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Antônio Houaiss

Intelectual brasileiro (1915–1999)

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Antônio Houaiss (Rio de Janeiro, 15 de outubro de 1915 – Rio de Janeiro, 7 de março de 1999) foi um filólogo, lexicógrafo, diplomata, tradutor, enciclopedista e crítico literário brasileiro. Filho de imigrantes libaneses, foi uma das figuras intelectuais mais influentes do Brasil no século XX, com atuação que atravessou a linguística, a diplomacia, a política cultural e a vida editorial do país.

Formado em letras clássicas pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, iniciou a carreira como professor de português, latim e literatura antes de ingressar na diplomacia em 1945. Na carreira diplomática, serviu em Genebra, na República Dominicana, na Grécia e na delegação brasileira junto à ONU em Nova Iorque. Com o golpe militar de 1964, teve seus direitos políticos cassados por dez anos e foi afastado do Itamaraty, dedicando-se então ao trabalho editorial e enciclopédico.

Organizou e dirigiu duas das mais importantes enciclopédias produzidas no Brasil — a Enciclopédia Delta-Larousse e a Enciclopédia Mirador Internacional —, elaborou o primeiro Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras e traduziu o Ulisses de James Joyce para o português. Atuou como secretário-geral e porta-voz brasileiro no processo que levou ao Acordo Ortográfico de 1990. Foi ministro da Cultura no governo Itamar Franco (1992–1993), embaixador do Brasil na UNESCO e presidente da Academia Brasileira de Letras em 1996.

Seu projeto mais ambicioso, o Grande Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, foi iniciado em 1986 e publicado postumamente em 2001, tornando-se uma das obras de referência fundamentais da língua portuguesa.

Antônio Houaiss nasceu em 15 de outubro de 1915 no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, quinto dos sete filhos do casal de imigrantes libaneses Habib Assad Houaiss e Malvina Farjalla Houaiss.

Cursou o primário e o ginasial no Colégio Pedro II e formou-se perito-contador pela Escola de Comércio Amaro Cavalcanti em 1933. Dois anos depois, concluiu o curso secundário de madureza. Ingressou na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro), onde se bacharelou em letras clássicas em 1940 e obteve a licenciatura em 1942.

Ainda durante a formação, com apenas dezesseis anos, começou a lecionar português, atividade que exerceria por toda a vida.

Magistério e primeiros trabalhos

Durante doze anos (1934–1946), Houaiss dedicou-se ao ensino de português, latim e literatura em escolas secundárias públicas do Distrito Federal. Além da sala de aula, envolveu-se com a administração pública: entre 1941 e 1943, participou de bancas examinadoras de língua portuguesa organizadas pelo Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), órgão encarregado de modernizar o funcionalismo durante o Estado Novo, e nos três anos seguintes (1942–1945) prestou assessoria contínua ao mesmo departamento na preparação de provas do idioma.

Em 1943, o Ministério das Relações Exteriores enviou-o a Montevidéu para atuar no Instituto de Cultura Uruguaio-Brasileiro, ministrando aulas de português e palestras sobre a vida cultural do país. Ali permaneceu até 1945, quando obteve aprovação em concurso para o serviço diplomático. Dois anos depois, ao optar pela carreira exterior, deixou o magistério por força da legislação que proibia o acúmulo de cargos públicos.

A partir de 1947, Houaiss passou a atuar na diplomacia, sendo designado para Genebra, onde exerceu simultaneamente as funções de vice-cônsul e de secretário junto à representação brasileira na ONU. Depois disso, trabalhou nas embaixadas do Brasil na República Dominicana (1949–1951) e na Grécia (1951–1953), além de participar de delegações brasileiras em assembleias gerais de organismos internacionais como a OIT, a OMS e a Organização Internacional para os Refugiados.

Entre 1957 e 1960, sem abandonar a diplomacia, exerceu função paralela na Presidência da República, prestando assessoria documental ao governo de Juscelino Kubitschek (1956–1961). Nesse intervalo, a administração Kubitschek produziu 83 volumes de registros oficiais do mandato.

A partir de 1960, passou a servir na representação permanente do Brasil junto à ONU em Nova Iorque, primeiro como primeiro-secretário e depois como ministro de segunda classe, postos que ocupou até o golpe de 1964. Em 1962, participou de uma missão das Nações Unidas em Ruanda-Urundi, território sob tutela internacional às vésperas da independência de Ruanda e do Burundi: a comissão, reunida em Usumbura, analisou a situação de 1.220 prisioneiros políticos, cuja anistia foi posteriormente ratificada pela Assembleia Geral das Nações Unidas. No ano seguinte, atuou como relator da IV Comissão da Assembleia Geral, responsável por questões de descolonização e tutela.

Cassação política e trabalho editorial

Com o golpe militar de 31 de março de 1964, Houaiss teve seus direitos políticos suspensos por dez anos com base no Ato Institucional. O Itamaraty o desligou de seus quadros, alegando que ele não mais dispunha de título de eleitor — situação que decorria da própria cassação.

Impedido de exercer a diplomacia e o magistério público, reinventou-se profissionalmente no mundo editorial. Entre 1964 e 1965, trabalhou como redator do Correio da Manhã. A partir de 1965, assumiu a direção da Editora Delta S.A., no Rio de Janeiro, onde permaneceu cinco anos e conduziu a edição da Enciclopédia Mirador Internacional, um dos mais ambiciosos projetos enciclopédicos já realizados no Brasil. Anteriormente, já havia organizado a Grande Enciclopédia Delta Larousse.

Após a promulgação da Lei da Anistia em agosto de 1979, no governo João Figueiredo, Houaiss recuperou seus direitos políticos, mas decidiu não voltar à carreira diplomática.

Trabalho filológico e acadêmico

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