Ana Carolina de Souza (Juiz de Fora, 9 de setembro de 1974) é uma cantora, compositora, musicista e escritora brasileira. Seu álbum de estreia, homônimo (1999), foi lançado com sucesso comercial e recebeu certificação de platina, pela Pro-Música Brasil (PMB), impulsionado pelo sucesso do single "Garganta". Ela ganhou ainda mais reconhecimento pelo êxito de "Quem de Nós Dois", parte de seu segundo disco de estúdio Ana Rita Joana Iracema e Carolina (2001), que foi a música mais tocada nas rádios do Brasil em 2001. Estampado, seu projeto seguinte, vendeu mais de 600 mil cópias e gerou sucessos como "Encostar na Tua", "Uma Louca Tempestade" e "Pra Rua Me Levar". Em seguida, ela lançou a coletânea Perfil, que foi reconhecido pela PMB com certificado de diamante e como o álbum mais comprado no Brasil em 2005. No mesmo ano, atraiu aclamação por sua colaboração com Seu Jorge, que começou com o álbum, Ana & Jorge. O projeto extraiu o sucesso "É Isso Aí (The Blower's Daughter)", uma das músicas mais tocadas em 2005.
Seus álbuns seguintes, Dois Quartos (2006) e N9ve (2009), geraram sucessos como "Rosas", "Carvão" e "Entreolhares (The Way You’re Looking at Me)". Também em 2009, é lançado o CD e DVD Multishow Registro: Ana Car9lina + Um, com duas canções inéditas e participação de vários artistas, entre eles, Maria Gadú, Maria Bethânia, Roberta Sá, Antonio Villeroy. Contudo, #AC ao Vivo e Fogueira em Alto Mar (2019), seus mais recentes álbuns de estúdio, obtiveram menor desempenho comercial. Ao longo de sua carreira, a artista venceu 8 vezes o Prêmio Multishow de Música Brasileira, 3 vezes o Troféu Imprensa e 1 vez o Prêmio TIM de Música. Estima-se que Ana tenha vendido mais de 5 milhões de unidades de álbuns em toda a carreira.
É filha de Maria Aparecida de Souza e Antônio Melgaço. Logo aos dois meses de idade, Ana Carolina perdeu o pai, que morreu de trombose. Ana declarou que possivelmente é fruto de uma traição de sua mãe, ao dar uma entrevista se referindo a uma música sua que recebe o mesmo nome Traição no mais recente álbum, N9ve. Ana tem uma irmã chamada Selma, que é 14 anos mais velha, e também um irmão. Sua influência musical vem de família – a avó cantava em rádio, fazendo sucesso, o avô em igreja e os tios-avós tocavam percussão, piano, cello e violino. Ana contou em entrevista para Jô Soares, em 6 de junho de 2008, que uma lenda dentro da própria sua família dizia que sua avó teria tido um caso com Luiz Gonzaga na juventude. A mãe era proprietária de um salão de cabeleireiro e Ana fazia do local seu palco, usava como microfone um rolo de cabelo e cantava versos de Caetano, entre outros. Morava no bairro Granbery, e estudou no Instituto Granbery da Igreja Metodista a maior parte da vida. Começou a cantar aos 18 anos nos barzinhos da cidade com o repertório de Jobim, Chico, Ary Barroso e outros clássicos. Em entrevista, Ana diz que a experiência em bares foi, para ela, uma escola, além de cantar sucessos do rádio, cantava outras canções. Foi quando Ana Carolina conhecera Luciana David e Keley Lopes, duas estudantes de Comunicação, que gostaram do que ouviram e se tornaram suas empresárias.
Então, começaram a surgir convites de mais bares nas cidade vizinhas e, acompanhada sempre pelo amigo e percussionista Knorr, rodou alguns quilômetros da Zona da Mata mineira. Nesse tempo, Ana começou a compor, contudo essas não foram interpretadas tão cedo. Ana fez um cursinho pré-vestibular no Colégio e Curso Meta ingressando na faculdade de Letras, na Universidade Federal de Juiz de Fora, onde cursou por pouco tempo. Conforme o tempo foi passando, Ana ia se tornando mais conhecida, até o dia em que foi convidada para participar em apresentações maiores, como na abertura do concerto da Orquestra Internacional de Ray Conniff, em 1997. Posteriormente, o italiano Máximo Pratesi convidou alguns artistas para se apresentarem em Roma. Além de Ana, convidou o grupo de MPB da cidade, o Lúdica Música. No Rio, onde assinariam o contrato, Pratesi descobre que Ana era diabética, desistindo de fechar o negócio por puro preconceito, o que deixou Ana decepcionada: "Fiquei triste num primeiro momento, mas depois agradeci por não ter ido, pois o fato de eu ter ficado aqui me permitiu crescer e amadurecer na música".
