Angola, oficialmente República de Angola, é um país da costa ocidental da África Austral, cujo território tem uma área total de 1 246 700 km², sendo o sétimo maior país de África e o vigésimo segundo do mundo, com uma população estimada em 36,6 milhões de pessoas em 2024. A capital e maior cidade é Luanda, centro económico e político do país. Banhada pelo Oceano Atlântico a oeste, Angola tem um litoral de 1 650 km, sendo o territórial principal limitado a norte e a nordeste pela República Democrática do Congo, a leste pela Zâmbia e a sul pela Namíbia. O país inclui também o exclave de Cabinda, através do qual faz fronteira com a República do Congo.
O território angolano tem sido habitado desde tempos pré-históricos, inicialmente por povos Khoisan. A partir do século IX, a migração bantu terá alcançado a região, com os povos bantus dominando gradualmente o território. Entre estes, destacaram-se os Ambundos, os Congos (que estabeleceram o poderoso Reino do Congo), os Lunda-Chokwe, os Ovimbundos, e os Herero. A presença portuguesa iniciou-se no século XV, com a chegada de Diogo Cão em 1482, e intensificou-se com Paulo Dias de Novais em 1575, que fundou a cidade de São Paulo de Luanda. Durante mais de quatro séculos, Angola foi uma colónia portuguesa, embora o controlo efectivo do interior só tenha ocorrido no século XIX, após a Conferência de Berlim.
A independência do domínio português foi alcançada em 1975, depois de uma guerra de independência, tendo sido o Brasil foi o primeiro país a reconhecer a independência do país. Após a independência, Angola foi palco de uma longa e devastadora guerra civil, de 1975 a 2002, sobretudo entre o MPLA e a UNITA. Apesar do conflito interno, áreas como a Baixa de Cassanje mantiveram sistemas monárquicos regionais. No ano de 2000 foi assinado um acordo de paz com a Frente para a Libertação do Enclave de Cabinda, organização de guerrilha que luta pela secessão de Cabinda e que ainda se encontra ativa. É da região de Cabinda que sai aproximadamente 65% do petróleo de Angola.
O país tem vastos recursos naturais, como grande reservas de minerais e de petróleo e, desde o fim da guerra civil, sua economia tem apresentado taxas de crescimento que estão entre as maiores de África. No entanto, os padrões de vida angolanos continuam baixos, e cerca de 40% da população vivia com menos de três dólares por dia em 2018, enquanto as taxas de expectativa de vida e mortalidade infantil no país continuam entre as piores do mundo, além da presença proeminente da desigualdade económica, visto que a maioria da riqueza do país está concentrada numa parte desproporcionalmente pequena da população. Angola consta ainda na lista da Organização das Nações Unidas dos países menos desenvolvidos do planeta e é considerado um dos mais corruptos do mundo pela Transparência Internacional. É atualmente membro da Organização das Nações Unidas (ONU), da União Africana, da Zona de Comércio Livre Continental Africana, da Comunidade Econômica dos Estados da África Central (CEEAC) e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
O nome Angola é uma derivação portuguesa do termo banto n’gola, título dos reis do Reino do Dongo existente na altura em que os portugueses se estabeleceram em Luanda, no século XVI. O termo tem raízes no termo ngolo que significa "força" em quimbundo e em quicongo, línguas dos povos ambundos e congos respectivamente. Quando os portugueses chegaram à região da província de Luanda, observaram que o monarca local, Angola Quiluanje era assim denominado, passando a chamar o Reino Angola-Dongo com este título.
Os habitantes originais de Angola foram caçadores-colectores coissã, dispersos e pouco numerosos. A expansão dos povos bantos, chegando do norte a partir do segundo milénio, forçou os coissã (quando não eram absorvidos) a recuar para o sul onde grupos residuais existem até hoje, em Angola, na Namíbia e no Botsuana.
