Andrew Russell Garfield (Los Angeles, 20 de agosto de 1983) é um ator anglo-americano. Nascido em Los Angeles, mudou-se a Epsom, no Reino Unido, quando tinha três anos. Após ter concluído o curso de teatro na Royal Central School of Speech and Drama em 2004, iniciou sua carreira em produções teatrais e televisivas, como na peça Kes, pela qual ganhou o Prêmio Manchester Evening News Theatre de Melhor Revelação, e no seriado Sugar Rush (2005). Realizou sua participação no cinema com filme Lions for Lambs (2007) e, ainda naquele ano, seu desempenho em Boy A rendeu-lhe o prêmio BAFTA de Melhor Ator em Televisão. Ele logrou atenção do publico e da crítica em 2010 pelos papéis coadjuvantes nos filmes The Social Network, no qual interpretou o brasileiro Eduardo Saverin e pelo qual recebeu indicações aos prêmios BAFTA, Globo de Ouro, Satellite e Screen Actors Guild, e em Never Let Me Go, que lhe rendeu nomeações aos prêmios British Independent Film, London Film Critics' Circle, dentre outros, e vitórias no Hollywood Film Festival e no Prêmio Saturno.
Garfield alcançou reconhecimento internacional em 2012 por ter interpretado Peter Parker no filme The Amazing Spider-Man, além de sua sequência, lançada em 2014. Após um intervalo em sua carreira, cuja duração foi de um ano, o ator estrelou, em 2016, dois filmes do gênero drama histórico aclamados pela crítica: Hacksaw Ridge e Silence. Por sua atuação como Desmond T. Doss, no primeiro, recebeu indicações aos prêmios Oscar, BAFTA, Critics Choice, Globo de Ouro e Screen Actors Guild de Melhor Ator e ganhou os AACTA, Critics Choice de Melhor Ator em Filme de Ação e Satellite de Melhor Ator em Cinema. Seus trabalhos seguintes foram em Breathe (2017), Under the Silver Lake (2018) e Tick, Tick... Boom!, pelo qual ganhou o Globo de Ouro de Ouro de Melhor Ator em comédia ou musical e foi novamente indicado ao Critics Choice, Screen Actors Guild e Oscar de Melhor Ator.
No que concerne ao teatro, Garfield interpretou Biff em um revival da peça Death of a Salesman, de Arthur Miller, apresentado na Broadway, o qual lhe rendeu uma indicação ao Prêmio Tony de Melhor Performance de um Ator em um Papel de Destaque. Em 2017, estrelou como Prior Walter em uma produção de Angels in America no Royal National Theatre em Londres. No ano seguinte, ao ter reprisado esse papel na Broadway, sua interpretação recebeu aclamação por parte dos críticos especializados, o que o fez ser nomeado ao Prêmio Laurence Olivier de Melhor Ator e vencesse os prêmios Drama Desk e Tony na categoria de Melhor Ator em uma Peça.
Garfield apoia diversas instituições e causas, como a prevenção e cura de AIDS e câncer, proteção à criança, aos direitos humanos, e atua ativamente em prol dos direitos LGBTQ. Como uma figura pública, é citado como uma das pessoas mais influentes e poderosas na indústria de entretenimento americana, tendo aparecido em várias publicações como tal. Ele é uma das pessoas de maior bilheteria de todos os tempos na América do Norte, tendo seus filmes angariado mais de dois bilhões de dólares ao redor do mundo. A revista Time incluiu Garfield em sua lista das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2022.
Andrew Russell Garfield nasceu em Los Angeles, Califórnia. Oriundo de uma família de classe média, é filho de Lynn (sobrenome de solteira: Hillman), natural de Essex, Inglaterra, e Richard Garfield, nascido na Califórnia, e tem um irmão mais velho, Ben Garfield, cuja profissão é médico. Seus avós paternos, Samuel Garfield e Doris May Savage, cujo sobrenome era originalmente "Garfinkel", eram provenientes de famílias de imigrantes judeus que se mudaram de Londres à Europa Oriental (Polônia, Rússia e Romênia). Do lado materno, seus avós chamavam-se Peter Hillman e Florence A. Luckens, nativa de Londres. Seus pais mudaram-se de Los Angeles para Epsom, na Inglaterra, quando ele tinha três anos. Garfield teve uma educação secular e referiu-se a si mesmo como um "panteísta agnóstico", embora judeu.
Seus progenitores tiveram uma pequena empresa de design de interiores, mas, mais tarde, Richard tornou-se o primeiro treinador do Clube de Natação da cidade de Guildford e sua mãe, professora assistente em uma creche.
