Neste Dia

António Sérgio

Escritor português

Anúncio

António Sérgio de Sousa Júnior (Damão, 3 de setembro de 1883 – São Domingos de Benfica, Lisboa, 24 de janeiro de 1969) foi um pedagogo, jornalista, sociólogo, historiador e político português. Democrata opositor do regime fascista e autoritário esteve exilado entre 1926 e 1933 e preso em 1935, 1948 e 1958. Foi Ministro da Educação no governo de Álvaro Xavier de Castro entre 1923 e 1924. Encarava a Educação como a principal via para a Liberdade, o Pensamento Crítico e a aquisição de Valores. As suas correntes pedagógicas foram maioritariamente direcionadas para a mudança de mentalidades e no combate ao sistema educativo da Ditadura Nacional e do Estado Novo. Existem duas escolas com o seu nome: a Escola Básica António Sérgio em Sintra e a Escola Secundária António Sérgio em Vila Nova de Gaia.

António Sérgio nasceu em Damão, no Estado Português da Índia, filho do vice-almirante António Sérgio de Sousa (Santos-o-Velho, Lisboa, 22 de outubro de 1842 – Alcântara, Lisboa, 18 de agosto de 1906) e de Ana Maria Henriques de Brito Sérgio de Sousa (Pondá, Goa, 23 de julho de 1855 – São Mamede, Lisboa, 23 de janeiro de 1948). Viveu parte da infância em África, onde o pai exerceu o cargo de governador do Protetorado do Congo Português. Radicado em Lisboa em 1893, seguindo uma linhagem de familiares militares, estudou no Colégio Militar e depois na Escola Politécnica e na Escola Naval. Cedo sentiu grande interesse pela poesia e pela filosofia, devendo-se o seu precoce pendor racionalista à leitura da Ética de Espinosa, ao estudo da geometria analítica e ao interesse pela obra de Antero de Quental.

Iniciando uma carreira de oficial da Marinha, fez várias viagens que o levaram a Cabo Verde e a Macau. Abandonou a Marinha com a implantação da República em 1910, por ter jurado fidelidade ao rei deposto.

A 14 de junho de 1910, casou na Capela do Palácio da Nunciatura, na freguesia de São Mamede, em Lisboa, com Luísa Estefânia Gerschey da Silva (São José, Lisboa, 4 de setembro de 1879 – Lapa, Lisboa, 29 de fevereiro de 1960), filha de Manuel José da Silva e de Maria Estefânia Gerschey da Silva, ambos também naturais de Lisboa (ele da freguesia dos Mártires e ela da freguesia de Alcântara), que assinou escritos pedagógicos como Luísa Sérgio e com quem António teve uma grande camaradagem intelectual. Celebrou o casamento o então núncio apostólico em Portugal, D. Giulio Tonti. As suas duas primeiras obras publicadas foram um volume de Rimas e uma obra filosófica sobre Antero de Quental onde reagiu contra o naturalismo positivista.

Em 1912 concorreu para lente assistente da secção de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, num concurso a que também se apresentaram Leonardo Coimbra e Matos Romão, que haveria de ser nomeado.

Após estudos de pós-graduação no Instituto Jean-Jacques Rousseau (1914-16), grande centro mundial do movimento da Escola Nova, onde estudou com a sua mulher, e onde privou com Édouard Claparède e com Adolphe Ferrière, participou no mais consequente projeto de reforma do Ensino Português elaborado durante a Primeira República (Projecto Camoesas).

A sua vida aventurosa fê-lo viver em diversos lugares (Lisboa, Rio de Janeiro, Londres, Genebra, Paris, Santiago de Compostela, Madrid) o que favoreceu o seu assumido cosmopolitismo.

Intervenção durante a República

Durante o consulado sidonista (1918-19), lança a revista Pela Grei (1918-1919), para a qual convoca diversos especialistas para apresentar um programa de Fomento Nacional (tendo a parte económica sido bastante trabalhada por Ezequiel de Campos); nos anos de 1920 integra a direção da Seara Nova (junto com Raul Proença e Jaime Cortesão).

É nesse quadro que vem a integrar o governo de Álvaro de Castro (1923), assumindo a pasta da Educação, com o principal propósito de criar uma Junta de Ampliação de Estudos, organismo autónomo que enviaria sistematicamente bolseiros ao estrangeiro para estudar, e que financiaria institutos de investigação e escolas modernas (o projeto foi executado, sem a componente pedagógica e sem o espírito democrático que inspirava Sérgio, em 1929, com a criação da Junta de Educação Nacional, antepassado do Instituto de Alta Cultura, do INIC e da FCT).

Com o fim da Primeira República, vê-se obrigado ao exílio, residindo em Paris de 1926 até 1933.

De volta a Portugal e ativismo durante o Estado Novo

De volta ao solo pátrio, tornou-se um dos principais nomes do movimento cooperativista e do socialismo democrático; entre os seus companheiros de luta contaram-se Alves Correia, Mário Azevedo Gomes, José Régio, Bento de Jesus Caraça (com quem travou uma polémica sobre a interpretação de Platão, cerca de 1945, onde a tensão entre marxismo e proudhonismo e idealismo racionalista está implícita), Manuel Antunes e muitos outros vultos da cultura portuguesa.

A importância das suas ligações políticas nota-se perfeitamente nessa época. Sérgio fez parte do Movimento de Unidade Democrática, juntamente com nomes como Alves Redol, o General Norton de Matos, Ruy Luís Gomes e Bento de Jesus Caraça (oposicionistas e excecionais matemáticos), Irene Lisboa, Fernando Lopes Graça, Ferreira de Castro, Abel Salazar, Miguel Torga, Maria Lamas, Francisco Pulido Valente, Vitorino Magalhães Godinho, Mário Dionísio e Francisco Salgado Zenha (à data ainda estudante) e muitos outros. Veja-se http://ruyluisgomes.blogspot.pt/, reprodução do jornal República, de 11 de novembro de 1945, artigo «Movimento de Unidade Democrática».

Apoiou a candidatura de Humberto Delgado e desenvolveu ampla campanha em prol da cultura.

A partir de 1959, abandonou a intervenção cívica activa e a pena de escritor. O desalento que o acometeu depois da derrota de Delgado e a prisão a que foi torpemente submetido, em Novembro de 1958, aos 75 anos, terão sido o principal motivo.

A morte da mulher, em Fevereiro de 1960, veio ainda agravar mais o seu estado depressivo. Passou a viver amparado pela sobrinha materna e sua família.

Veio a morrer de insuficiência renal crónica no Hospital da Cruz Vermelha, na freguesia de S. Domingos de Benfica, em Lisboa, pelas 19h de 24 de Janeiro de 1969. Foi sepultado no Cemitério dos Prazeres.

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
António Sérgio | World in Stories