; e aí, num sábado, 8 de setembro do ano 20 a.C., nasceu-lhes uma filha que recebeu o nome de Miriam, que em hebraico significa "Senhora da Luz", passado para o latim como Maria. Maria foi oferecida ao Templo de Jerusalém aos três anos, tendo lá permanecido até os doze anos.

Pelo texto Caverna dos Tesouros, atribuído a Efrém da Síria, Ana (Hannâ) era filha de Pâkôdh e seu marido se chamava Yônâkhîr. Yônâkhîr e Jacó eram filhos de Matã e Sabhrath. Jacó foi o pai de José, desta forma, José e Maria eram primos.

São João Damasceno, ao escrever sobre o Natal, deixa claro que São Joaquim e Santa Ana são os pais de Maria.

A devoção aos pais de Maria é muito antiga no Oriente, onde foram cultuados desde os primeiros séculos de nossa era, atingindo sua plenitude no século VI. Já no Ocidente, o culto de Santana remonta ao século VIII, quando, no ano de 710, suas relíquias foram levadas da Terra Santa para Constantinopla, donde foram distribuídas para muitas igrejas do ocidente, estando a maior delas na igreja de Sant’Ana, em Düren, Renânia, Alemanha.

Seu culto foi tornando-se muito popular na Idade Média, especialmente na Alemanha. Em 1378, o Papa Urbano IV oficializou seu culto. Em 1584, o Papa Gregório XIII fixou a data da festa de Sant’Ana em 26 de julho, e o Papa Leão XIII a estendeu para toda a Igreja, em 1879. Em França, o culto da Mãe de Maria teve um impulso extraordinário depois das aparições da santa em Auray, em 1623.

Tendo sido São Joaquim comemorado, inicialmente, em dia diverso ao de Sant’Ana, o Papa Paulo VI associou num único dia, 26 de julho, a celebração dos pais de Maria, mãe de Jesus.

Nas religiões afro-brasileiras a orixá Nanã Buruque é sincretizada como Sant´Anna. A orixá é deusa da chuva e águas barrentas ou águas de lagos parados. Orixá mais velha, dotada de maturidade, sabedoria, serenidade. Sua cor é a violeta, cor da transmutação e transformação.

As relíquias de Santa Ana foram trazidas da Terra Santa para Constantinopla em 710 e foram mantidas lá na igreja de Santa Sofia até 1333. Durante os séculos XII e XIII, cruzados e peregrinos do Oriente trouxeram relíquias de Santa Ana para várias igrejas. As relíquias de Santa Ana foram tradicionalmente preservadas e veneradas nas muitas catedrais e mosteiros dedicados a seu nome, por exemplo, na Áustria, Canadá, Alemanha, Itália e Grécia, no Monte Sagrado e na cidade de Katerini. O artesanato medieval e barroco é evidenciado na impressionante obra metalúrgica dos relicários de tamanho natural, contendo os ossos do antebraço, por exemplo. Exemplos empregando técnicas de arte popular também são conhecidos. Düren foi o principal lugar de peregrinação para Anne desde 1506, quando o Papa Júlio II decretou que suas relíquias deveriam ser mantidas lá.[carece de fontes?]

O Encontro de Santa Ana e São Joaquim na pintura

O Encontro de Santa Ana e São Joaquim evocador da doutrina da Imaculada Conceição é um tema bem representado da pintura portuguesa da primeira metade do século XVI, seguindo os quadros flamengos sobre o tema, mas contendo variações como seja a inclusão da figura da Virgem Maria, que às vezes brota de ramificações saídas dos corpos de seus pais. São exemplos o painel do Museu de Arte Antiga (de Gregório Lopes),[carece de fontes?] o painel da Coleção Alberto Lacerda, Caramulo (de Garcia Fernandes?), o painel da Igreja matriz de Arruda dos Vinhos.

Mas este tema não aparece sempre explicitamente associado ao da Imaculada Conceição, aparecendo por vezes com a Virgem e o Menino. Também pode integrar-se numa Genealogia da Virgem, apresentada como uma flor que brota de hastes entrelaçadas que saem dos seus progenitores, numa derivação do tema da Árvore de Jessé. Pode ainda surgir associado à Coroação da Virgem.

A posição de Santa Ana e São Joaquim nessas pinturas é algumas vezes derivada das posturas da Visitação, quando se apresentam de pé abraçados, ou ajoelhadas de perfil frente a frente, numa postura própria das figuras mediadoras nos temas de intercessão. Algumas das variantes do Encontro de Santa Ana e São Joaquim procedentes de oficinas quinhentistas de Lisboa que chegaram até nós refletem a mistura dos vários temas. Estas variantes permitem-nos ver as flutuações de um tema que manteve a sua atualidade, articulando diversas fontes iconográficas, modificando os modelos e a sua combinação. Ainda que se verifique a diminuição da popularidade com a Contrarreforma, este tema continua sendo encontrado ao longo dos séculos XVI e XVII em Portugal e Espanha.

No Brasil, associa-se Sant'Ana à figura da matrona branca dos engenhos, “que passou a ser considerada guardiã e transmissora da religião”. Para Eduardo Hoornaert, em História da Igreja no Brasil, “Sant’Anna é o símbolo da Casa-grande ensinando o catecismo ao pessoal da senzala”.

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