António Lobo Antunes GColCa • GCSE • GCL • GCCa (Benfica, Lisboa, 1 de Setembro de 1942 – 5 de março de 2026) foi um escritor e médico psiquiatra português.
António Lobo Antunes nasceu na freguesia de Benfica, concelho de Lisboa, a 1 de Setembro de 1942, no seio de uma família da alta burguesia. Seu pai, João Alfredo Lobo Antunes, foi um destacado neurologista português, assistente de Egas Moniz e professor de Medicina. Seu trisavô foi o 1.º Visconde de Nazaré. É irmão de João Lobo Antunes (Lisboa, 4 de junho de 1944 – Lisboa, 27 de outubro de 2016), neurocirurgião português e ex-membro do Conselho de Estado, Nuno Lobo Antunes (Lisboa, 10 de Maio de 1954), neuropediatra, Miguel Lobo Antunes, programador cultural, Manuel Lobo Antunes (Lisboa, 27 de Junho de 1958), jurista e diplomata, e Pedro Lobo Antunes, arquitecto e vereador da câmara municipal de Torres Novas, falecido em dezembro de 2013.
Na infância passou as férias de Verão em Nelas, na casa dos avós maternos. Estudou no Liceu Camões em Lisboa e licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.
Após a conclusão do curso foi destacado como médico militar durante a guerra colonial entre 1971 e 1973 no leste de Angola, em Lumbala Guimbo e no Chiume, e mais tarde em Malanje. As cartas que trocou com a sua primeira mulher Maria José Lobo Antunes durante esse período, quando esta se encontrava grávida da sua primeira filha foram posteriormente reunidas em D'este viver aqui neste papel descripto pelas suas filhas Maria José Lobo Antunes e Joana Lobo Antunes, que veio a originar um filme (Cartas da Guerra) realizado por Ivo Ferreira.
A sua experiência como alferes miliciano está bem patente na sua obra, sendo um tema central de alguns dos seus livros.
Após o cumprimento do serviço militar, Lobo Antunes especializou-se em psiquiatria, tendo exercido a especialidade durante alguns anos no Hospital Miguel Bombarda até a abandonar por completo em favor da literatura.
O seu primeiro livro a ser publicado foi Memória de Elefante, em 1979 pela Vega, que se tornou num enorme sucesso literário. Desde então, publicou 29 romances e cinco volumes que reúnem as suas crónicas publicadas semanalmente na revista Visão.
Foi galardoado com o Prémio Camões (2007), o prémio de maior prestígio da literatura em português. Tem uma biblioteca com o seu nome em Nelas, terra onde a sua família tem uma casa construída nos anos 1940 com projecto de João Alfredo Lobo Antunes.
Era sócio correspondente da Classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa (1.ª Secção - Literatura e Estudos Literários) desde 2016.
Em 2018, a Bibliothèque de la Pléiade anunciou a publicação da sua obra, sendo o segundo escritor português, depois de Fernando Pessoa, e um dos raros escritores vivos a integrar a coleção.
Pelo mérito da sua escrita, foi, durante décadas, apontado como candidato ao Prémio Nobel de Literatura.
Nos últimos anos de vida deixou de escrever, alegadamente afetado por uma certa forma de demência, a qual se agravou na sequência do período de confinamento da pandemia de Covid-19 a que esteve sujeito.
Faleceu no dia 5 de março de 2026, aos 83 anos, vítima de cancro, sendo decretado dia de luto nacional no dia 7 de março.
Conhecimento do Inferno, (1980)
Explicação dos Pássaros, (1981)
Tratado das Paixões da Alma, (1990)
A Ordem Natural das Coisas, (1992)
A Morte de Carlos Gardel, (1994)