Os bantos eram agricultores e caçadores. A sua expansão, a partir da África Centro-Ocidental, se deu em grupos menores, que se relocalizaram de acordo com as circunstâncias político-económicas e ecológicas. Entre os séculos XIV e XVII, uma série de reinos foi estabelecida, sendo o principal o Reino do Congo, que abrangia o atual noroeste da Angola e uma faixa adjacente da hoje República Democrática do Congo, da República do Congo e do Gabão. A sua capital situava-se em Mabanza Congo e o seu apogeu se deu durante os séculos XIII e XIV.
Outro reino importante foi o Reino do Dongo, constituído naquela altura a Sul/Sudeste do Reino do Congo. No nordeste da Angola atual, mas com o seu centro no sul da atual República Democrática do Congo, constituiu-se, sem contacto com os reinos atrás referidos, o Reino de Lunda.
Em 1482 chegou na foz do rio Congo uma frota portuguesa, comandada pelo navegador Diogo Cão, que estabeleceu relações com o Reino do Congo, contacto este que viria a ser determinante para o futuro deste território e das suas populações.
A partir do fim do século XV, Portugal seguiu na região uma dupla estratégia. Por um lado, marcou continuamente presença no Reino do Congo, por intermédio de (sempre poucos, mas influentes) padres cultos (portugueses e italianos) que promoveram uma lenta cristianização e introduziram elementos da cultura europeia. Por outro, estabeleceu em 1575 uma feitoria em Luanda, num ponto de fácil acesso ao mar e à proximidade dos reinos do Congo e de Dongo. Gradualmente tomaram o controle, através de uma série de tratados e guerras, de uma faixa que se estendeu de Luanda em direcção ao Reino do Dongo. Este território, de uma dimensão ainda bastante limitada, passou mais tarde a ser designado como Angola. Por intermédio dos Reinos do Congo, do Dongo e da Matamba, Luanda desenvolveu um tráfico de escravizados com destino a Portugal, ao Brasil e à América Central que passou a constituir a sua base económica. Esse processo tem que ser visto contra o pano de fundo de um sistemático tráfego de pessoas escravizadas a partir de Luanda.
Os holandeses ocuparam Angola entre 1641 e 1648, procurando estabelecer alianças com os estados africanos da região. Em 1648, Portugal retomou Luanda e iniciou um processo de conquista militar dos estados do Congo e Dongo que terminou com a vitória dos portugueses em 1671, redundando num controle sobre aqueles reinos.
No entanto, Portugal tinha começado a estender a sua presença no litoral em direcção ao Sul. Em 1657 estabeleceu uma povoação perto da actual cidade de Porto Amboim, transferida em 1617 para a actual Benguela que se tornou numa segunda feitoria, independente da de Luanda. Benguela assumiu aos poucos o controle sobre um pequeno território a norte e leste, e iniciou por sua vez um tráfego de pessos escravizadas, com a ajuda de intermediários africanos radicados no Planalto Central da Angola de hoje.
Embora tenha, desde o início da sua presença em Luanda e Benguela, havido ocasionais incursões dos portugueses para lá dos pequenos territórios sob o seu controle, esforços sérios de penetração no interior apenas começaram nas primeiras décadas do século XIX, abrandado em meados daquele século, mas recomeçando com mais vigor nas suas últimas décadas. Estes avanços eram em parte militares, visando o estabelecimento de um domínio duradouro sobre determinadas regiões, e tiveram geralmente que vencer, pelas armas, uma resistência maior ou menor das respectivas populações. Em outros casos tratou-se, no entanto, apenas de criar postos avançados destinados a facilitar a extensão de redes comerciais. Formas particulares de penetração económica foram desenvolvidas no Sul, a partir de Moçâmedes (hoje Namibe). Finalmente, houve naquele século a implantação das primeiras missões católicas para lá dos perímetros controlados por Luanda e Benguela.
No momento em que se realizou em 1884/85 a Conferência de Berlim, destinada a acertar a distribuição de África entre as potências coloniais, Portugal pôde fazer valer uma presença secular em dois pontos do litoral, e uma presença mais recente (administrativa/militar, comercial, missionária) numa série de pontos do interior, mas estava muito longe de uma "ocupação efectiva" do território hoje abrangido por Angola.[carece de fontes?]