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António Feliciano de Castilho

Poeta português (1800-1875)

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António Feliciano de Castilho, primeiro visconde de Castilho, (Lisboa, 28 de Janeiro de 1800 – Lisboa, 18 de Junho de 1875) foi um escritor romântico português, polemista, pedagogista e inventor do Método Castilho de leitura. Em consequência de sarampo perdeu a visão quase completamente aos 6 anos de idade. Licenciou-se em direito na Universidade de Coimbra. Viveu alguns anos em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, Açores, onde exerceu grande influência entre a intelectualidade local. Contra ele rebelou-se Antero de Quental (entre outros jovens estudantes coimbrões) na célebre polémica do Bom-Senso e Bom-Gosto, vulgarmente chamada Questão Coimbrã, que opôs os jovens representantes do realismo e do naturalismo aos vetustos defensores do ultra-romantismo.

Filho do Dr. José Feliciano de Castilho Barreto (1769–1826), médico da Real Câmara e lente de prima da Universidade de Coimbra, que depois emigraria para o Brasil, apenas regressando com D. João VI e de D. Domicília Máxima Doroteia e Silva Castilho.

Foi uma criança com dificuldades de saúde, incluindo sérios sintomas de tísica, as quais culminaram aos seis anos de idade com um ataque de sarampo que o deixou cego. Apesar de nessa altura já saber ler e escrever, a cegueira impediu-o durante toda a vida de escrever e ler, tendo de estudar ouvindo a leitura de textos e sendo obrigado a ditar toda a sua obra literária.

Aprendendo somente pelo que ouvia ou lhe diziam, Castilho conseguiu alcançar razoável erudição no latim e nas humanidades clássicas, o conhecimento superficial de algumas línguas e o conhecimento aprofundado da língua portuguesa, que lhe permitiu distinguir-se como poeta e prosador.

A Universidade de Coimbra e as primeiras obras

Acompanhado por seu irmão Augusto Frederico de Castilho, quase da mesma idade, com ele estudou Humanidades, instruiu-se no conhecimento dos poetas latinos, que foram sempre os seus estudos predilectos, e com ele matriculou-se na Universidade de Coimbra, na Faculdade de Cânones, em que ambos se formaram.

Foi discípulo do padre José Fernandes, latinista de primeira ordem e poeta muito apreciável, a quem deveu os elementos necessários para adquirir o conhecimento profundo da língua latina, que sempre o distinguiu.

O seu talento poético começou a desenvolver-se, sendo ainda criança; versejava com a máxima facilidade. Tinha 16 anos quando escreveu e publicou um Epicédio na morte da augustíssima senhora D. Maria I, rainha fidelíssima. Essa obra foi acolhida com surpresa, por ser firmada por um poeta de tão tenra idade e, sobretudo, cego. Em reconhecimento, foi-lhe concedida uma pequena pensão com carácter de incitamento.

Em 1818 publicou outro poemeto, intitulado À faustíssima acclamação de S. M. o S. D. João VI ao throno. Essa composição e aquela que publicara a propósito do falecimento da rainha granjearam-lhe a propriedade duma escrivaninha de ofício de escrivão chanceler e promotor do Juízo da Correição da cidade de Coimbra, cujo lugar, pelo impedimento imposto pela cegueira, foi exercido por seu tio António Barreto de Castilho.

Em 1820 publicou uma Ode à morte de Gomes Freire e seus Sócios. Nesse ano também imprimiu anonimamente o elogio dramático A Liberdade, para se representar num teatro particular.

No sarau realizado na Sala dos Capelos da Universidade, em 21 e 22 de Novembro de 1820, recitou várias composições, depois insertas na Collecção de poemas publicada em Coimbra.

Em 1821 imprimiu o seu poema pseudo-clássico Cartas de Echo e Narciso, dedicado à mocidade académica.

Os tempos de Castanheira do Vouga

O seu irmão Augusto, seu companheiro de estudos, optou pelo sacerdócio e em Outubro de 1826 foi provido na paróquia de São Mamede de Castanheira do Vouga. António Feliciano, habituado à sua companhia, decidiu ir viver com ele, fixando-se naquela localidade até 1834.

Foram oito anos durante os quais Portugal viveu tempos difíceis, com as perseguições políticas e a violência generalizada, a que se seguiram as Guerras Liberais (1828–1834).

Apesar das naturais repercussões locais, Castanheira do Vouga foi para Castilho um local de refúgio, o que lhe permitiu atravessar aqueles tempos conturbados dedicando-se ao estudo dos clássicos. Foi nessa época que traduziu as Metamorfoses e os Amores de Ovídio e que escreveu muitos dos versos incorporados mais tarde nas Escavações poéticas e que compôs os poemetos A noite do Castello e os Ciúmes do Bardo.

A publicação das Cartas de Echo e Narciso motivou ao poeta uma aventura romântica. Uma dama reclusa no convento de Vairão, D. Maria Isabel de Baena Coimbra Portugal, escreveu-lhe dando-se como uma nova Eco e perguntando se ele procederia como Narciso. Essa intriga galante resultou numa série de quadras do Amor e Melancholia, que o poeta publicou em Coimbra em 1828.

Concluída a guerra civil e como resultado da extinção das ordens religiosas em Portugal levada a cabo pelos vencedores, essa senhora abandonou o convento e veio a casar com o poeta, realizando-se o casamento em 29 de Novembro de 1834.

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António Feliciano de Castilho | World in Stories