Ana da Dinamarca (Skanderborg, 12 de dezembro de 1574 – Londres, 2 de março de 1619) foi a esposa do rei Jaime VI e I e rainha consorte do Reino da Escócia de 1589 até sua morte, bem como da Inglaterra e do Reino da Irlanda a partir de 1603.
A segunda filha do rei Frederico II da Dinamarca e Sofia de Mecklemburgo-Güstrow, Ana se casou com Jaime aos catorze anos. Eles tiveram três filhos que sobreviveram à infância, incluindo o futuro rei Carlos I. Ela demonstrou ser uma rainha independente e ter uma vontade de usar as políticas escocesas de facções em seus conflitos com Jaime sobre a custódia do príncipe Henrique Frederico e do tratamento de sua amiga Beatriz Ruthven. Ana aparentemente amava o rei no início do casamento, porém o casal gradualmente se distanciou e eventualmente passaram a viver separados, apesar de manterem um grau de respeito mútuo e afeição.
Na Inglaterra, Ana mudou suas energias para patrocinar às artes e construir sua própria corte, hospedando um dos salões culturais mais ricos da Europa. Ela sofreu vários ataques de doenças depois de 1612 e gradualmente se retirou do centro da vida da corte. Apesar de ter sido relatado que Ana sempre foi uma protestante, evidências sugerem que ela se converteu ao catolicismo em algum momento de sua vida.
Historiadores tradicionalmente consideraram Ana como uma rainha sem-peso, frívola e auto-indulgente. Porém, reavaliações recentes reconheceram sua independência e, particularmente, sua significância como patrona das artes durante a era jacobita.
Ana nasceu em 12 de dezembro de 1574 no Castelo de Skanderborg, Dinamarca. Seu nascimento foi um grande golpe para seu pai, o rei Frederico II, que desesperadamente esperava por um filho. Sua mãe Sofia de Mecklemburgo-Güstrow tinha apenas dezessete anos; três anos depois ela deu à luz um menino, o futuro rei Cristiano IV da Dinamarca.
Ana foi enviada para ser criada em Güstrow por seus avós maternos Isabel e Ulrico III, Duque de Mecklemburgo-Güstrow, junto com sua irmã mais velha Isabel. Ao contrário da itinerante corte dinamarquesa, onde Frederico era notório por seus banquetes grandiosos, bebedeiras e comportamento inadequado (incluindo infidelidade conjugal), Güstrow deu a Ana uma vida frugal e estável durante seus primeiros anos de vida. Cristiano também foi enviado a Güstrow em 1579, depois do Riksråd (conselho privado dinamarquês) ter conseguido pedir sua retirada da Dinamarca, com Ana e Isabel eventualmente retornando com ele.
Ana teve um crescimento familiar feliz e intimo na Dinamarca principalmente graças a sua mãe, que cuidava pessoalmente dos filhos quando estavam doentes. Pretendentes de toda a Europa procuraram as mãos de Ana e Isabel em casamento, incluindo o rei Jaime VI da Escócia, que via a Dinamarca como um reino reformado em religião e um lucrativo parceiro comercial.
A outra séria pretendente de Jaime era Catarina de Bourbon, oito anos mais velha, irmã do rei Henrique III de Navarra, que era a escolha preferida da rainha Isabel I de Inglaterra. Os embaixadores escoceses haviam primeiro concentrado-se em Isabel, porém Frederico acabou prometendo-a ao duque Henrique Júlio de Brunsvique-Luneburgo, prometendo aos escoceses "a segunda [filha] Ana, se o Rei gostar dela, ele irá tê-la".
A posição constitucional de Sofia tornou-se difícil em 1588 com a morte de Frederico, e ela ficou envolvida em uma luta por poder contra o Riksråd pelo controle de Cristiano. Como casamenteira Sofia mostrou-se mais diligente que seu marido e, superando pontos de atrito como a quantia do dote e a situação de Órcades, conseguiu selar um acordo em julho de 1589. Ana aparentemente ficou animada com a união. O espião inglês Tomás Fowler relatou em 28 de julho de 1589 que ela estava "tão apaixonada pela Majestade do Rei como se fosse a morte para ter isso quebrado, tendo feito várias e boas provas para mostrar a afeição que sua Majestade é apto em nenhuma maneira de retribuir". A insinuação de Fowler que Jaime preferia homens foi escondida da jovem Ana, que bordou camisas para seu noivo enquanto trezentos costureiros trabalhavam em seu vestido de casamento.
