Neste Dia

Antónia de Bragança

Infanta portuguesa

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Antónia de Bragança (nome completo: Antónia Maria Fernanda Micaela Gabriela Rafaela de Assis Gonzaga Silvéria Júlia Augusta; Lisboa, 17 de fevereiro de 1845 – Sigmaringen, 27 de dezembro de 1913), foi uma Infanta de Portugal, segunda filha da rainha Maria II de Portugal, e de seu marido, o rei Fernando II, foi também Princesa Consorte de Hohenzollern-Sigmaringen, por seu casamento com Leopoldo, Príncipe de Hohenzollern. Através de seu pai, ela também detinha os títulos de Princesa de Saxe-Coburgo-Gota e Duquesa de Saxe.

Seis dias após o casamento, tendo Antónia dezesseis anos, o casal partiu para a Alemanha, a bordo da corveta Bartolomeu Dias, comandada pelo infante D. Luís, futuro rei D. Luís I. A princesa D. Antónia, já no estado de viúva, visitou Lisboa no ano de 1887, onde desembarcou às 16 horas do dia 25 de março. Teve uma recepção afectuosa e festiva. Estivera mais de vinte anos ausente de Portugal, vivendo no seu castelo de Sigmaringen, e, contudo, essa longa ausência não fez desmerecer o amor e a dedicação dos portugueses, que pesarosos a tinham visto deixar a pátria, tendo apenas dezasseis anos incompletos.

Antónia nasceu quando no Palácio de Belém soava um quarto para as 23 horas do dia 17 de Fevereiro de 1845.

Era filha da Rainha de Portugal, D. Maria II (1819–1853), e de seu segundo marido, D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gota (1816–1885) e a sexta filha do casal, ainda que à data do seu nascimento, só existissem 4 irmãos sobrevivos: o Principe Real, futuro D. Pedro V (1837–1861), o secundogénito que viria a herdar o trono após a morte do anterior, Luís I (1838–1889), João, Duque de Beja (1842–1861) e D. Maria Ana (1843–1884). Era neta materna de D. Pedro IV (1798–1834), Rei de Portugal e 1.º Imperador e de sua primeira mulher, a arquiduquesa de Áustria Carolina Josefa Leopoldina de Habsburgo-Lorena (1798–1826) e paterna de D. Fernando Jorge Augusto, Príncipe de Saxe-Coburgo-Gota (1785–1851) e D. Maria Antónia, Princesa de Kohary (1797–1862).

Três dias depois do seu nascimento foi baptizada, por caso de necessidade, pelo Cardeal Patriarca D. Frei Francisco de São Luís Saraiva (1766–1845), sendo os Santos óleos impostos em presença de seus pais e de toda a corte, no oitavo dia do mês de Abril seguinte. Os padrinhos foram seu irmão mais velho, o Príncipe D. Pedro e sua avó paterna, de quem herdaria o nome de Antónia, tendo tocado, por procuração, a tia-avó da neófita, D. Ana de Jesus Maria (1806–1857), infanta de Portugal e Duquesa de Loulé por seu casamento (Atestação 1845).

D. Antónia não seria a última filha do casal. Seus pais dar-lhe-iam ainda mais cinco irmãos. Todavia, os únicos sobreviventes ao parto foram apenas dois, D. Fernando (1846–1861) e D. Augusto, duque de Coimbra (1847–1889).

A poucos meses de D. Antónia completar 9 anos, D. Maria II morre quando dava à luz um último filho, que também viria a falecer. Desta relação entre mãe e filha pouco se sabe, à excepção de um pequeno bilhete, datado de 22 de Abril, sem indicação de ano, onde Antónia, assim assinava D. Antónia na meninice, contava como tinha tirado um dente, sem gritar, e tinha uma roseira “muito bonita”.

D. Antónia, ainda que permanecendo na qualidade de infanta de Portugal, passava de filha de Rainha para irmã de Rei. D. Pedro, que então ascendia ao trono, viria a casar cinco anos depois com D. Estefânea de Hohenzollern-Sigmaringen (1837–1859), um principado católico, tornado independente após as guerras napoleónicas e anexado pela Prússia em 1849. Por ocasião deste casamento, D. Antónia conheceria aquele que viria a tornar-se seu marido, Leopoldo de Hohenzollern-Sigmaringen (1835–1905). A aproximação à Germânia repetir-se-ia logo no ano seguinte, em Maio, com o casamento da sua irmã Maria Ana com o então Príncipe de Saxe, Jorge (1832–1904).

