Anthony Ashley-Cooper, 3.º Conde de Shaftesbury (Londres, 26 de fevereiro de 1671 – Nápoles, 4 de fevereiro de 1713), foi um político, escritor e filósofo da Inglaterra.
Devido à influência de suas ideias estéticas, Otto Maria Carpeaux afirmou que "Shaftesbury é o grande filósofo do Pré-Romantismo".
Era filho de Anthony Ashley-Cooper, 2º Conde de Shaftesbury e Lady Dorothy Manners, filha de John, Conde de Rutland. Seu pai era mentalmente fraco e sua educação foi confiada a seu avô, o primeiro Conde, sob a supervisão de Locke e com o auxílio de Elizabeth Birch, aprendendo grego e latim. Depois foi enviado para estudar no Winchester College, abandonando os estudos em 1688 e iniciando uma viagem pelo estrangeiro, onde conheceu artistas e intelectuais interessados no Classicismo. Depois da Revolução Gloriosa de 1689 voltou para a Inglaterra, dedicando-se aos estudos. Foi eleito parlamentar pelo partido Whig em 1695, e distinguiu-se pela defesa da Lei para Regilamentação de Julgamentos em Casos de Traição, mas manteve uma posição de independência partidária. Sua saúde frágil - sofria de asma - obrigou-o a renunciar em 1698, viajando para a Holanda em busca de um clima melhor, onde encontrou amigos de Locke e pôde discutir filosofia, moral, política e religião com mais liberdade.
Voltando à Inglaterra, logou sucedeu seu pai no condado, e voltou às atividades políticas, sendo reeleito e assumindo o posto de vice-almirante de Dorset, cargo que perdeu com a ascensão da rainha Ana ao trono, voltando à vida privada. Depois disso voltou para a Holanda, fixando-se em Roterdam. Em 1704 estava novamente na Inglaterra, mas já dava sinais de estar seriamente doente. Desde então dedicou-se a escrever, mas mantinha-se atento à política. Não se interessava pelo casamento, mas desposou em 1709 Jane Ewer para prover sua sucessão ao condado, nascendo seu único filho no ano seguinte, ao qual se deve boa parte do conhecimento moderno sobre sua biografia. Em 1711 sua saúde exigiu que se mudasse para a Itália, estabelecendo-se em Nápoles e continuando a escrever. Faleceu em Nápoles e seu corpo foi trasladado de volta à Inglaterra, sendo sepultado na propriedade familiar. Na visão de seus contemporâneos ele foi um caráter reto, um estudante ardente e um entusiasta da causa da virtude e da liberdade.
Inquiry concerning Virtue, c. 1683
Preface to the Sermons of Dr. Whichcote, 1698
Concerning Enthusiasm to Lord Somers, 1708
Sensus Communis, an Essay on the Freedom of Wit and Humour, 1709
The Moralists, a Philosophical Rhapsody, 1709
Soliloquy, or Advice to an Author, 1709
Characteristics of Men, Manners, Opinions, Times, 1711 (incluindo Miscellaneous Reflections, e Inquiry concerning Virtue or Merit)
A Notion of the Historical Draught or Tablature of the Judgment of Hercules
14 Cartas de Shaftesbury a Molesworth, 1721
Letters of Locke, Sidney and Shaftesbury,1830, ampliada em 1847;
Letters to Stringer, Lord Oxford and Lord Godolphin, 1851.
Letters to a Young Man at the University, 1716.
Além destas obras ele deixou diversos memorandos, esboços e outros escritos. Seu estilo é claro mas tem sido considerado um tanto afetado por um excesso de virtuosismo. Seu conteúdo, porém, é de grande importância, principalmente por causa de suas especulações sobre ética, refutando a doutrina de Hobbes através do método da psicologia empírica, considerando primeiro o homem como uma unidade em si e depois analisando suas relações com outros homens e a sociedade em geral. Seu princípio era o da Harmonia ou Equilíbrio, mas baseou-se antes na concepção de bom gosto do que na razão. Considerava a benevolência essencial para a moralidade, e traçou um paralelo entre moral e estética. Descreveu pela primeira vez na Inglaterra o Senso Moral ou Consciência, dizendo que é essencialmente emocional e arreflexivo. No processo de seu desenvolvimento se torna racional pela educação e pelo uso. Disso ele derivou que:
A distinção entre certo e errado é parte da constituição inata do homem;