Durante sua infância, Garfield praticou ginástica e natação. Originalmente, sua pretensão era estudar administração; contudo, interessou-se pela atuação aos dezesseis anos, ocasião em que um amigo o convenceu a frequentar uma escola de teatro, já que frequentemente fugiam das aulas. Inicialmente, ele frequentou a Escola Preparatória de Priory, em Banstead, e, em seguida, a City of London Freemen's School, localizada em Ashtead. Por fim, estudou interpretação na Royal Central School of Speech and Drama, em Londres, onde se graduou em 2004.
2004–2011: Primeiros trabalhos e reconhecimento
Garfield começou a ter aulas de teatro aos nove anos, na cidade de Guildford, em Surrey, onde apareceu em uma produção teatral do musical Bugsy Malone (1976). Posteriormente, juntou-se a um pequeno grupo de teatro de Epsom e tomou aulas de interpretação nível A antes de estudar por mais três anos na Royal Central School of Speech and Drama, no Reino Unido. Após ter se formado em 2004, ele começou a trabalhar principalmente em atuação de palco. Naquele mesmo ano, ganhou o Prêmio Manchester Evening News Theatre de Melhor Revelação em reconhecimento à sua atuação na peça Kes, realizada na Royal Exchange Theatre de Manchester (onde também interpretou Romeu em Romeo e Julieta), e, em 2006, recebeu o Prêmio Evening Standard Theatre de Melhor Novato.
Garfield fez sua estreia na televisão britânica seriado Sugar Rush, em 2005. Dois anos depois, ele recebeu a atenção do público quando apareceu nos episódios "Daleks in Manhattan" e "Evolution of the Daleks" da terceira temporada de Doctor Who, sobre o que comentou ter sido "uma honra" ter feito parte da série. Em outubro de 2007, foi nomeado pela revista Variety um dos "10 atores que devem ser vistos". No mês seguinte, realizou sua primeira aparição em um filme de Hollywood: Lions for Lambs, em que interpretou um estudante universitário e atuou ao lado de Tom Cruise, Meryl Streep e Robert Redford. "Tive a sorte de estar lá trabalhando com eles, embora eu realmente não esperasse ser reconhecido pelo público", disse o ator à Variety em 2007. Em sua resenha ao Boston Globe, Wesley Morris elogiou seu desempenho.
Seu trabalho seguinte foi no drama Boy A (2007), em que interpretou um notório assassino que busca uma vida melhor após ter saído da prisão. O papel rendeu-lhe o prêmio de Melhor Ator pela British Academy Television. Amy Biancolli, do Houston Chronicle, publicou que "não há dúvida sobre a inteligência e a sensibilidade da interpretação de Garfield". Em sua resenha ao Minneapolis Star Tribune, Christy DeSmith concordou com Biancolli, citando suas "expressões detalhadas" como um destaque. Escrevendo para o Seattle Times, o jornalista John Hartl observou que o artista demonstrou a amplitude necessária para o papel e concluiu que "Garfield sempre consegue capturar sua paixão". Joe Morgenstern, crítico do The Wall Street Journal, classificou seu desempenho como "fenomenal". Em 2008, o ator teve um pequeno papel no filme The Other Boleyn Girl, e foi nomeado uma das estrelas em ascensão pelo Festival Internacional de Cinema de Berlim. No ano posterior, teve papéis coadjuvantes no filme The Imaginarium of Doctor Parnassus e no programa de televisão Red Riding, neste o qual Kenneth Turan, do Los Angeles Times, chamou sua atuação de "excelente".
Em 2010, Garfield coestrelou ao lado de Carey Mulligan e Keira Knightley o drama distópico de ficção científica Never Let Me Go como Tommy D., sobre o qual disse: "Há uma sensação de ansiedade que esses jovens sentem, especialmente Tommy, porque ele é tão sensorial e sensível e animalesco, essa é a minha perspectiva dele." O ator gostou do filme pelas questões existenciais que sua história expressa e afirmou que a experiência de ter feito parte da produção foi "apenas um sonho a tornar-se realidade"; ainda observou que as cenas em que seu personagem — incapaz de conter sua frustração — eclode com bramidos eram "intensas" para si. "Eu acho que esses gritos estão dentro de todos nós, eu simplesmente tive a chance de exteriorizar o meu". Por sua interpretação, ganhou o Prêmio Saturno de Melhor Ator Coadjuvante e foi nomeado ao British Independent Film e ao London Film Critics' Circle na mesma categoria, assim como ao Detroit Film Critics Society de Desempenho Revelação, ao passo que venceu a categoria no Hollywood Film Festival. Escrevendo para a Entertainment Weekly, Owen Gleiberman elogiou as atuações do elenco principal, notando que "todos os três atuam com uma inocência assustadora". Em comparação com Mulligan e Knightley, Scott Bowles, em sua publicação ao USA Today, considerou-o "a verdadeira revelação" do filme.