Na verdade, 1859 seria um ano de viragem na vida de D. Antónia. Para além do casamento da irmã, o seu irmão, o rei D. Pedro, ficava em Julho viúvo, tornando D. Antónia a primeira figura feminina da corte.

Ainda em 1859, no mês de Dezembro, voltaria a reencontrar-se com Leopoldo que se dirigiu a Lisboa para devolver alguns objectos e bens pertencentes a sua falecida irmã, D. Estefânea.

Todavia, nada que se comparasse ao ano de 1861, quando perfaz 16 anos. É quando se festeja o seu casamento com Leopoldo e, inevitavelmente, deixa a corte portuguesa para se instalar definitivamente em Sigmaringen. A cerimónia de casamento verificou-se a 12 de Setembro, no Palácio das Necessidades e por três dias a cidade de Lisboa rejubilou com vários festejos públicos.

A preparação do casamento iniciou-se meses antes. A 30 de Março era publicada a lei da dotação matrimonial, através da qual o Tesouro Público dotava a infanta com 90 contos de réis, para além de 30 contos para enxoval e despesas de casamento. Era a mesma quantia recebida pela irmã Maria Ana aquando do casamento desta com o Príncipe Jorge da Saxónia (1832–1904) e, no contexto da época, não era uma quantia exorbitante: para o casamento do irmão D. Pedro orçamentou-se 100 contos de reis, mais do triplo do valor que lhe fora destinado. Já a dotação de 90 contos de réis, embora representasse mais de 30 anos da dotação anual de uma infanta (2 contos e 800 mil réis) representava apenas ano e meio de dotação das suas cunhadas D. Estefânea e D. Maria Pia, como rainhas de Portugal.

O contrato nupcial fora redigido em Junho e aprovado pelas cortes em Julho. Embora tendo sido assinado pelos plenipotenciários de Hohenzollern-Sigmaringen, havia ainda que ser ratificado pelo Rei da Prússia, Guilherme I (1797–1888), o que aconteceu em Agosto (Ratificação 1861).

Seis dias após a concretização do casamento, D. Antónia deixa Portugal em direcção à sua nova pátria. O seu irmão, o infante D. Luís e Duque do Porto, foi incumbido pelo rei D. Pedro para proceder ao transporte dos noivos na corveta Bartolomeu Dias, levando debaixo das suas ordens a Corveta Estefânea, comandada pelo capitão de Fragata José Baptista de Andrade. Para além dos referidos, acompanhava também o infante D. João, duque de Beja e o Príncipe Carlos (1839–1914), irmão do noivo e futuro rei da Roménia. Pouco se sabe dos restantes membros da comitiva, mas pelo programa do cerimonial de casamento, depreende-se que a sua dama camarista, D. Maria de Vasconcelos e Sousa ficara em Lisboa, uma vez que “logo depois da celebração do casamento, as pessoas Allemãs destinadas para o serviço de Sua Alteza a Serenissia Princeza de Hohenzollern Sigmaringen entrarão em exercício junto da mesma Augusta Senhora”.

A viagem decorreu sem incidentes de maior, apesar das constantes dores de cabeça da noiva, que fizeram alterar o percurso.

Princesa de Hohenzollern-Sigmaringen

Em solo germânico, a agora princesa receberia a notícia da morte dos seus irmãos Fernando e Pedro e, posteriormente, João, entre Novembro e Dezembro desse ano, vitimados pela febre tifóide. Em contrapartida, D. Luís saberia da morte do irmão primogénito ainda em alto mar. Tornava-se assim Rei de Portugal e, no ano seguinte, contraía matrimónio com Maria Pia de Sabóia (1847–1911), assegurando a descendência e sucessão do trono português.

D. Antónia foi igualmente bem sucedida no seu papel de princesa consorte ao garantir a sucessão do principado, dando à luz 3 crianças, a primeira das quais nasceria após ter completado 19 anos. Após o nascimento de Guilherme (1864–1927), o sucessor, seguir-se-ia Fernando (1865–1927), futuro Rei da Roménia e Carlos António (1868–1919).

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