Depois de realizar várias apresentações em Belo Horizonte, um rapaz chegou ao camarim com a letra de uma música que compôs enquanto a assistia. Esse rapaz, era o compositor gaúcho, José Antônio Franco Villeroy que se tornaria um dos melhores amigos e parceiros de Ana, a música era "Garganta" - música que foi o primeiro sucesso da carreira da cantora. "Depois me lembrei que conhecia Totonho, eu tinha ido a um show dele no Rio, no Mistura Fina, e adorei, tanto que comprei os dois discos independentes dele.", recorda. Quando vinha cantar ou a passeio no Rio, Ana, muitas vezes, ficava hospedada na casa da amiga Cássia Eller.
1998–2005: Ana Carolina, ARJIC e Estampado
Em 1998, apresentou-se no Hipódromo e no bar Mistura Fina; na plateia estava a neta de Vinicius de Moraes, Luciana, a qual entregou uma fita demo. Depois de quinze dias, Ana estava com proposta de duas gravadoras, contudo, assinou o contrato com a BMG. Isso fez com que ela se mudasse para o Recreio dos Bandeirantes, e começasse a produzir o primeiro álbum, Ana Carolina. Naquele ano, duas canções desse trabalho foram parar em duas trilha sonoras de novelas da TV Globo: "Garganta", "Andando nas Nuvens", "Tô Saindo" e "Vila Madalena", ambas de autoria de Antonio Villeroy. "Nada pra Mim", uma inédita composta por John, do mineiro Pato Fu, integrou a trilha da telenovela Malhação, em 2000, mesmo ano em que foi indicada à primeira edição do Grammy Latino, na categoria brasileira de "Melhor Álbum Pop Contemporâneo". Com o álbum, Ana ganhou disco de ouro pelos 250 mil cópias vendidas e foi apontada como "a grande promessa da MPB", comparada com Cássia Eller e Zélia Duncan. Em 2001, Ana Carolina fez composições e interpretou uma canção para o longa metragem "Amores Possíveis", "Velas e Vento" e "Margem da Pele", esta última é interpretada por Paula Lima.
Em abril do mesmo ano, lançou seu segundo álbum, Ana Rita Joana Iracema e Carolina, com onze letras compostas por ela e, as várias mulheres criadas por Chico Buarque, fazem parte do título do álbum, como uma homenagem que a cantora faz ao grande ídolo. A canção título é de autoria de Antonio Villeroy. O álbum vendeu 100 mil cópias, e ficou com duas semanas com o 2° mais vendido do Rio de Janeiro e São Paulo e, em 15 dias foi contemplado com o disco de ouro, depois de platina, ultrapassando a marca de 300 mil cópias. "Quem de Nós Dois (La Mia Storia Tra le Dita)", versão de Ana e Dudu Falcão para um sucesso italiano dos anos 1990, que fez parte da trilha de mais uma novela das 7, Um Anjo Caiu do Céu.
Em agosto de 2003, lança seu terceiro álbum, Estampado. Ana diz que este álbum tem a sua cara. O disco é mais rock and roll, o violão nervoso de Ana guia todos os batimentos; são 13 canções próprias e novos parceiros, como Vitor Ramil, Chico César e Seu Jorge, além de 2 Bicudos, de Antonio Villeroy e Uma Louca Tempestade, de Antonio Villeroy e Bebeto Alves, O álbum obteve vendagem de 100 mil cópias e foi considerado o melhor álbum de sua carreira por todos os cantos que se ouvia Ana Carolina, tanto que recebeu disco de ouro no ano seguinte.
Também foram lançados dois DVDs com conteúdos relacionados ao álbum. O primeiro DVD traz um documentário com os bastidores da gravação do álbum, a fase de composições, gravação e finalização, além de bate-papos com João Bosco, Chico Buarque, Maria Bethânia, entre outros. Já o segundo DVD, Estampado - Um Instante Que Não Pára, traz o registro de um show realizado no Claro Hall, Rio de Janeiro, com um público de 9 mil pessoas. Apesar de ser seu segundo DVD, este foi o primeiro a trazer um show completo da cantora. Neste segundo DVD, estão presentes as canções "Vestido Estampado", "Sinais de Fogo", "Outra Vez" e "Eu Gosto de Mulher", sucesso da banda Ultraje a Rigor, agora transformado em discurso gay.