Animais são organismos multicelulares eucarióticos que compõem o reino biológico Animalia. Com poucas exceções, consomem matéria orgânica, respiram oxigênio, possuem miócitos e são capazes de se mover, podem se reproduzir sexuadamente e se desenvolvem a partir de uma esfera oca de células, a blástula, durante o desenvolvimento embrionário. Os animais formam um clado, o que significa que surgiram de um único ancestral comum. Mais de 1,5 milhão de espécies animais vivas foram descritas, das quais cerca de 1,05 milhão são insetos, mais de 85 mil são moluscos e cerca de 65 mil são vertebrados. Estima-se que existam até 7,77 milhões de espécies animais na Terra. O comprimento do corpo dos animais varia de 8,5 μm (0,00033 in) para 33,6 m (110 ft). Eles possuem ecologias complexas e interações entre si e com seus ambientes, formando intrincadas teias alimentares. O estudo científico dos animais é conhecido como zoologia, enquanto o estudo do comportamento animal é conhecido como etologia.
O reino animal está dividido em cinco grandes clados: Porifera, Ctenophora, Placozoa, Cnidaria e Bilateria. A maioria das espécies animais vivas pertence ao clado Bilateria, um clado altamente proliferativo cujos membros possuem um plano corporal bilateralmente simétrico e significativamente cefalizado. A grande maioria dos bilaterais pertence a dois grandes clados: os protostômios, que incluem organismos como artrópodes, moluscos, platelmintos, anelídeos e nematóides; e os deuterostômios, que incluem equinodermos, hemicordados e cordados, sendo este último composto pelos vertebrados. O filo basal Xenacoelomorpha, muito menor, tem uma posição incerta dentro de Bilateria.
Os animais surgiram pela primeira vez no registro fóssil no final do período Criogeniano e se diversificaram no período Ediacarano subsequente, no que é conhecido como a explosão de Avalon. Quase todos os filos animais modernos apareceram pela primeira vez no registro fóssil como espécies marinhas durante a explosão Cambriana, que começou por volta de 539 milhões de anos atrás, e a maioria das classes durante a radiação Ordoviciana há 485,4 milhões de anos. 6.331 grupos de genes, comuns a todos os animais vivos, foram identificados e podem ter surgido de um único ancestral comum que viveu há aproximadamente 650 milhões de anos durante o período Criogeniano.
Historicamente, Aristóteles dividiu os animais em aqueles com sangue e aqueles sem sangue. Carl Linnaeus criou a primeira classificação biológica hierárquica para animais em 1758 com seu Systema Naturae, que Jean-Baptiste Lamarck expandiu para 14 filos em 1809. Em 1874, Ernst Haeckel dividiu o reino animal em Metazoa (agora sinônimo de Animalia), organismos multicelulares, e Protozoa, organismos unicelulares que deixaram de ser considerados animais. Nos tempos modernos, a classificação biológica dos animais se baseia em técnicas avançadas, como a filogenética molecular, que são eficazes para demonstrar as relações evolutivas entre os táxons.
Os seres humanos utilizam muitas outras espécies animais para alimentação (incluindo carne, ovos e laticínios), para obtenção de materiais (como couro, peles e lã), como animais de estimação e como animais de trabalho para transporte e serviços. Os cães, os primeiros animais domesticados, têm sido usados na caça, segurança e guerra, assim como cavalos, pombos e aves de rapina; enquanto outros animais terrestres e aquáticos são caçados por esporte, como troféus ou para obtenção de lucro. Os animais não humanos também são um importante elemento cultural da evolução humana, tendo aparecido em pinturas rupestres e totens desde os tempos mais remotos, e são frequentemente retratados na mitologia, religião, artes, literatura, heráldica, política e esportes.
A palavra animal vem do substantivo latino homônimo de mesmo significado, que por sua vez deriva do latim animalis, ou 'que tem fôlego ou alma'. A definição biológica inclui todos os membros do reino Animalia. No uso coloquial, o termo animal é frequentemente usado para se referir apenas a animais não humanos. O termo metazoa deriva do grego antigo μετα meta 'depois' (em biologia, o prefixo meta- significa 'mais tarde') e ζῷᾰ zōia 'animais', plural de ζῷον zōion 'animal'. Um metazoário é qualquer membro do grupo Metazoa.
