António de Sommer Champalimaud GCM • GCMAI (Lisboa, Lapa, 19 de março de 1918 – Lisboa, Lapa, 8 de maio de 2004) foi um empresário português.
Figura polémica e incontornável na história económica do século XX português, citado muitas vezes como o homem mais rico do país, tinha uma fortuna calculada em 3.100.000.000,00 de euros e apareceu na lista de bilionários da revista americana Forbes em 2004, ocupando a 153.ª posição. Construiu o seu império empresarial durante a ditadura do Estado Novo, estendendo os seus negócios às então portuguesas Angola e Moçambique, e também à ditadura militar do Brasil.
No pós-25 de Abril, na altura do Processo Revolucionário Em Curso, o seu império empresarial, em conjunto com quase um terço da economia, foi nacionalizado pelos governos de Vasco Gonçalves.
Foi o primeiro filho de Carlos Champalimaud (Peso da Régua, Godim, 13 de novembro de 1877 – Cascais, 5 de maio de 1937), Oficial Médico Militar, grande proprietário, agricultor e viticultor na região do Douro, duma família de Fidalgos da Casa Real de origem francesa; e de sua mulher (Lisboa, 1 de junho de 1917) Ana Maria de Araújo de Sommer (Anjos, Lisboa, 23 de abril de 1885 – Santa Maria dos Olivais, Lisboa, 1 de abril de 1977), neta do barão Heinrich von Sommer e irmã de Henrique de Sommer, uma família alemã radicada em Lisboa, cuja principal atividade era o comércio de ferro.
Estudou com os padres jesuítas no Colégio Nun'Álvares, em La Guardia, na Galiza, e no Colégio Académico, em Lisboa. Aos 18 anos foi admitido no curso de Ciências Físico-Químicas da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Enquanto jovem tinha interesses diversificados. Gostava de ler, interessando-se por narrativas de história e da mitologia sobre a Grécia Antiga e o Império Romano, além do gosto que tinha pelas obras de William Shakespeare. Por outro lado, gostava de desportos e de atividades ao ar livre. Desde montar a cavalo, que era a sua atividade preferida durante os verões passados no Douro, a que sobreveio, na adolescência, o prazer de conduzir motos e pilotar aviões. Ainda não tinha 18 anos quando tirou o brevê em Alverca.
Frequentava o segundo ano do curso de Ciências Físico-Químicas quando o pai morreu, em 1937. Essa circunstância foi decisiva na sua vida e na sua carreira, precipitando a sua entrada no mundo dos negócios. Prevendo-se a falência da Companhia Geral de Construções, a empresa do pai, que estava tecnicamente falida e que toda a família desejava vender, foi peremptório e assumiu as rédeas do negócio. Era o filho mais velho de quatro irmãos e queria reerguer o legado do progenitor. Pediu a ajuda de Ricardo Espírito Santo e conseguiu um crédito de confiança para a dívida, à época, de 13 mil contos.
Outro fator decisivo para o despontar de António Champalimaud como empresário será o seu casamento. A 16 de dezembro de 1941, na Igreja de Santo António do Estoril, Cascais, casa com D. Maria Cristina da Silva José de Mello (Lisboa, Lapa, 6 de março de 1920 – Lisboa, Prazeres, 25 de agosto de 2006), herdeira de uma das maiores fortunas de Portugal, filha do presidente da CUF, D. Manuel Augusto José de Mello (também pai de D. Jorge de Mello e D. José Manuel de Mello), e neta de Alfredo da Silva e do 2.º Conde do Cartaxo. Desse casamento (o qual terminaria com um divórcio, já nos anos 1960) irão nascer sete filhos — António Carlos (1942), Maria Luísa (1943–2019), Maria Cristina (1945), Manuel Carlos (1946), José (1947), João Henrique (1950–1992) e Luís de Mello Champalimaud (1952).
