Anastácio Sinaíta ou Anastácio do Sinai foi um prolífico escritor eclesiástico, padre, monge e abade do Mosteiro de Santa Catarina no Monte Sinai.
O pouco que se sabe sobre a vida de Anastácio foi obtido a partir de suas próprias obras . Na antiguidade, ele era frequentemente confundido com o presbítero e escritor Anastácio I de Antioquia (559 - 598) e a autoria de várias das obras atribuídas a Anastácio do Sinai tem sido fortemente disputadas. Um cânone foi aceito provisoriamente entre os acadêmicos modernos, mas mesmo nestas obras há seções espúrias. Os textos são na forma de perguntas e respostas sobre os dogmas, rituais e estilos de vida cristãos, sermões e exegese. Ele também gostava de rastrear a etimologia de termos importantes do cristianismo e era um erudito tanto sobre a Bíblia quanto sobre a literatura patrística. Além disso, ele tinha um amplo interesse na natureza de Deus e do homem, especialmente em cristologia. Ele também não relutava em desenvolver e expressar suas próprias teorias sobre assuntos eclesiásticos chave, o que provocou comentários, emendas e até censuras posteriores a partes de suas obras.
Suas principais obras incluem a Viae Dux, Qaestiones et Responsiones, Hexaemeron, Homilia i, ii, iii de creatione hominis, and the Narrationes. A Viae Dux - também chamada de Hodegos (transliteração do grego) e "Guia do caminho certo" - foi escrita em defesa do credo calcedoniano contra os ataques heréticos, principalmente dos monofisistas.
Suas Qaestiones et Responsiones ("Perguntas e Respostas") caem na categoria da teologia pastoral e foram muito populares. Nelas, Anastácio oferece conselhos, principalmente para a comunidade laica, sobre assuntos espirituais e sacramentais, sobre doações caridosas, casamento e outros. Ele também revela um tom distintamente pessoal e oferece uma visão da vida diária de pessoas comuns. Esta obra é particularmente importante por ser uma testemunha primária da expansão do Islã no Sinai e no Egito, que eram predominantemente cristãos na época e o efeito que a dominação muçulmana teve na vida e a crença da população local.
Anastácio foi provavelmente o autor do Haxaemeron, um comentário em doze livros sobre a narrativa de criação do Gênesis (Hexaemeron, chamado também de Hexamerão, significa "seis dias"). Ele argumenta que enquanto Moisés estava no Monte Sinai, ele foi inspirado pelo Espírito Santo a escrever não apenas sobre a narrativa da criação, mas também, no mesmo texto, sobre a profecia de uma nova criação através de Cristo. Assim, segundo ele, Adão representaria Cristo e Eva, a Igreja. Esta extensa exegese sobre o começo do Gênesis se inspirou em comentários anteriores escritos por muitos padres da Igreja, incluindo Clemente de Alexandria, Orígenes, Gregório de Níssa, Gregório de Nazianzo e Dionísio Areopagita. As interpretações alegóricas no Hexaemeron de Anastácio são, em muitos pontos, um contraponto às mais literais encontradas na obra homônima (e mais famosa) de Basílio Magno.
Kuehn, Clement A. Review of Patrology: The Eastern Fathers from the Council of Chalcedon (451) to John of Damascus (†750), ed. by Angelo Di Berardino et al. In Byzantinische Zeitschrift 101/2 (2008): n.p.
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