Não importando a verdade dos rumores, Jaime precisava de um casamento real para continuar a linhagem da Casa de Stuart. "Deus é minha testemunha", ele explicou, "Eu poderia ter me abstido mais tempo do que o bem-estar do meu país poderia ter permitido, [não tivesse] o meu atraso criados nos seios de muitos um grande ciúme da minha incapacidade, como se eu fosse um estoque estéril". Ana se casou por procuração com Jaime em 20 de agosto de 1589 no Castelo de Kronborg, com Jorge Keith, 5.º Conde Marischal e representante do rei, deitando-se ao lado de Ana na cama matrimônial ao final da cerimônia.
Ana partiu para a Escócia dez dias depois, porém sua frota foi afligida por vários infortúnios: em duas ocasiões em Helsingør os canhões navais dispararam e feriram ou mataram pessoas próximas e tripulantes, tempestades atrapalharam a viagem, dois navios que a acompanhavam colidiram, seu navio Gideon teve vários vazamentos e foi obrigado a parar na Noruega para realizar reparados, porém começou a vazar novamente mais tarde e as tripulações começaram a ficar inseguras quanto a viagem. Eles foram forçados a voltar para a costa da Noruega, de onde ela viajou para Oslo por terra acompanhada por Keith e outros embaixadores escoceses e dinamarqueses.
A 12 de Setembro Lord Dingwall desembarca em Leith, reportando que "tinha vindo na companhia da frota da rainha durante trezentas milhas e foi deles separado por uma grande tempestade: temia-se que a rainha estivesse em perigo nos mares." Alarmado, Jaime apela a jejum nacional e orações publicas, fica de vigília no estuário de Forth pela chegada da rainha, escreve várias canções, comparando, numa delas, a situação que vivia ao apuro de Hero e envia um pequeno destacamento para procurar Ana, levando consigo uma carta escrita para ela em francês: "Só aquele que me conhece tão bem como o seu reflexo no espelho poderia expressar, minha adorada, os terrores que tenho passado por causa dos ventos contrários e tempestades violentas que enfrenta desde que embarcou..." Informado em Outubro de que os dinamarqueses cessariam travessias marítimas pelo inverno e, naquilo que Willson chama de "o único episódio romântico da sua vida", Jaime parte de Leith com uma frota de trezentos homens para ir buscar a sua rainha em pessoa, tendo chegado a Oslo no dia 19 de Novembro depois de ter viajado por terra desde Flekkefjord. Segundo um relato escocês, Jaime apresentou-se a Ana "com botas e tudo" e, desarmando-a dos seus protestos, deu-lhe um beijo à maneira escocesa.
Ana e Jaime casam-se formalmente no Palácio do Velho Bispo em Oslo a 23 de Novembro de 1589, "com todo o esplendor possível que permitia a altura e o lugar." Para que tanto o noivo como a noiva compreendessem a cerimónia, o ministro David Lindsay conduz o serviço em francês, descrevendo Ana como "uma princesa tanto pura como bonita (...) dá grande consentimento a sua majestade." Segue-se um mês de celebrações e, a 22 de Dezembro, depois de cortar a sua comitiva para cinquenta membros, Jaime visita os seus novos parentes no Castelo de Kronborg em Elsinore onde os recém-casados são recebidos pela rainha-viúva Sofia, Cristiano IV, de doze anos e os seus quatro regentes. O casal viaja para Copenhaga a 7 de Março onde participa na cerimónia de casamento da irmã mais velha de Ana, Isabel, partindo dois dias depois para a Escócia. Chegam a Leith a 1 de Maio e, cinco dias depois, Ana faz a sua entrada de estado em Edimburgo numa carruagem de ouro trazida da Dinamarca e com Jaime a cavalgar a seu lado.
Ana é coroada no dia 17 de Maio de 1590 na Abadia de Holyrood na primeira coroação protestante da história escocesa. Durante a cerimónia de sete horas, o seu vestido foi aberto pela condessa de Mar para que o padre Robert Bruce vertesse "uma boa quantidade de óleo" em "partes do seu seio e braço", tornando-a assim rainha. (os padres da igreja escocesa mostram-se completamente contra este elemento da cerimónia, considerando-o um ritual pagão e judeu, mas Jaime insistia que este tinha a sua origem no Velho Testamento.) O rei entregou a coroa ao chanceler Maitland que a colocou na cabeça de Ana. Depois Ana pronunciou um juramento onde prometia defender a verdadeira religião, a veneração a Deus e "opor-se e desprezar todas as superstições papistas e qualquer cerimónia ou ritual contrários à palavra de Deus."