Aos 24 anos, tomou posse como administrador da Empresa de Cimentos de Leiria, companhia fundada pelo seu tio materno Henrique de Sommer e por Gastão de Benjamim Pinto. O tio Henrique viria a falecer em 1944, deixando-lhe grande parte dos seus bens, pese embora a disputa judicial entre herdeiros; conhecido como o caso da Herança Sommer, que se arrastou nos tribunais durante mais de duas décadas.
O jovem empresário dinamizou a exportação de vinho do Douro e lançou os primeiros projetos de urbanização na Quinta da Marinha, em Cascais, segundo os planos encomendados na década de 1920 pelo seu pai. Os materiais de construção, o imobiliário e a exportação de vinhos eram os seus três negócios-chave.
Ainda no ramo da produção cimenteira, socorreu-se de empréstimos da Casa Bancária José Henriques Totta, gerida pelo seu sogro, D. Manuel de Melo, e com a proteção do regime de Salazar, para adquirir a Cimentos Tejo e a Companhia de Carvões e Cimentos do Cabo Mondego. A Cimentos Tejo, que era propriedade da Empresa de Cimentos de Leiria desde 1934, viria a estrear o maior forno de cimento do mundo, em 1960. Em Angola, fundou a Companhia de Cimentos de Angola e mandou construir a Fábrica de Nova Maceira, no Dondo, em 1951, Fábrica do Lobito, em 1952, e a Fábrica de Nacala, em 1963. De seguida, em Moçambique, comprou a Fábrica de Cimentos Portland, na Matola.
Ainda em 1952, as suas empresas juntam-se ao Grupo CUF, reforçando a posição quase monopolista desta empresa na indústria portuguesa.
Em 1954, numa estratégia de continuação do negócio de ferro iniciado pela família Sommer no século XIX, e perto de um forno feito pelo seu bisavô, o barão Heinrich de Sommer, fundou a Siderurgia Nacional. Em 1955, Salazar publicou um alvará em que atribuiu à empresa o exclusivo da exploração, por dez anos, de vários minérios de ferro e aço – um verdadeiro monopólio legal.
A sua estratégia de diversificação de negócios passaria ainda pela indústria da celulose, com a aquisição da Companhia de Papel do Prado e da Abelheira, constando, por fim, entre as suas participações, a Companhia Industrial Portugal e Colónias, a Fábrica de Cerveja Portugália e a aquisição do Hotel Penta.
Realizando investimentos constantes, as empresas de Champalimaud eram as maiores clientes dos bancos e seguradoras, nomeadamente da família Espírito Santo. Tentou comprar-lhes o grupo mas a resposta negativa de Manuel Espírito Santo e Silva obrigou-o a procurar alternativas. Virou-se para a zona centro do país, onde descobriu uma pequena seguradora com o nome A Confiança. A descoberta tem um pormenor por detrás: o proprietário desta seguradora era também dono do Banco Pinto & Sotto Mayor (BPSM), Manuel Henriques Júnior, industrial de Pombal, que o tinha comprado em 1942. Feita a compra, em 1960, torna-se o maior accionista do BPSM, dono de A Confiança e participa ainda n'A Mundial e Continental Seguros.
Logo de seguida fundaria as companhias Mundial e Confiança de Moçambique. Em África, o grupo de Champalimaud encontrou um vasto mercado de expansão, o que fez com que o BPSM rapidamente se transformasse no maior banco privado de Angola e Moçambique. Durante o regime salazarista, Champalimaud tentou, por três vezes, comprar o Banco Português do Atlântico, mas não teve sucesso.
A 15 de setembro de 1961, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Civil do Mérito Agrícola e Industrial - Classe Industrial.
Em 1969, na sequência da contestação feita pelos irmãos de Champalimaud, no Caso da Herança Sommer, parte para o México, para evitar um mandado de captura no processo. Em 1973, os tribunais ilibam Champalimaud, que volta a Portugal. Neste período, viria a ser acusado por Marcello Caetano de "apoiar Spínola" na crise política da publicação de Portugal e o Futuro.