Os animais possuem diversas características que compartilham com outros seres vivos. Os animais são eucarióticos, multicelulares e aeróbicos, assim como as plantas e os fungos. Ao contrário das plantas e das algas, que produzem seu próprio alimento, os animais não podem produzir seu próprio alimento, uma característica que compartilham com os fungos. Os animais ingerem matéria orgânica e a digerem internamente.
Os animais possuem características estruturais que os diferenciam de todos os outros seres vivos:
células rodeadas por uma matriz extracelular composta por
motilidade, isto é, capazes de mover espontaneamente seus corpos durante pelo menos parte de seu ciclo de vida.
um estágio de blástula durante o desenvolvimento embrionário.
Normalmente, existe uma câmara digestiva interna com uma abertura (em Ctenophora, Cnidaria e platelmintos) ou duas aberturas (na maioria dos bilaterais).
O desenvolvimento animal é controlado pelos genes Hox, que sinalizam os momentos e locais para desenvolver estruturas como segmentos corporais e membros.
Durante o desenvolvimento, a matriz extracelular animal forma uma estrutura relativamente flexível sobre a qual as células podem se mover e se reorganizar em tecidos e órgãos especializados, possibilitando a formação de estruturas complexas e permitindo a diferenciação celular. A matriz extracelular pode ser calcificada, formando estruturas como conchas, ossos e espículas. Em contraste, as células de outros organismos multicelulares (principalmente algas, plantas e fungos) são mantidas no lugar por paredes celulares e, portanto, se desenvolvem por crescimento progressivo.
Quase todos os animais utilizam alguma forma de reprodução sexuada. Eles produzem gametas haploides por meiose; os gametas menores e móveis são os espermatozoides e os gametas maiores e imóveis são os óvulos. Estes se fundem para formar zigotos, que se desenvolvem por mitose em uma esfera oca, chamada blástula. Em esponjas, as larvas da blástula nadam para um novo local, fixam-se ao fundo do mar e se desenvolvem em uma nova esponja. Na maioria dos outros grupos, a blástula passa por um rearranjo mais complexo. Ela primeiro invagina para formar uma gástrula com uma câmara digestiva e duas camadas germinativas separadas, uma ectoderme externa e uma endoderme interna. Na maioria dos casos, uma terceira camada germinativa, a mesoderme, também se desenvolve entre elas. Essas camadas germinativas então se diferenciam para formar tecidos e órgãos.
A ocorrência repetida de acasalamento com um parente próximo durante a reprodução sexual geralmente leva à depressão por endogamia em uma população devido ao aumento da prevalência de características recessivas prejudiciais. Os animais desenvolveram inúmeros mecanismos para evitar a endogamia próxima.
Alguns animais são capazes de reprodução assexuada, que frequentemente resulta em um clone genético do progenitor. Isso pode ocorrer por fragmentação; brotamento, como em Hydra e outros cnidários; ou partenogênese, onde ovos férteis são produzidos sem acasalamento, como em afídeos.
Os animais são categorizados em grupos ecológicos dependendo de seus níveis tróficos e de como consomem matéria orgânica. Essas classificações incluem carnívoros (subdivididos em categorias como piscívoros, insetívoros, ovívoros, etc.), herbívoros (subcategorizados em folívoros, graminívoros, frugívoros, granívoros, nectarívoros, algívoros, etc.), onívoros, fungívoros, necrófagos / detritívoros e parasitas. As interações entre os animais de cada bioma formam teias alimentares complexas dentro desse ecossistema. Em espécies carnívoras ou onívoras, a predação é uma interação consumidor-recurso onde o predador se alimenta de outro organismo, sua presa, que frequentemente desenvolve adaptações antipredatórias para evitar ser predado. As pressões seletivas impostas umas às outras levam a uma corrida armamentista evolutiva entre predador e presa, resultando em várias coevoluções antagônicas/ competitivas. Quase todos os predadores multicelulares são animais. Alguns consumidores usam múltiplos métodos; por exemplo, em vespas parasitoides, as larvas se alimentam dos tecidos vivos dos hospedeiros, matando-os no processo, mas os adultos consomem principalmente néctar de flores. Outros animais podem ter comportamentos alimentares muito específicos, como as tartarugas-de-pente, que se alimentam principalmente de esponjas.